No conturbado território das artes plásticas e, especialmente e com maior ênfase, nas brasileiras, todo o trabalho feito em papel é considerado, de maneira absolutamente injusta e pejorativa, como "arte menor". Pintura, escultura, instalação, vídeo, performance, enfim, a tropa inteira das demais técnicas viveria no Olimpo das "artes maiores". Galeristas, curadores e colecionadores mal informados e
por vezes, mal intencionados pelo afã de ganhar mais vendendo menos, contribuíram para consolidar esse epíteto maldito. E ele é impingido sob a alegação de que a arte sobre papel tem pouca durabilidade e pela afirmação de serem muito velhos os processos criativos envolvidos. Mas a arte sobre papel é arte durável; gravuras e desenhos centenários estão aí bem vivos e sadios em coleções particulares e nos museus do mundo inteiro para comprovar. Valer-se de fazeres manuais antigos não impossibilita a criação de obras sólidas. Muito ao contrário: em inúmeras situações, o emprego de meios vistos com maledicência como arcaicos materializa criações magníficas. O fato incontestável é que a boa arte sobre papel, feita por artistas inspirados e talentosos, é comprovadamente superior a muita pintura de má lavra vendida a peso de ouro para decorar mansão de celebridade ignorante e muito superior a muita instalação estúpida erigida com a melhor, a mais moderna e a mais cara tecnologia e, com afobação comprada, pelo museu da moda. A Arte Menor existe para promover e comercializar a obra de Márcio Pannunzio, artista que, por ter optado em trabalhar com papel e com aquelas técnicas tidas como anacrônicas, vive no terreno marginal daquelas artes, arbitrariamente vistas, como menores. Pannunzio tem mais de três décadas de carreira consolidada pela participação em centenas de exposições coletivas e dezenas de exposições individuais. Conquistou no circuito institucional inúmeros prêmios relevantes tanto no Brasil quanto no exterior.