02/01/2026
👉🏻 Nova Mostra Temporária 👇🏻
Acompanhamos por décadas as atividades do artista Susumo Harada. Em 1986, expusemos
suas xilogravuras na então existente Pinacoteca Municipal de Campos do Jordão, que então dirigíamos. Depois, em 2006, apresentamos uma mostra individual de Susumo na Casa da Xilogravura. Agora, no seu cinquentenário artístico, ele haveria de ser relembrado.
Susumo Harada nasceu na zona rural de Barueri, Estado de São Paulo, em 11 de junho de 1938. Autodidata, talentoso e extremamente trabalhador, desenvolveu seu fazer artístico em paralelo à labuta de mecânico na Companhia Sorocabana e na Viação Cometa. Produziu, ano após ano, uma extraordinária quantidade de obras em desenho, xilogravura, pintura e escultura, das quais foram testemunho suas quase duzentas exposições coletivas e individuais, no Brasil e no Exterior.
Em xilogravura, Susumo mostrou, com traço delicado, a grandeza das coisas simples:
uma borboleta, um nó, um talo de bambu. Daí Olney Kruse, prestigioso crítico de arte, ressaltou em tais obras “a força da delicadeza’’.
Como escultor, Susumo fixou-se em um tema: o cinto de castidade. É o protesto irônico e áspero contra o machismo e a sujeição brutal da mulher. Eis, aqui, uma dessas obras, que lhe renderam um livro bilíngue: A PRÁXIS DA TORTUTA NA UTOPIA POÉTICA.
E o irrequieto Harada foi além. Apaixonado pela história, redescobriu, em campo, fisicamente, uma parte do Peabiru, o caminho indígena que conectava o interior de São Paulo ao império Inca, muito antes da chegada dos europeus. Essa epopeia, Susumo a documentou em dois livros - Peabiru Ponto X e Jaguamimbaba - por conta dos quais o insigne historiador Hernani Donato, no prefácio do segundo, chamou-o: O Samurai do Peabiru.
Por fim, cabe lembrar o livro de Hai Kai - Imagens para ver e sentir, ilustrado artesanalmente feito por Susumo, em parceria com a poetisa Vera Lucia de Godoy Correa.
Antonio F. Costella