QUEM FOI:
Elias Lorenzutti, criador do “Museu Elias Lorenzutti”, nasceu no dia 8 de março de 1914, em Mutum, hoje Boapaba, município de Colatina. Sua infância foi pobre, de pés no chão. Mas ainda assim cresceu e viveu feliz no meio da natureza, que na época era tão farta e sem contaminação. Elias morava no interior, sua família tinha pouco acesso à cidade, e como alimento consumia o que produzia.
Seus momentos de diversão aconteciam aos domingos, jogando bola e observando a natureza sempre que podia. Em suas horas vagas construía gaiolas para prender pequenos pássaros, pois gostava de tê-los bem perto: “Era gostoso ouvi-los cantar dentro de casa, vê-los pular nos poleiros. Mas eram todos bem tratados! Não lhes faltava nada. Hoje eu não faria mais isto. A liberdade é tudo para estes animais. Mas naquela época, eles eram tantos, havia muitos, que tê-los nas gaiolas preparadas com tanto cuidado, não nos parecia ruim”. Elias possui um trabalho que já lhe rendeu muitos méritos. Já foi entrevistado e visitado por vários ambientalistas e naturalistas. Para o Museu de Biologia Mello Leitão (MBML), em Santa Tereza – ES, então de propriedade do naturalista Augusto Ruschi, taxidermizou vários animais. Ganhou o titulo de Cidadão Vitoriense em 1998 e Linharense em 2003. Ruschi, em uma de suas visitas ao museu de Elias, convidou-o para trabalhar e acompanhá-lo em suas viagens de pesquisador, tornando-se assim amigos. Elias e Ruschi muitas viagens e pesquisas fizeram juntos. Ruschi, percebendo nele um homem que abraçou a causa ambiental, de modo a defender a natureza, emitiu em 1970 a carteira de Licença permanente de cientista do Museu de Biologia Mello Leitão, reconhecida pelo Ministério da Agricultura e Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal. O Museu Elias Lorenzutti, hoje Fundação Elias Lorenzutti foi criado em 1960, a partir da exposição, em um anexo da residência, de inúmeros animais taxidermizados. Sem qualquer apoio público oficial, o Sr. Elias Lorenzutti sempre manteve o acervo aberto ao público. Um breve relato da história do Sr. Elias Lorenzutti e do Museu por ele criado. O Museu, apesar de seu caráter estritamente didático, abriga um acervo significativo da fauna regional do norte do Estado, com cerca de 1.000 exemplares, principalmente de aves e mamíferos, de um total original de 2.000 peças colecionadas desde meados do século passado. Parte do acervo perdeu-se devido à falta de condições adequadas de armazenamento do material, e o restante carece de uma catalogação adequada, com grande parte dos exemplares não apresentando informações sobre sua procedência. Algumas espécies presentes no acervo do Museu são extremamente raras em seus ambientes naturais, como a onça-pintada (Panthera onca) e o tatu-canastra (Priodontes maximus), estando praticamente restritas aos remanescentes florestais protegidos em Unidades de Conservação. Alguns exemplares de onça-pintada fazem parte do acervo do Museu. Um destes exemplares é procedente da região de Barro Novo, em Linhares, capturado em 1971). Na ocasião, duas onças (provavelmente um casal) estava atacando os rebanhos bovinos de fazendas na área. Como o naturalista Augusto Ruschi, amigo particular do Sr. Elias Lorenzutti havia manifestado interesse prévio em exemplares desta espécie para exposição no Museu Mello Leitão, montou-se uma armadilha para captura dos animais com vida. O primeiro animal capturado (um macho) morreu por estrangulamento com a corda utilizada na tentativa de realizar sua remoção para uma jaula (este exemplar foi taxidermizado, e encontra-se em exposição no Museu Lorenzutti – MEL M001 - Figura 3). O segundo animal foi capturado com sucesso (Figura 4) e o fato foi comunicado ao naturalista Augusto Ruschi, que se deslocou até Linhares. O animal foi sacrificado pelo naturalista, sendo posteriormente taxidermizado e exposto até hoje na coleção didática do Museu Mello Leitão. O Museu Elias Lorenzutti configura-se num importante testemunho da fauna regional, principalmente do norte do Espírito Santo. Diversas espécies do acervo com ocorrência registrada para o Espírito Santo estão ausentes de Coleções Zoológicas científicas. Os dados relativos à procedência ou data de obtenção de grande parte do material, entretanto, não foram coletados ao longo dos anos, o que não diminui a importância didática do acervo. Os animais catalogados receberam etiquetas individuais, e o resultado deste estudo permitirá a identificação do acervo com placas destinadas ao público visitante. Com a criação de um livro de registros (livro de tombo), todos os animais que forem incorporados ao acervo do Museu terão os dados relativos à procedência registrados. O Museu Elias Lorenzutti tornou-se uma referência no Norte do Espírito Santo, recebendo ainda hoje material de diversas instituições, como a Polícia Ambiental, o Centro de Reintrodução de Animais Silvestres – CEREIAS e diversas Unidades de Conservação, além da sociedade em geral. Considerando a inexistência de diversas espécies do acervo do Museu Lorenzutti na Coleção Zoológica do Museu de Biologia Mello Leitão, sugerimos o encaminhamento para aquela instituição, de espécimes-testemunho entre os novos animais que forem direcionados ao Museu Elias Lorenzutti. Endereço: Rua João Felipe Calmon, nº 455. Bairro Araçá. Telefone: (27) 3264-0883. Contato: (Duvidas, sugestões ou outras informações) [email protected]