21/04/2026
Charlotte Goldsztajn Wolosker nasceu na França, em 1938. Dois anos depois, com a ocupação nazista, seu pai, Don, foi enviado ao campo de Pithiviers e depois deportado para Auschwitz.
Em Paris, Charlotte e a mãe, Czarna, passaram a viver escondidas em um quarto improvisado de uma vizinha. Naquele período, os nazistas apresentavam os campos como supostos “campos de trabalho”, uma encenação para mascarar a violência do sistema. Por isso, elas ainda recebiam cartas, desenhos e pequenos objetos enviados por Don, o que mantinha uma aparência enganosa de normalidade.
À medida que a guerra avançava e a perseguição se intensificava, Charlotte passou a usar nomes falsos e a viver em diferentes esconderijos. Para sua segurança, ela foi separada da mãe e enviada para o interior da França, onde foi acolhida em uma escola de freiras e depois na casa de uma senhora italiana chamada Niná. Czarna nunca deixou de visitá-la. Costureira, deslocava-se de um esconderijo a outro, trabalhando de forma clandestina e, quando possível, aproximava-se da filha. “Minha mãe era tudo pra mim”, lembra Charlotte.
Em 1945, com o fim da guerra, Charlotte reencontrou o pai, que sobreviveu aos campos. A família deixou a Europa rumo ao Brasil, e em 1948, aos nove anos, Charlotte chegou ao porto de Santos após um mês de travessia.
Durante décadas, ela evitou falar sobre o que viveu na infância. Hoje, cartas, objetos e registros de sua história estão preservados no Museu Judaico de São Paulo. Sua trajetória também foi contada no livro “La Petite Charlotte: Memórias de Dor. Raízes de Amor”, escrito por sua filha, Silvia Wolosker Levi, e lançado neste mês.