10/07/2025
Ela Vem do Encantado
Ela não nasceu no agora.
Veio das matas onde a Jurema canta,
das rezas sopradas por mestres antigos,
dos passos das caboclas e dos encantados que dançam no vento.
Na sua pele pulsa o sangue das que curam.
Nas mãos, o toque das folhas sagradas.
Nos olhos, o segredo das luas que minguam e renascem.
Ela é filha da Terra e do Tempo.
Já caminhou ao lado dos guerreiros de Malunguinho,
dançou ao som dos atabaques sob a lua cheia,
e acendeu rezas com a força dos pontos e das ervas riscadas no chão.
Ela é chama antiga.
Indomável. Desperta. Ancestral.
Porque não há silêncio que cale a mulher que carrega o axé do mato,
o grito do sangue vivo,
e o espírito livre dos encantados.
Ela não teme.
Ela se acende.
Ela incorpora a fúria doce da floresta.
Ela vive, reluz e reza em movimento.