13/08/2024
Artigo: Saúde em Guaratinguetá.
O ano de 2020 vai ficar marcado para a história!
Vivemos uma epidemia de escala global que mudou drasticamente a nossa relação com o mundo atual. Ela vai deixar rastros de uma memória em que fomos forçados a repensar nossos hábitos, rotinas e cuidados com a nossa saúde física e emocional. O coronavírus (ou Covid-19), que iniciou na China, na cidade de Wuhan, ganhou proporções gigantescas, e assim como no passado, a humanidade também se reinventará com as consequências desse episódio em nossa vida coletiva.
Nesse momento, muitos se questionaram no início dessa pandemia que a doença seria indicativo de um fim dos tempos, do mundo. E como imaginaríamos, em pleno século XXI envolto a tanta tecnologia, vivenciarmos um vírus que nos tira toda a segurança e certeza que temos em relação à sociedade científica.
Infelizmente, as epidemias não são algo tão raro e incomum em nossas vidas em sociedade. Ao longo da História, a humanidade passou por muitos episódios de dores e alegrias em relação a doenças em massa. As dores estão relacionadas à perda de controle da própria saúde e a do outro, e a alegria quando do fim da epidemia e o início de novos tempos.
Nem só de alegrias vivenciou a nossa querida Guaratinguetá. No final do século XVIII e início do século passado, o Brasil vivenciou um dos piores momentos em relação à saúde de seus cidadãos: o país e o mundo foram devastados pela febre amarela e varíola, conhecida na época como a “doença da bexiga”. Em Guaratinguetá e ao redor nas cidades do Vale do Paraíba muitos morreram sem assistência e recursos necessários para sua recuperação. Lembrando que não tínhamos vacina e uma estrutura hospitalar pública para a população. Nesse contexto surge a importância da Santa Casa de Misericórdia de Guaratinguetá. Fundada em 1869, começou a atender os casos de lepra e varíola, que assolavam a população. Por coincidência, a varíola especialmente, em muito se assemelha ao vírus da Covid-19: alta taxa de contágio, sintomas semelhantes e também se tornou uma pandemia.
Outra epidemia que assolou a nossa região foi a cólera. Em 1894, o governo na época tomou a iniciativa de interromper o tráfego ferroviário entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro para evitar a propagação da doença à capital federal, que era o Rio de Janeiro. A interrupção do tráfego ferroviário permaneceu por um bom tempo, fazendo com que os negócios no comércio e na indústria fossem prejudicados. Os jornais, como o Correio Paulistano, teciam várias críticas ao Governo do Estado.
O curioso na rotina daquele tempo é que não podia sair do Estado de São Paulo sem um passaporte sanitário, e permaneceu proibido o comércio de gêneros alimentícios através da ferrovia, que eram então relacionados à transmissão da cólera, como carne, leite, toucinho e queijo. E os passageiros que tomavam a composição rumo ao Rio de Janeiro, nas estações atingidas pela epidemia, como Guaratinguetá, Cachoeira Paulista, Cruzeiro e Queluz tinham que ser descontaminados juntamente com sua bagagem antes de subir no trem, de acordo com TELAROLLI (Epidemia, 1895).
Outro dado interessante foi a corrente dos que apoiavam e os que criticavam o governo diante da epidemia. Alguns diziam sobre o "louvável rigor" do governo federal na defesa da população contra a cólera, e outros alegavam que São Paulo vinha se descuidando de medidas então fundamentais dentro do arsenal tecnológico disponível contra as doenças epidêmicas, como a fiscalização dos serviços de limpeza pública e a inspeção dos estabelecimentos coletivos, como cortiços, quartéis, restaurantes, colégios, hotéis e casas de pensão (Epidemia, 1894).
Sendo assim, percebemos que saúde e doença são processos que vivenciamos como humanidade em todos os períodos históricos, e ambas estão a nossa espreita. O passado pode nos ensinar a construirmos uma sociedade mais equilibrada e saudável. Nunca a educação, a ciência e a consciência comunitária se tornaram tão essenciais como a própria saúde do corpo.
Referências:
TELAROLLI Jr., Rodolpho: Imigração e epidemias no estado de São Paulo. História, Ciências, Saúde - Manguinhos, III (2): 265-283 jul.-out. 1996.
https://www.sanarmed.com/coronavirus-origem-sinais-sintomas-achados-tratamentos.
https://www.facebook.com/santacasagtaoficial/
Texto e pesquisa: Marina Tatiana Ferreira Costa.