Museu das Convergências

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O Museu das Convergências está vocacionado para o estudo, divulgação e disponibilização de bens artísticos e culturais produzidos no contexto das transferências entre diversos povos e áreas geográficas, dos seus encontros artísticos e culturais.

Neste fragmento esculpido em pedra de Ançã (um calcário branco e muito macio originário de Cantanhede), vemos uma cabeça...
25/08/2026

Neste fragmento esculpido em pedra de Ançã (um calcário branco e muito macio originário de Cantanhede), vemos uma cabeça feminina coroada. Composta por um rosto de recorte redondo, são percetíveis os olhos abertos, os lábios semicerrados e uma composição equilibrada, que é simétrica a partir do eixo do nariz. Outro pormenor de referência nesta escultura é o desenho dos cabelos ondulados, executados em estrias, assim como uma coroa ornamentada por uma sequência de cabuchões em relevo.

Atribuída ao Mestre dos Túmulos dos Reis pelo historiador Pedro Dias, a peça terá sido produzida durante o reinado de D. Manuel, quando decorreram as grandes obras no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra.

Apesar do seu carácter de ruína, as semelhanças com a imagem da Virgem do Leite integrada no Túmulo de D. Sancho I –– considerada, por muitos, a obra-prima atribuída ao mesmo escultor anónimo do século XVI –– são notórias, permitindo mesmo classificá-la como a escultura estilisticamente mais próxima conservada no património português.

Este objeto característico da transição do Gótico para o Renascimento em Portugal integra a Coleção de Arte Europeia do acervo do museu, e engloba pintura, escultura, desenho, artes decorativas e uma variedade de expressões resultantes de diferentes circulações estéticas e temporais.

📷 © Pedro Lobo
𝐂𝐚𝐛𝐞𝐜̧𝐚 𝐟𝐞𝐦𝐢𝐧𝐢𝐧𝐚 𝐜𝐨𝐫𝐨𝐚𝐝𝐚
Coimbra, Portugal, c. 1520–1525
Pedra de Ançã (calcário oolítico de Ançã) montada em peanha de sucupira
28 x 15,7 x 18 cm (com peanha)

À primeira vista, seria fácil assumir a procedência chinesa deste 𝐏𝐫𝐚𝐭𝐨: a porcelana em tons de branco e azul, e a figur...
18/08/2026

À primeira vista, seria fácil assumir a procedência chinesa deste 𝐏𝐫𝐚𝐭𝐨: a porcelana em tons de branco e azul, e a figura mitológica representada ao centro (um 𝑞𝑖𝑙𝑖𝑛, criatura quimérica da tradição chinesa) remetem de imediato para uma peça da dinastia Ming. Contudo, esta peça que se encontra no acervo do Museu das Convergências é na verdade oriunda da Pérsia, algures entre 1600 e 1650. A recriação da estética Ming não é acidental — insere-se num esforço da Pérsia para competir com este produto chinês nas rotas comerciais entre a Europa e a Ásia através da Ásia Central. Contudo, estas peças não se tratavam de meras imitações baratas: neste prato é possível discernir um traço de ilustração em linha com o vocabulário visual persa. Adicionalmente, os motivos decorativos no rebordo do prato são mais reminiscentes dos motivos florais em voga na Europa e no Médio Oriente.

No acervo do Museu das Convergências, esta peça integra a 𝐂𝐨𝐥𝐞𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐞 𝐀𝐫𝐭𝐞 𝐝𝐚 𝐂𝐡𝐢𝐧𝐚 𝐞 𝐀́𝐬𝐢𝐚 𝐂𝐞𝐧𝐭𝐫𝐚𝐥 — uma coleção que inclui cerâmicas, terracotas, têxteis e outros objetos que circulavam nas principais rotas de comércio por terra e por mar.

📷 © Pedro Lobo

Pérsia (atual Irão), Dinastia Safávida (1501–1722), c. 1600–1650
Pasta de pedra (fritware) policromada com azul-cobalto sob vidrado alcalino
⌀ 32 cm

As 𝑬𝒎𝒂 são pequenas placas de madeira onde budistas e xintoístas inscreviam os seus desejos ou pedidos às entidades divi...
04/08/2026

As 𝑬𝒎𝒂 são pequenas placas de madeira onde budistas e xintoístas inscreviam os seus desejos ou pedidos às entidades divinas — para depois as pendurar nos seus templos. Em japonês, o seu nome significa “imagem-cavalo”, numa referência a uma espécie que na mitologia da religião xintoísta era vista como mensageira dos deuses.

Entre o acervo do Museu encontramos este painel votivo com a representação de uma nau portuguesa. Sem certezas absolutas sobre a sua origem, poderá ter sido encomendada a artesãos japoneses para pedir aos deuses uma passagem segura para o navio — que nesta composição está rodeado por ondas expressivas; ou mesmo para boa sorte nos negócios, se optarmos por valorizar a pequena embarcação que parece estar a atracar ao navio para uma troca comercial. Os caracteres 𝑘𝑎𝑛𝑗𝑖 que rodeiam o navio significam “doado” e “pendurado”, mais indicativos da natureza desta placa votiva do que dos seus votos.

Esta peça estará em empréstimo ao Centro de Religiosidade Marítima do Museu Marítimo de Ílhavo. Integra a exposição temporária 𝐀 𝐚𝐫𝐭𝐞 𝐪𝐮𝐞 𝐯𝐞𝐢𝐨 𝐩𝐞𝐥𝐨 𝐦𝐚𝐫, que inaugura já nesta sexta-feira — um dia antes do Museu Marítimo celebra o seu 89º aniversário.

No acervo do Museu das Convergências, esta peça integra a colecção 𝐀𝐫𝐭𝐞 𝐍𝐚𝐦𝐛𝐚𝐧 — que agrega um vasto conjunto de tipologias de objetos produzidos como resultado das relações entre Portugal e o Japão.

📷 © Pedro Lobo
𝐸𝑚𝑎 (𝑝𝑎𝑖𝑛𝑒𝑙 𝑣𝑜𝑡𝑖𝑣𝑜 𝑗𝑎𝑝𝑜𝑛𝑒̂𝑠) 𝑐𝑜𝑚 𝑎 𝑟𝑒𝑝𝑟𝑒𝑠𝑒𝑛𝑡𝑎𝑐̧𝑎̃𝑜 𝑑𝑎 𝑁𝑎𝑢 𝑃𝑜𝑟𝑡𝑢𝑔𝑢𝑒𝑠𝑎
𝐽𝑎𝑝𝑎̃𝑜, 𝑐. 1750-1850
𝐺𝑢𝑎𝑐ℎ𝑒 𝑒 𝑡𝑖𝑛𝑡𝑎 𝑠𝑜𝑏𝑟𝑒 𝑚𝑎𝑑𝑒𝑖𝑟𝑎 (𝑐𝑖𝑝𝑟𝑒𝑠𝑡𝑒, 𝑐𝑒𝑑𝑟𝑜 𝑜𝑢 𝑝𝑖𝑛ℎ𝑒𝑖𝑟𝑜)
30,5 𝑥 50,5 𝑥 2 𝑐𝑚

Este fim de semana chega ao fim o primeiro núcleo expositivo do projeto 𝐔𝐦 𝐌𝐮𝐬𝐞𝐮 𝐞𝐦 𝐕𝐢𝐚𝐠𝐞𝐦. 𝐂𝐚́𝐥𝐢𝐜𝐞 𝐧𝐚 𝐂𝐚𝐬𝐚 representou ...
25/06/2026

Este fim de semana chega ao fim o primeiro núcleo expositivo do projeto 𝐔𝐦 𝐌𝐮𝐬𝐞𝐮 𝐞𝐦 𝐕𝐢𝐚𝐠𝐞𝐦. 𝐂𝐚́𝐥𝐢𝐜𝐞 𝐧𝐚 𝐂𝐚𝐬𝐚 representou um importante gesto na aproximação à nossa morada futura, tendo sido uma exposição desenvolvida em estreita parceria com a 𝐂𝐚𝐬𝐚 𝐒𝐚̃𝐨 𝐑𝐨𝐪𝐮𝐞. Até ao final do dia 29 há ainda oportunidade de experienciarem o diálogo entre o “Cálice com Patena”, da nossa colecção, e a obra Maçã, de Francisco Tropa.

📷 Renato Cruz Santos

Já perto da conclusão do núcleo expositivo 𝐂𝐚́𝐥𝐢𝐜𝐞 𝐧𝐚 𝐂𝐚𝐬𝐚, na 𝐂𝐚𝐬𝐚 𝐒𝐚̃𝐨 𝐑𝐨𝐪𝐮𝐞, vamos retomar uma das oficinas mais popu...
22/06/2026

Já perto da conclusão do núcleo expositivo 𝐂𝐚́𝐥𝐢𝐜𝐞 𝐧𝐚 𝐂𝐚𝐬𝐚, na 𝐂𝐚𝐬𝐚 𝐒𝐚̃𝐨 𝐑𝐨𝐪𝐮𝐞, vamos retomar uma das oficinas mais populares durante o programa paralelo da exposição “Fluxo. Objetos, Pessoas e Lugares”. 𝐒𝐞𝐫𝐞𝐢 𝐞𝐮 𝐮𝐦 𝐨𝐛𝐣𝐞𝐭𝐨 𝐢𝐦𝐚𝐠𝐢𝐧𝐚́𝐫𝐢𝐨?, destinado a crianças maiores de 6 anos, é uma oficina filosófica com dinâmicas artísticas que explora os múltiplos significados que se podem encerrar num simples objeto.

🗓️29 jun, 15h
📍Casa São Roque — Centro de Arte
🎟️Gratuito, mediante inscrição

Esta sexta-feira, a exposição 𝐂𝐚́𝐥𝐢𝐜𝐞 𝐧𝐚 𝐂𝐚𝐬𝐚 irá receber uma visita com alunos da Faculdade de Letras da Universidade d...
03/06/2026

Esta sexta-feira, a exposição 𝐂𝐚́𝐥𝐢𝐜𝐞 𝐧𝐚 𝐂𝐚𝐬𝐚 irá receber uma visita com alunos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com um momento de conversa com o professor Rui Maia, da FLUP. Esta atividade é promovida a convite das alunas Clara Barros e Juliana Bioche, e é aberta a todos os interessados. A inscrição é inteiramente gratuita, podendo fazê-la através do link da bio e estando limitada a um número máximo de 40 participantes.

🗓️5 jun, 15h
📍 Casa São Roque — Centro de Arte
🎟️Gratuito, mediante inscrição

É já na próxima quinta-feira que, na Casa São Roque — Centro de Arte, o espaço expositivo de 𝐂𝐚́𝐥𝐢𝐜𝐞 𝐧𝐚 𝐂𝐚𝐬𝐚 irá receber...
02/06/2026

É já na próxima quinta-feira que, na Casa São Roque — Centro de Arte, o espaço expositivo de 𝐂𝐚́𝐥𝐢𝐜𝐞 𝐧𝐚 𝐂𝐚𝐬𝐚 irá receber uma conversa com o 𝐄𝐬𝐩𝐚𝐜̧𝐨 𝐏𝐚𝐫𝐞𝐝𝐞. Este espaço alternativo e não institucionalizado no Porto irá refletir sobre as dinâmicas dos espaços independentes e as relações entre obras de arte, objetos e discursos. Esta atividade é inteiramente gratuita, e os interessados poderão inscrever-se através do link na bio.

🗓️4 jun, 17h
📍 Casa São Roque — Centro de Arte
🎟️Gratuito, inscrição via link na bio

Já neste domingo será promovido o primeiro evento do programa paralelo de 𝐂𝐚́𝐥𝐢𝐜𝐞 𝐧𝐚 𝐂𝐚𝐬𝐚. Na Casa São Roque, o mediador...
26/05/2026

Já neste domingo será promovido o primeiro evento do programa paralelo de 𝐂𝐚́𝐥𝐢𝐜𝐞 𝐧𝐚 𝐂𝐚𝐬𝐚. Na Casa São Roque, o mediador comunitário Ricardinho Lopes irá, em 𝐎 𝐥𝐮𝐠𝐚𝐫 𝐝𝐨 𝐌𝐮𝐬𝐞𝐮: "𝐎 𝐪𝐮𝐞 𝐬𝐢𝐠𝐧𝐢𝐟𝐢𝐜𝐚 𝐩𝐚𝐫𝐭𝐢𝐥𝐡𝐚𝐫 𝐮𝐦 𝐞𝐬𝐩𝐚𝐜̧𝐨 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐨𝐛𝐣𝐞𝐭𝐨𝐬 𝐦𝐮𝐢𝐭𝐨 𝐝𝐢𝐟𝐞𝐫𝐞𝐧𝐭𝐞𝐬?", descortinar formas de criar diálogo entre comunidade e museus, refletindo sobre como o encontro entre pessoas e objetos distintos pode gerar experiências de partilha, escuta e convivência dentro das exposições

Inaugurámos há uma semana 𝐂𝐚́𝐥𝐢𝐜𝐞 𝐧𝐚 𝐂𝐚𝐬𝐚, o primeiro núcleo expositivo do projeto Um Museu em Viagem. Nesta exposição s...
25/05/2026

Inaugurámos há uma semana 𝐂𝐚́𝐥𝐢𝐜𝐞 𝐧𝐚 𝐂𝐚𝐬𝐚, o primeiro núcleo expositivo do projeto Um Museu em Viagem. Nesta exposição são colocadas em diálogo duas peças — do acervo do Museu, o 𝐶𝑎́𝑙𝑖𝑐𝑒 𝐸𝑢𝑐𝑎𝑟𝑖́𝑠𝑡𝑖𝑐𝑜 𝑐𝑜𝑚 𝑃𝑎𝑡𝑒𝑛𝑎, do séc. XVI; e da coleção Peter Meeker, a obra 𝑀𝑎𝑐̧𝑎̃, do artista contemporâneo Francisco Tropa

Instalado na Casa São Roque — Centro de Arte, este núcleo representa mais um passo no desenvolvimento de parcerias estratégicas na área da morada futura do Museu das Convergências, em Campanhã, no Matadouro — Centro Cultural do Porto.

Fiquem atentos para novidades sobre o programa paralelo associado a este núcleo expositivo.

🗓️até 29 de junho
📍Casa São Roque — Centro de Arte
🎟️ Entrada livre

No início de cada uma das dezenas de visitas orientadas à exposição que foram promovidas este ano, a Figura Sorridente, ...
19/05/2026

No início de cada uma das dezenas de visitas orientadas à exposição que foram promovidas este ano, a Figura Sorridente, primeira peça em exibição, era explicada como o objeto que recebia os visitantes com o seu sorriso — e também com a sua pose de braços abertos. Esta abertura ao público foi a tónica de todo o programa paralelo de 𝐅𝐥𝐮𝐱𝐨. 𝐎𝐛𝐣𝐞𝐭𝐨𝐬, 𝐏𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐞 𝐋𝐮𝐠𝐚𝐫𝐞𝐬, e também do fim de semana que dedicamos ao 𝐃𝐢𝐚 𝐈𝐧𝐭𝐞𝐫𝐧𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥 𝐝𝐨𝐬 𝐌𝐮𝐬𝐞𝐮𝐬. Da conferência apresentada por Maria Isabel Roque à visita conduzida pelos participantes na Oficina de Escrita Autobiográfica; da inauguração do núcleo expositivo 𝐂𝐚́𝐥𝐢𝐜𝐞 𝐧𝐚 𝐂𝐚𝐬𝐚, que nos traz cada vez mais perto da nossa morada futura, ao lançamento do livro que expande os temas da exposição — todas estas atividades marcam a linha de um Museu aberto, e que agora entra numa nova fase itinerante.

Sobre a exposição que terminou ontem, agradecemos a presença de todos os que contribuíram para este longo encontro entre os objetos e os seus múltiplos significados — e, sobretudo, o encontro entre os objetos e aqueles que, olhando, os vêm: as pessoas. Contamos convosco para os próximos passos, que num futuro imediato terão como local a Casa São Roque — Centro de Arte.

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