19/03/2026
Iberê Camargo (1914-1994), um dos nomes mais importantes da arte brasileira do século XX, grande referência para o expressionismo nacional, tem trajetória brilhante no mundo das artes a partir dos anos 40.
A tendência ao escurecimento de sua paleta e a dedicação a temas ligados ao ambiente de estúdio se acentuam a partir de 1958, desaguando em maturidade artística. Seu trabalho deixa de procurar a rítmica das cores nas paisagens e passa a se interessar pela disposição dos objetos em naturezas-mortas. Predominam tons escuros, azulados e violetas. Com o tempo, corpos perdem sua função representativa e se tornam formas espessas de tinta.
É o início de seu trabalho abstrato, no qual Signos II é exemplo de destaque. Essa produção engrossa ainda mais a massa de tinta e incorpora mais cores. Antes, um aspecto mais gestual dá origem aos trabalhos feitos a partir dos anos 1960, bastante próximos da abstração informal.
Agora, no começo dos anos 1970, aparecem signos e figuras reconhecíveis pontuando as pinceladas grossas de cores indefinidas de sua pintura. Há a presença de personagens insinuados, solitários, sombrios, tristes, trágicos e disformes. A ação das telas ocorre em um fundo indefinido, feito com tinta grossa e pintado com grande maestria.
Ficha Técnica:
Iberê Camargo
Signos II
1971
130x184
Pintura, óleo sobre tela
Acervo Museu de Arte de Brasília - MAB
Imagens: Arquivo MAB/SECEC
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