12/05/2021
Você conhece a história do heróis da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Ten PM Alberto Mendes Júnior?
O jovem policial foi morto covardemente assassinado por terroristas da VPR em 10 de maio de 1970. Sua execução foi marcada por requintes de frieza e perversidade. Após ser amordaçado e ter suas mãos amarradas atrás da cintura, o jovem oficial recebeu sucessivas coronhadas na cabeça até ter o crânio estraçalhado. Seu corpo só foi encontrado cinco meses depois, escondido num valão.
Em que circunstâncias ocorreu a morte deste guerreiro? Mendes Júnior comandava um pelotão destacado para patrulhar as imediações de Registro (SP), onde presumia-se haver um campo de treinamento da VPR, segundo informes colhidos pelo CIE – Centro de Inteligência do Exército. Em razão dessa suspeita, desde abril a região vinha sendo esquadrinhada por efetivos das Forças Armadas e da PM. À medida que o cerco se apertava, os guerrilheiros se evadiam ou caíam prisioneiros: dois foram detidos numa blitz e oito escaparam de ônibus, misturados ao populacho. Restavam sete terroristas quando sobreveio o primeiro tiroteio seguido de fuga, às margens BR-116, em 8 de maio. A caçada intensificou-se e culminou com um segundo recontro, às 21:00 do mesmo dia. Quando as armas silenciaram, vários PMs jaziam feridos no chão. Para assegurar-lhes socorro médico, o Tenente Mendes Júnior negociou um cessar-fogo com o líder do bando, Carlos Lamarca, oferecendo-se como prisioneiro sob a condição de que seus homens pudessem ser evacuados incólumes.
Aceita a proposta, o Tenente passou à custódia dos guerrilheiros, agora reduzidos a cinco, uma vez que dois fugiram durante o confronto. O grupo embrenhou-se pelo mato, buscando assim escapar ao cerco armado pelas forças legais. Após dois dias de fuga, julgando que Mendes Júnior já não tinha utilidade como refém, os terroristas decidiram executá-lo. Poderiam tê-lo matado de maneira indolor, com um tiro de misericórdia, mas preferiram fazê-lo da maneira mais bárbara possível, aplicando-lhe sucessivas coronhadas na cabeça. Após ocultar o cadáver, prosseguiram na fuga. O corpo do tenente só foi achado cinco meses depois, quando um dos assassinos foi capturado e mostrou às autoridades onde ele estava escondido.
A sorte do bando durou pouco. Dos cinco terroristas, dois vieram a ser mortos pelo Exército: Carlos Lamarca e Yosh*tame Fujimori. Um terceiro foi poupado, por ser informante do CIE – Gilberto Faria Lima. Os outros dois – Diógenes Sobrosa de Souza e Ariston Lucena – foram presos e condenados. Ao prolatar sua sentença, o Conselho Especial de Justiça da 2ª Auditoria Militar assim descreveu o oficial martirizado no cumprimento do dever: "O Tenente PM Alberto Mendes Júnior, na sua curta existência de 23 anos, realizou o ideal do herói e do santo. Quando chegou a sua vez e a sua hora, ele as aceitou e as dominou, renunciando à oportunidade de fugir ao dever, que, como uma espécie de última prova, lhe foi concretamente apresentada. Ele se tornou aquele 'dócil furacão' de que fala Jacques Maritain para definir o santo. E na solidão dos seus últimos momentos, no mistério para sempre impenetrável desses momentos, ele soube, nesses tempos de hedonismo crescente, realizar o milagre evangélico de dar sua vida pelas suas ovelhas - os seus soldados".
Alberto Mendes Júnior tinha dois filhos pequenos. Foi sepultado com honras militares em 11 de setembro de 1970. Sua missa de 7º dia reuniu 6.000 pessoas, entre elas o General Vicente de Paula Dale Coutinho, Comandante do II Exército, o Brigadeiro José Vaz da Silva, Comandante da 4ª Zona Aérea, e o Coronel Confúcio Danton de Paula Avelino, Comandante da PM de São Paulo. Por decisão presidencial, Mendes Júnior foi promovido postumamente a capitão. Anos depois, por força da Lei Estadual nº 13.026/2008, o 10 de maio foi declarado Dia do Herói Policial Militar. Desde então, o jardim do seu Batalhão abriga uma estátua de bronze talhada em alto relevo num mural de mármore, para que o exemplo dele permaneça vivo na memória desta Nação que lhe é eternamente grata!