23/04/2026
ITAPITANGA (MINHA PEDRA VERMELHA) MEMÓRIAS DE UM TEMPO AINDA NÃO DISTANTE
Onde o barro era lei e o pó era véu,
Surgiu em Itapitanga um novo céu.
Na Rua do Rosário, o progresso bateu,
E a terra antiga em pedra se converteu.
Era o som do calceteiro, o mestre do chão,
Assentando o destino com a força da mão.
Cada bloco encaixado, um desejo profundo,
De ver a pequena rua ganhar o mundo.
Onde a lama mandava, o passo firmou,
E o tempo das águas ali não parou.
Sob o sol da Bahia, o brilho surgiu,
No caminho de pedra que o povo seguiu.
Hoje o asfalto é liso, silente e moderno,
Mas guarda o segredo do esforço eterno.
Pois sob a camada que o tempo instalou,
Bate o coração de pedra que a tudo fundou.
"Jheff Santana"
Nas dobras do tempo, a Rua do Rosário em Itapitanga era um leito de terra e memórias, onde o chão respirava o pó das secas e chorava a lama das trovoadas. Quando o calçamento enfim chegou, não trouxe apenas pedras; trouxe o desenho da civilidade em geometrias imperfeitas, cada bloco de rocha sendo um ponto de sutura na face da vila.
O martelo do calceteiro ecoava como O pulsar de um coração, batendo o ritmo de uma Bahia que se queria moderna, mas que mantinha o cheiro do cacau entranhado nos vãos. Onde antes os pés descalços sentiam o calor do barro, passaram a marchar os passos firmes da promessa, transformando a velha rua em um corredor de histórias, onde o eco do passado ainda insiste em ressoar sob o chão de pedras de hoje.
FOTO HISTÓRICA RESTAURADA E COLORIDA DIGITALMENTE.
Ferramenta usada: Adobe Photoshop