O projeto de revitalização
Através da criação do Instituo Cultural GTO em junho de 2007, Celma Bosque mobilizou os membros da instituição na elaboração de um projeto de reestruturação do Museu, antiga residência do artista. Isso, pois, desde sua criação em junho 1981 o imóvel que recebeu título de museu, não recebeu nenhum mobiliário para comportar as obras do artista para exposição, nenhuma inter
venção física foi feita no espaço para receber visitação, não existia um plano museológico ou catalogação das peças ou mesmo, sequer algum equipamento de segurança foi colocado no local para impedir roubo uma vez que algumas peças chegaram a ser avaliadas em até R$ 80 mil. A consequência disso foi que em 2007 a estrutura interna e externa do museu não possuía condições de receber visitas, as peças do artista, estas em madeira, estavam sendo atacadas por cupins, muitas delas acomodadas no chão, não havia nenhum banheiro para visitantes, o que impedia a recepção adequada de grupos e escolas, a pintura das paredes estava desgastada e o ambiente escuro, por falta de planejamento de entrada de ar e de iluminação, dava a impressão de um lugar abandonado. Os membros do Instituto Cultural GTO abraçaram a causa uma vez que queriam manter viva a memória do artista Geraldo Teles de Oliveira, pois estes participaram de sua trajetória artística em suas duas últimas décadas de vida, tendo, portanto, consciência de quão importante foi o trabalho do escultor para o currículo cultural de Divinópolis. O início do sonho
Contudo, Bosque teve a ideia de elaborar um projeto que tornasse o Museu/Residência GTO um espaço adequado para receber a comunidade e expor as obras de GTO, promovendo assim o acesso à arte para a população além de valorizar e preservar a memória do artista e do Município. Para o início desse trabalho, Celma convidou a arquiteta Nara Valério, especializada em preservação do patrimônio, que, como voluntária, a assessorou na elaboração do projeto para ser enviado às Leis Municipal e Estadual de Incentivo à cultura. Outro importante nome que atuou na formatação da ideia como voluntário na curadoria foi o artista plástico e professor na universidade de artes da UFSJ (Universidade Federal de São João Del Rey) Gedley Braga. Josenira Monteiro, que atua como museóloga, funcionária pública do estado de Minas Gerais e também no Museu do Crédito Real em Juiz de Fora, foi ainda contratada por Celma Bosque para elaborar um plano museológico específico para o Museu GTO de forma a revitalizar não somente o patrimônio físico, mas em especial o patrimônio intelectual do museu. O imóvel e o impasse
Após a elaboração do projeto, o primeiro impasse que surgiu foi o fato de o imóvel do museu, antiga residência do artista, ser um patrimônio particular pertencente à família de GTO. As leis de incentivo à cultura não autorizaram a aplicação de dinheiro público em espaço privado, o que permitiria apenas aquisição de mobiliário e pequenas intervenções físicas. Apesar da barreira, Celma Bosque e sua equipe da empresa Patmoss Gestão em Projetos Culturais não desistiram do projeto e encontraram como alternativa fazer no imóvel apenas as modificações autorizadas pelas leis de incentivo. Mas no projeto ainda constou importantes mudanças como pintura, aquisição de mobiliário expositor para as peças, Iluminação adequada, jardinamento externo, aquisição de mobiliário de escritório para administração das vendas das peças dos discípulos de GTO que hoje fabricam peças para venda, colocação de cerca elétrica reforço da segurança nas portas, janelas e fechaduras, compra de equipamentos eletrônicos necessários para as visitas educativas, como computador, Datashow, painel de projeção e câmera fotográfica além das intervenções não-físicas que significariam muito para o começo de uma nova realidade no Museu/Residência GTO como catalogação das peças, planejamento de funcionamento, plano museológico que inclui a exposição adequada das peças visando a preservação da memória através da organização intelectual das informações para uma didática bem aplicada aos visitantes e a preocupação de transparecer, tanto nas mudanças físicas quanto esquemáticas, a fidelidade com a identidade do trabalho e da personalidade do artista. O projeto de Celma Bosque foi aprovado em 2009 junto à Lei Estadual de Incentivo à Cultura com o valor de R$ 155 mil e em 2010 junto à Lei Municipal de Incentivo à Cultura com o valor de R$ 19 mil. Após R$ 100 mil desses recursos captados através da renúncia fiscal de empresas iniciou-se a execução do projeto em 2010 que foi previsto para entrega no início de maio de 2012. Apesar dos anseios de Celma em realizar uma grandiosa intervenção física, a gestora cultural disse que as primeiras mudanças já representariam um marco para a cultura de Divinópolis e do mundo uma vez que o trabalho de GTO ficou internacionalmente conhecido. “A nossa proposta é deixar o museu em condições de receber a comunidade e esse é o primeiro passo que foi dado já pensando no centenário de GTO em 2013” disse Bosque. Este projeto é realizado pelo Instituto Cultural GTO sob a gestão da Patmoss Projetos Culturais e conta com o patrocínio da Exdil por meio da Lei Municipal de Incentivo à cultura através da Prefeitura de Divinópolis/Secretaria Municipal de Fazenda e também com patrocínio da Ciafal, Plasdil e Ricardo Eletro por meio da Lei Estadual de Incentivo à cultura além do apoio cultural da FIEMG.