17/09/2024
Devemos refletir nas causas subjacentes à triste realidade que, ano após ano, assola Portugal no que aos incêndios florestais diz respeito. Os modelos climáticos para o país (EURO-CORDEX ) apontam para que no final do período 2070-2100, Portugal estará em média 3 a 5 graus mais quente, fazendo com que o Outono seja um prolongamento do Verão, com maior quantidade de vegetação seca, um aumento da frequência das ondas de calor e consequentemente uma diminuição dos dias de chuva e da precipitação. Estas vulnerabilidades irão contribuir para o agravamento dos incêndios, aumento da sua severidade e da área ardida, que contribuirão para a desertificação do país e criam um cenário alarmante em matéria de floresta e incêndios (Camargo & De Castro, 2018). Assumindo-se esta dura realidade, não será mais que tempo para refletir sobre as soluções estratégicas de longo prazo no âmbito das políticas de gestão e ordenamento do território florestal? Será que os nossos políticos, ao nível das freguesias, municípios, CCDR's e afins têm cumprido com as suas responsabilidades para com as populações que supostamente servem? A difusão pública da declaração de situação de alerta por parte do Governo para este período, terá despoletado todo um manancial de ignições, sobejamente cobertas pelas televisões portuguesas, naquilo que o ser humano tem de pior. Defenderão muitos que integra o dever público de informação. Será que a angústia, sofrimento, pânico, destruição de bens pessoais pelo fogo, aflição, medo, perdas de vidas e outros estados emotivos das pessoas, entre outras imagens de labaredas que tudo devoram, se enquadra nesse dever? Ou será uma forma baratuxa de fazer televisão e semear o pânico nas povoações das zonas do país afetadas? Deixo para reflexão de todos o teor da Diretiva para a cobertura informativa de incêndios rurais e outras catástrofes e o Guia de Boas Práticas para a Cobertura Informativa de Incêndios Florestais e Outras Calamidades adotas pela ERC, salientando que as orientações da ERC, subscritas pela OPP, recomendam evitar-se a constante e exaustiva repetição de imagens por poderem influenciar pessoas vulneráveis e que a escolha editorial de imagens, deverá ter em atenção possíveis efeitos miméticos e evitar efeitos técnicos e linguísticos que contribuam para empolar o incêndio, como o são consideradas as palavras “catástrofe” e “pânico”.
ERC:
1. https://www.erc.pt/download/YToyOntzOjg6ImZpY2hlaXJvIjtzOjM5OiJtZWRpYS9maWNoZWlyb3Mvb2JqZWN0b19vZmZsaW5lLzM1MS5wZGYiO3M6NjoidGl0dWxvIjtzOjUwOiJndWlhLWRlLWJvYXMtcHJhdGljYXMtaW5jZW5kaW9zLWUtb3V0cmFzLWNhbGFtaWRhZCI7fQ==/guia-de-boas-praticas-incendios-e-outras-calamidad
2.
https://www.erc.pt/download/YToyOntzOjg6ImZpY2hlaXJvIjtzOjM5OiJtZWRpYS9jbGlwcGluZ3Mvb2JqZWN0b19vZmZsaW5lLzI5My5wZGYiO3M6NjoidGl0dWxvIjtzOjUwOiJlcmMtYWRvdGEtZGlyZXRpdmEtcGFyYS1hLWNvYmVydHVyYS1pbmZvcm1hdGl2YS1kZSI7fQ==/erc-adota-diretiva-para-a-cobertura-informativa-de
3.
ORDEM DOS PSICÓLOGOS EPORTUGUESES
https://recursos.ordemdospsicologos.pt/files/artigos/guia_de_boas_pr__ticas_para_a_cobertura_informativa_de_inc__ndios_florestais_e_outras_calamidades.pdf
Pelo contrário, estas são as imagens que deveriam passar nos media portugueses. E assim delapidamos um património florestal que pertence a TOD@S nós.