02/08/2026
A árvore que se ergue nesta Obra de Arte não é uma representação arbitrária. É construída a partir de tacos de madeira.
A matéria que a constitui não é exterior à narrativa institucional; pertence-lhe.
Já foi chão. Já foi base de ação, de encontro, de trabalho e de transformação. Ao ser integrada nesta Obra, essa matéria não é apenas reutilizada, mas sim, ressignificada.
O que antes sustentava, eleva-se.
O chão transforma-se em árvore.
Esta transformação afirma-se como metáfora de um percurso.
Entre os ramos, surgem anéis de madeira que evocam o tempo cíclico, processos, etapas e camadas sucessivas de crescimento que não se organizam de forma linear, mas acumulativa e estruturante.
A presença das pastilhas de pedra introduz uma leitura mais interna e vital. Dispostas como uma rede que atravessa a árvore, sugerem um sistema de circulação, assim como “veias” que transportam aquilo que não se vê, mas que sustentam tudo: a energia coletiva, as relações humanas e o compromisso contínuo.
A árvore assume, assim, uma dimensão orgânica. Não é apenas estrutura, é corpo.
O fundo, composto por uma gradação de texturas em tons castanhos, remete à terra enquanto origem e fundamento comum, um elemento primordial de toda a vida. O emaranhado de tinta em tons de ouro introduz uma dimensão simbólica de valor e nobreza, refletindo a intenção com que a Obra foi concebida.
É neste enraizamento que se estabelece a relação entre matéria, tempo e identidade.
Esta obra afirma-se como um marco, não apenas como evocação do passado, mas como presença contínua. Um dispositivo que preserva a memória e, simultaneamente, projeta o futuro.
É nesse equilíbrio entre criação, memória e projeção que esta árvore se inscreve.
Texto e Obra de Arte da Artista Andrea Cris Sponchiado Tomicioli