18/02/2025
Dadá: Uma vida de alegria, amizade e carnaval
José Adauto Aragão Campelo, o querido Dadá, veio ao mundo em 1954, na cidade de São Miguel.
Desde cedo, carregava consigo uma energia vibrante, sempre pronto para uma boa conversa, uma gargalhada e, claro, uma grande festa. Filho de Zezé Campelo e Dona Zuleide, cresceu cercado por histórias, amizades e momentos que moldaram sua personalidade marcante. Seu olhar verde intenso era um reflexo fiel de suas emoções: brilhava nas festas, transmitia cumplicidade aos amigos e, quando algo o desagradava, bastava um olhar para que todos entendessem o recado.
Mesmo vivendo em Brasília, jamais se afastou de suas raízes. Pai dedicado de três filhos, foi um homem presente e generoso, sempre disposto a estender a mão a quem precisasse.
Para os amigos, Dadá era aquele porto seguro, um companheiro fiel para todas as horas. E suas "raparigas", como carinhosamente chamava as amigas, sabiam bem disso. Para ele, amizade era compromisso, fosse nos momentos de riso fácil ou nas dificuldades da vida.
Se havia uma época do ano em que Dadá brilhava ainda mais, era o Carnaval. Não precisava de grandes produções; um short, uma camiseta e um bom estoque de maisena eram suficientes para garantir dias e noites de pura folia. Mergulhava na festa como poucos, dançava ao som das marchinhas, via o sol nascer depois de noites intensas e protagonizava cenas lendárias, como os saltos sobre cercas de arame farpado para se refrescar no jorrante da Irauçuba.
Dadá também era um mestre na arte de contar histórias. Entre uma gargalhada e outra, relembrava suas aventuras da juventude, das peladas nos campos lamacentos até as inesquecíveis incursões nos cabarés de São Miguel.
Tinha o riso fácil e transformava qualquer situação em motivo para uma boa piada.
A música também fazia parte de sua alma. Se as marchinhas de Carnaval eram o combustível para a folia, os boleros e sertanejos antigos embalavam seus momentos de nostalgia.
Não era de falar muito, mas seu emblemático "rum" carregava um significado que dispensava explicações.
Em 2014, Dadá partiu, deixando um vazio enorme, mas também uma herança de alegria e amizade. Sua presença ainda ecoa nas rodas de conversa, nos carnavais e no coração de todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.
Porque Dadá não foi apenas um amigo, um irmão ou um folião; foi um verdadeiro símbolo de amor pela vida.
E enquanto houver música, risadas e maisena no Carnaval, sua essência seguirá viva, pulando, dançando e celebrando entre nós.