12/02/2026
Colares de miçangas
Povo: Karipuna
Localização: Amapá
“Os Karipuna utilizam a expressão “nosso sistema” para definir um conjunto de práticas, conhecimentos e crenças que consideram próprias, englobando os conhecimentos dos pajés e dos “sopradores”, assim como rezas e benzimentos de origem católica. Esse “sistema” cosmológico compõe um conjunto de crenças e rituais elaborado pelas famílias Karipuna através da história de contatos com tradições diversas e hoje é uma referência fundamental para orientar a vida no rio Curipi.
Os Karipuna consideram que, paralelamente à realidade em que vivemos, ao “nosso mundo”, ou a “este tempo”, existem outros mundos que definem abreviadamente como “Fundo”, ou de maneira mais específ**a como “fundo das águas”, ou “fundo do mato” ou ainda “terra embaixo do Sol”. Trata-se de um tempo presente mas paralelo ao nosso, que ocorre em outro registro.
Nestes mundos diversos vive uma série de seres sobrenaturais, denominados em termos gerais de “bichos” (bet), “almas” (nam), “mestres” (met), karuãna,” donos” ou “avôs” (ghãpapa) e, de maneira mais específ**a, de “cobra”, “macaco”, “jacaré”, banahe, laposinie, entre outros. O contato com estes seres é sempre considerado perigoso às pessoas comuns, podendo causar-lhes ataques, morte e mesmo engravidar as mulheres. Os pajés são os únicos que têm capacidade de transitar por entre esses mundos, assim como de evocar e controlar esses seres em nosso mundo.
Chamam “bichos” os seres que povoam os mundos do “fundo das águas e do mato” e que são caracterizados por nomes de animais diversos, sendo os mais comuns: cobras-grandes, jacarés, macacos, es-padartes, colhereiros, galegas. Afirmam que estes seres “são gente como nós no mundo deles”, onde fazem suas festas e bebem caxiri, e que “vestem sua capa de bichos quando vêm passear no nosso mundo”, ou seja, a cobra veste sua pele de cobra, as aves vestem suas p***s e os animais vestem suas capas de pelos.”
Fonte: A Presença do Invisível - Texto de Antonella Tassinari