Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo

Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo Página administrada pela Direção do Museu de Porto Alegre - Joaquim Felizardo. Atualmente abriga acervo arqueológico, fotográfico e tridimensional da cidade.
(221)

O Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo está sediado Solar Lopo Gonçalves, edificação em estilo luso-colonial construído entre 1845 e 1853, na antiga Rua da Margem, atual João Alfredo. Foi criado, em 1979, com a finalidade de reunir acervos históricos e culturais da cidade. Dispõe de duas exposições permanentes e uma temporária; serviço de exposições guiadas para grupos e escolas mediante agend

amento; serviço de pesquisa nos acervos e eventos diversos a serem realizados nos diferentes espaços da instituição.

No dia 24 de abril celebramos o Dia do Chimarrão e aproveitamos para contar um pouco desta história que começa com os po...
24/04/2026

No dia 24 de abril celebramos o Dia do Chimarrão e aproveitamos para contar um pouco desta história que começa com os povos Guarani e Kaingang. Antes das invasões portuguesa e espanhola, na região onde hoje estão os estados do Rio Grande do Sul, Paraná e parte do território paraguaio, a erva-mate circulava entre as diversas populações que habitavam este espaço. Chamada de ka’a pelos guaranis, as folhas da Ilex paraguariensis (nome científico dado à planta em 1820) “[...] eram especialmente utilizadas pelos indígenas ali estabelecidos para a produção de uma espécie de chá estimulante, denominado atualmente de ka’ay, originalmente mais consumido em contextos cerimoniais e religiosos. A erva-mate também era utilizada por outros povos indígenas para produzir bebidas semelhantes, inclusive entre comunidades originárias do Chaco e dos Andes, de onde a espécie não é nativa ou endêmica. A própria palavra mate, por exemplo, deriva do quéchua mati, vocábulo usado para designar o recipiente – geralmente uma cabaça ou porongo – onde era preparada e servida a bebida.” (Oliveira; Esselin, 2015). Com a colonização, a prática chegou a ser proibida pelos jesuítas. No entanto, ao perceberem a importância social e econômica da exploração da erva, passaram a fomentar o plantio em suas reduções, contribuindo para a disseminação da bebida pelo território. A população indígena por muito tempo foi importante produtora de ka’a, mas a perda de seus territórios e a concorrência com outros produtores afastou os povos indígenas do cultivo.
Recentemente, na Teko'a Anhetenguá, na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, foi realizado o primeiro karijo (preparo artesanal de erva-mate) pela comunidade Mbya Guarani, a partir de uma iniciativa que “busca revitalizar saberes e fortalecer a identidade cultural da comunidade Mbyá Guarani e que integra o Projeto Ar, Água e Terra, realizado pelo Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (Jornal do Comércio, 2025) A ação visa também garantir autonomia e sustentabilidade à Teko’a que, como outras aldeias da cidade, lutam pela manutenção, segurança e desenvolvimento dos territórios indígenas locais.

Imagem 1: Autor desconhecido Indígenas de tradição Guarani reunidos em uma roda de chimarrão, 1993. Acervo do MJJM. (7059f).

Audiodescrição: Fotografia horizontal em preto e branco. Ao redor de um braseiro, indígenas tomam chimarrão. Da esquerda para a direita, em um semicírculo, uma mulher e quatro homens. O último segura a cuia e a garrafa térmica está na sua frente. Sobre a brasa, uma chaleira e um bule. À esquerda, outro indígena, de pé, observa o grupo. Atrás, uma construção de bambu com uma pequena porta no centro.

Imagem 2: Studio Os 2. O amargo matutino. Acervo do MMJ. (album3_C25).

Audiodescrição: Fotografia horizontal em preto e branco. Sobre uma superfície plana, uma cuia de chimarrão com a bomba, uma chaleira e um chapéu. À esquerda, a cuia de porongo com a borda de metal, encaixada no suporte. À direita, a chaleira de alumínio desgastada pelo uso. Atrás, desfocado, o chapéu de palha.

Referências:
ALDEIA Mbyá Guarani de Porto Alegre realiza pela primeira vez a produção artesanal do chimarrão. JORNAL DO COMÉRCIO, Porto Alegre, 19 de set. de 2025. Disponível em: https://www.jornaldocomercio.com/colunas/pensar-a-cidade/2025/09/1218849-aldeia-mbya-guarani-de-porto-alegre-realiza-pela-primeira-vez-a-producao-artesanal-do-chimarrao.html.

BERNARDES, Aline Dias. O chimarrão como patrimônio imaterial gaúcho: os sentidos atribuídos ao desejo de preservação. Monografia (Graduação em Turismo) - Escola de Direito, Turismo e Museologia, Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 2021. Disponível em https://www.monografias.ufop.br/bitstream/35400000/3409/1/MONOGRAFIA_Chimarr%c3%a3oComoPatrim%c3%b4nio.pdf.

DIEHL, Isadora Talita Lunardi. O chimarrão é indígena! AMPUH, São Paulo. Disponível em: https://anpuh.org.br/index.php/blog-indigenas-na-historia-sempre-obrigados-ao-trabalho/item/8044-o-chimarrao-e-indigena.

OLIVEIRA, Jorge Eremetis de; ESSELIN, Paulo Marcos. Uma breve história (indígena) da erva-mate na região platina: da Província do Guairá ao antigo sul de Mato Grosso. Espaço Ameríndio, Porto Alegre, v. 9, n. 3, p. 278-318, jul./dez. 2015.

O TESOURO arqueológico, os aldeamentos e o trabalho indígena em Porto Alegre. Matinal News, Porto Alegre, 20 jun. 2021. Disponível em https://www.matinaljornalismo.com.br/matinal/desapagapoa/o-tesouro-arqueologico-os-aldeamentos-e-o-trabalho-indigena-em-porto-alegre/. Acesso em 23/04/2026.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) foi criado em Genebra, Suíça, em 1863, com a missão de “[...] ajudar, pro...
15/04/2026

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) foi criado em Genebra, Suíça, em 1863, com a missão de “[...] ajudar, proteger e prestar assistência humanitária às pessoas afetadas por conflitos armados e outras situações de violência”. Em dezembro de 1908, seguindo os padrões internacionais, constituiu-se a Cruz Vermelha Brasileira (CVB). Os princípios que regem o trabalho dessa instituição (ligada ao Estado desde 1912) são, entre outros: humanidade, neutralidade, voluntariado e universalidade. No Brasil, a CVB possui filiais em quase todos os estados e no Distrito Federal.
No Museu, temos uma medalha da Cruz Vermelha Brasileira, doada por Oswaldo Coufal. Regulamentadas pelo Decreto-Lei n.º 7.928/1945, essas condecorações estavam “[...] destinadas a premiar serviços prestados à humanidade por intermédio da Sociedade Cruz Vermelha Brasileira”. O objeto é uma Cruz de Distinção, que era entregue a “[...] pessoas ou entidades que, por notórios e constantes serviços prestados, seriam merecedores de prova de reconhecimento” (Art. 6°) ou pessoas e entidades que tivessem auxiliado financeiramente a Sociedade. As condecorações poderiam ser entregues a brasileiros, estrangeiros, civis e militares. A cruz da medalha traz no anverso a inscrição “In pace et in bello caritas” - “Caridade tanto na paz quanto na guerra” e, no verso, “Cruz Vermelha Brasileira” e “1945”.

Imagem: Bárbara Mallmann. Medalha condecorativa - Cruz de distinção da Cruz Vermelha Brasileira, 2026. Acervo do MJJF.

Audiodescrição: Fotografia colorida. Sobre fundo branco, medalha de metal prateado medindo 3,7 por 3,7cm. No centro, a cruz vermelha sobre uma circunferência branca. Ao redor, uma faixa verde com a inscrição em letras prateadas. Duas hastes horizontais e duas verticais partem da circunferência, formando uma cruz branca. Em uma das pontas, fixada por uma pequena argola, uma fita listrada de branco amarelado e vermelho.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Decreto-Lei n.º 7.928, de 3 de setembro de 1945. Institui condecorações destinadas a premiar serviços prestados à humanidade por intermédio da Sociedade Cruz Vermelha Brasileira, considerada de caráter nacional pelo Decreto n. 9.620, de 13 de junho de 1912. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/declei/1940-1949/decreto-lei-7928-3-setembro-1945-416577-publicacaooriginal-1-pe.html.

COMITÊ INTERNACIONAL DA CRUZ VERMELHA. ICRC, © 2026. Disponível em: https://www.icrc.org/pt.

CRUZ VERMELHA BRASILEIRA. CVBRS, © 2021. Disponível em: https://cvbrs.org.br/.

A equipe do Museu Joaquim Felizardo deseja a todos um excelente feriado de Páscoa! Deixamos aqui três cartões produzidos...
02/04/2026

A equipe do Museu Joaquim Felizardo deseja a todos um excelente feriado de Páscoa! Deixamos aqui três cartões produzidos pelo Studio Os2 (1936-1990). Dois deles têm ilustrações de Wolfdietrich Wickert, artista visual e fotógrafo.
🐰🐇🐰


🐰

20/03/2026

Hoje, vamos conhecer um pouco mais sobre as atividades de recuperação do acervo arqueológico atingido pela inundação de 2024, coordenadas pela conservadora-restauradora Susana dos Santos Dode e pela arqueóloga Marcela dos Santos Dode. As estagiárias do Museu - Alana da Rosa, Bárbara Mallmann, Bianca Souza da Silva, Giulia Trindade e Priscila de Oliveira Camargo, juntamente com a bolsista do projeto de extensão do curso de Museologia (UFRGS), Daiane Bitencourt, tem realizado esse trabalho minucioso que envolve protocolos específicos para cada tipologia de acervo.
Nessa primeira parte, vamos acompanhar uma etapa desse processo. No vídeo, as estagiárias do Museu fazem a higienização dos fragmentos que, após a secagem completa, serão etiquetados e reacondicionados. Mas esse vai ser o tema do próximo vídeo…

Vídeo: Priscila de Oliveira Camargo. Atividades de recuperação do acervo arqueológico, 2026.

Descrição do vídeo: No laboratório, as estagiárias Bárbara, Bianca, Giulia e Priscila higienizam fragmentos arqueológicos. Elas retiram os objetos sujos das caixas plásticas; secam com papel toalha os fragmentos lavados; lavam os objetos nas pias, sob água corrente, com uma escovinha. A mão de uma delas puxa a gaveta com fundo de tela repleta de artefatos secando. Ao longo do vídeo, essas ações se repetem.

Hoje, o Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo completa 47 anos de existência. Para nós, esta data representa muito mai...
13/03/2026

Hoje, o Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo completa 47 anos de existência. Para nós, esta data representa muito mais do que o passar do tempo: simboliza a resistência de quem se dedica a preservar a história da nossa cidade e dos cidadãos porto-alegrenses.
São quase cinco décadas enfrentando desafios, superando dificuldades e, muitas vezes, lutando para manter vivas as memórias que contam quem somos. Mas nunca desistimos. Resistimos. Insistimos. E aqui estamos, de portas abertas, prontos para receber cada visitante como parte dessa história que é de todos nós.
Mais do que um espaço de memória, somos um lugar de pertencimento. Um lugar que acolhe a diversidade, atende as demandas da comunidade e busca, a cada dia, ser ponte entre o passado e o presente, preservando a memória e a história de Porto Alegre e de todos os grupos que construíram essa história. Aqui, guardamos não apenas objetos, mas memórias, afetos, lutas e conquistas.
Que possamos em breve implementar todos os projetos, que já estão prontos, esperando por condições para serem executados. Dessa forma, o Museu poderá chegar aos seus 50 anos desempenhando sua principal missão: preservar e difundir a cultura e o conhecimento para todos. Que venham os próximos anos, com novos capítulos para contar e a mesma certeza de que vale a pena lutar por um museu público, que pulsa, resiste e se reinventa!

Imagem 1: Autor desconhecido. Fachada do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo, 2024.
Audiodescrição: À noite, a fachada está iluminada por vários feixes de luz vermelha e amarela que se mesclam em tons alaranjados e rosados. O solar tem uma escada lateral e seis janelas na fachada frontal. O telhado está escuro e vê-se apenas o beiral iluminado. Na frente, parte da magnólia.

Imagem 2: Autor desconhecido. Piquenique no pátio do Museu Joaquim Felizardo, 2016.
Audiodescrição: No jardim do museu, muitas pessoas sentadas no gramado, sobre cangas coloridas. Atrás, algumas pessoas estão de pé. Ao fundo, o verde das árvores.

Imagem 3: Autor desconhecido. Abertura da exposição “Uma Cidade pelas Margens”, 2016.
Audiodescrição: Na sala de exposição de curta duração, quatro mulheres fazem uma selfie. Atrás, uma bandeira do movimento LGBTQIA+, com as cores do arco-íris. Na volta, outras pessoas circulam.

Imagem 4: Joel Vargas. Concerto didático da Banda Municipal de Porto Alegre no Museu Joaquim Felizardo, 2019.
Audiodescrição: No jardim do Museu, um grupo de crianças, de costas, com roupas coloridas, caminha em direção ao portão. À esquerda, a fachada lateral do solar, com paredes brancas e as molduras das aberturas verdes. À direita, árvores, arbustos e folhagens.

Imagem 5: Autor desconhecido. Visita de grupo de pessoas com deficiência visual ao Museu Joaquim Felizardo, sem data.
Audiodescrição: Na sala da exposição de longa duração, uma mediadora guia a mão de uma mulher com deficiência visual pela maquete tátil do solar.

O 8 de março foi oficializado pela ONU, em 1977, como o Dia Internacional da Mulher, data que representa a luta pela rea...
08/03/2026

O 8 de março foi oficializado pela ONU, em 1977, como o Dia Internacional da Mulher, data que representa a luta pela reafirmação e ampliação de direitos sociais, políticos e culturais femininos. Neste dia, ressaltamos a presença das mulheres no esporte, especialmente no futebol. Atualmente, transmissões midiáticas e notícias de jogos da modalidade estão cada vez mais presentes em nossa rotina, assim como a participação das mulheres nesses espaços, não apenas como atletas e torcedoras (sim, por muito tempo as mulheres não foram bem vindas nos estádios), mas também como narradoras, comentaristas e árbitras. Desde os anos 1920 temos referências de partidas de futebol disputadas por mulheres, ainda que a prática não fosse comum. A partir da década de 1940, temos uma mudança no cenário nacional desportivo. Mas qual foi essa alteração? O Decreto-Lei nº 3.199/1941, no artigo 54, vedava às mulheres “[...] a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza [...]”, colocando o futebol nesse grupo de “desportos incompatíveis”, a partir da classificação dos esportes compreendida pela sociedade e pelo governo do Estado Novo (1937-1945), de Getúlio Vargas. Apenas em 1979 esse ato é revogado e, em 1983, a modalidade é regulamentada pela Deliberação n. 01/83 do Conselho Nacional de Desportos, afirmando que “O futebol feminino poderá ser praticado nos Estados, nos Municípios, no Distrito Federal e nos Territórios, [...]”. Desde a legalização, a prática voltou a crescer e a fazer parte da rotina da sociedade brasileira. No Museu, temos alguns registros de partidas de futebol feminino, como essa em que a disputa acontece na orla de Ipanema, em 1997, demonstrando a forte ligação e o contínuo interesse das mulheres pelo jogo das 4 linhas, além do apreço da população pelo esporte. Seguindo essa tradição de vínculo com a modalidade, a capital gaúcha será uma das sedes da Copa do Mundo Feminina FIFA, que será realizada em 2027 no Brasil. As partidas de futebol serão realizadas no estádio Beira-Rio.

Imagem 1: Octacílio Dias. Futebol de areia feminino em Ipanema. Porto Alegre, 1997. Acervo da Comunicação Social do GP.

Audiodescrição: Fotografia horizontal em preto e branco. Em um campo de areia, 4 mulheres disputam a bola. Uma equipe está com o uniforme claro e a outra com o escuro. À esquerda, 2 jogadoras adversárias estão de costas. À direita, as outras atletas rivais estão de frente. Atrás da corda que delimita o campo, o público assiste a partida.

Imagem 2: Reprodução da notícia “Proibido no Rio Grande do Sul o foot-ball feminino”, publicada no Jornal Diário da Noite (RJ), edição 4926, de 27/11/1950.

Imagem 3: Reprodução da Deliberação n.º 01/83 do Conselho Nacional de Desportos.



Referências:
BRASIL. DECRETO-LEI Nº 3.199, DE 14 DE ABRIL DE 1941. Estabelece as bases de organização dos desportos em todo o país.Rio de Janeiro, 1941. Gov.
Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/1937-1946/del3199.htm. Acesso em 04 mar. 2026.

BRASIL. Página 58 da Seção 1 do Diário Oficial da União (DOU) de 11 de Abril de 1983. Jusbrasil. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/diarios/3311099/pg-58-secao-1-diario-oficial-da-uniao-dou-de-11-04-1983. Acesso em 04 mar. 2026.

PROIBIDO NO RIO G. DO SUL O FOOT-BALL FEMININO. Diario da Noite (RJ). Rio de Janeiro, 27 nov 1950. p. 15 Disponível em: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/docreader.aspx?bib=221961_03&pasta=ano%20195&pesq=%22FUTEBOL%20FEMININO%22&pagfis=7197. Acesso em 03 mar. 2026.

Sugestões:
FIFA. Conheça os estádios da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027. FIFA, 7 maio 2025. Disponível em: https://www.fifa.com/pt/tournaments/womens/womensworldcup/brazil-2027/articles/guia-estadios-copa-mundo-feminina-2027. Acesso em: 5 mar. 2026

Telegrama da CBD para entidades gaúchas. A Tribuna (SP). Santos, 22 dez. 1951. Seção Mosaico Esportivo, p. 6. Disponível em:
https://memoria.bn.gov.br/DocReader/docreader.aspx?bib=153931_03&pasta=ano%20195&pesq=%22FUTEBOL%20FEMININO%22&pagfis=11369. Acesso em 03 mar. 2026.

Os clubes sociais negros sempre foram espaços importantes para a mobilização das comunidades, muito além das sociabilida...
03/03/2026

Os clubes sociais negros sempre foram espaços importantes para a mobilização das comunidades, muito além das sociabilidades e do lazer. Um exemplo é a Sociedade Floresta Aurora (SFA), fundada em Porto Alegre em 1872, primeiro clube social negro do Brasil ainda em atividade. Criada antes da Lei Áurea (1888), a sociedade tinha como um de seus fins obter recursos para o sepultamento digno dos escravizados mortos e prestar assistência a seus filhos e viúvas desamparados (Pasuch, 2022). Seus associados, engajados nos movimentos abolicionistas, “[...] organizavam-se para compra de cartas de alforria de seus pares.” (Escobar; Moraes, 2017, p.36). Além do seu caráter beneficente, também se preocupou em desenvolver atividades sociais e culturais. Foi nesse contexto que, mais tarde, surgiu o grupo Teatro Novo, que, com um elenco composto apenas por pessoas negras, apresentou “Orfeu da Conceição”, de Vinícius de Morais, no Theatro São Pedro. Da mesma forma, os bailes (incluindo os de debutantes) e reuniões dançantes embalavam as noites. A Sociedade Floresta Aurora também teve importante participação na história do Carnaval de Porto Alegre, como a fundação do famoso bloco “Os Intocáveis”. Muitas figuras ligadas ao Carnaval eram vinculadas ao Floresta Aurora, como o compositor Wilson Ney. (Pasuch, 2022). Hoje, a SFA está localizada no bairro Belém Velho, e continua sua luta pela permanência em seus espaços, pela liberdade de manifestar a religião e a cultura afrodiaspóricas, bem como pelo reconhecimento como o patrimônio cultural que é para a cidade ao longo de seus mais de 150 anos de existência.
Em uma das fotos do acervo do Museu, durante o lançamento do vídeo “Movimento Negro“ na Sociedade Floresta Aurora, notamos a presença de Oliveira Ferreira da Silveira. Nascido em 1941 em Rosário do Sul, foi poeta, historiador e ativista do Movimento Negro e principal idealizador do 20 de Novembro como Dia Nacional da Consciência Negra.

Fotografia 1: Ivo Gonçalves. Lançamento do vídeo Movimento Negro no Clube Floresta Aurora, 2002. Acervo da Comunicação Social do Gabinete do Prefeito.

Audiodescrição: Fotografia horizontal em preto e branco. Em uma sala do Clube Floresta Aurora, um grupo de pessoas. Todas estão sentadas em cadeiras enfileiradas e os olhares voltados para a esquerda. A plateia é formada, em sua maioria, por pessoas negras. No centro da 2ª fileira, está Oliveira Silveira, homem negro, de cabelos e barba grisalhos, de óculos, camisa social e calça. Ao fundo, uma porta e uma janela fechadas.

Fotografia 2: Ireno Jardim. Jantar na Sociedade Floresta Aurora, 2001. Acervo da Comunicação Social do Gabinete do Prefeito.

Audiodescrição: Foto horizontal colorida. Em um salão, um grupo de pessoas reunidas em um jantar. Em perspectiva, mesas com toalhas brancas, enfileiradas, com pratos, copos e garrafas. Várias pessoas, a maioria delas negras, sentadas ao longo das mesas. Na cabeceira, um homem negro, de pé, de cabelos curtos, camisa amarela e gravata marrom, fala aos convidados. À esquerda, várias cadeiras de plástico brancas, encostadas na parede. Ao fundo, uma pequena mesa com toalha azul, com três pessoas, sentadas à volta, que também olham para o homem que está de pé.



Referências:
ESCOBAR, Giane Vargas. Clubes Sociais Negros: lugares de memória, resistência negra, patrimônio e potencial. Orientador: Júlio Ricardo Quevedo dos Santos. 205 f. Dissertação (Mestrado em Patrimônio Cultural) - Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2010.

ESCOBAR, Giane Vargas; MORAES, Ana Luiza Coiro. Clubes sociais negros: memória e ações para o reconhecimento como patrimônio cultural afro-brasileiro. PAIXÃO, Cassiane de Freitas, LOBATO, Anderson O. C. (orgs.) Os clubes sociais negros no Estado do Rio Grande do Sul. Rio Grande: Ed. da FURG, 2017. Disponível emhttps://ppgdjs.furg.br/images/Paixao2017_Clubes.pdf Acesso em: 25 fev. 2026.

PASUCH, Leticia. Sociedade Floresta Aurora completa 150 anos como referência à comunidade negra. Jornal da Universidade, 17/11/ 2022. Disponível em: Sociedade Floresta Aurora completa 150 anos como referência à comunidade negra - Jornal da Universidade Acesso em: 25 fev. 2026

Os Mbyá Guarani seguem as narrativas míticas para orientar suas ocupações, buscando lugares por onde passaram e/ou viver...
20/02/2026

Os Mbyá Guarani seguem as narrativas míticas para orientar suas ocupações, buscando lugares por onde passaram e/ou viveram seus ancestrais. Assim, estabelecem suas tekoa (local onde se pode viver de acordo com os costumes) em um espaço onde podem desenvolver o mbyá reko ou nhandereko (nosso sistema ou modo de ser) de forma plena. Essa relação com o espaço/território envolve tanto os aspectos ambientais/físicos, quanto sagrados.
A Tekoa Jata’ity, no Cantagalo, desde os anos 90, mantém uma luta constante para garantia de direitos e preservação do território. A presença de não indígenas na área demarcada coloca em risco o espaço e os recursos necessários para sustento e desenvolvimento dos Mbyá Guarani. Entre eles, aqueles provenientes da coleta, prática necessária para confecção de artesanato (uma das principais fontes de renda da comunidade). Outras ameaças, como o projeto para instalação de um aterro sanitário nos arredores da TI Cantagalo, tem mobilizado, desde 2019, a comunidade no sentido de barrar essa proposta que pode gerar sérios problemas ambientais na região. A TI Cantagalo tem sido um dos principais locais para realização de ações culturais e organização política da comunidade indígena da região, sendo palco, por exemplo, do Torneio "Lixão Não é Semente", que denuncia o perigo da construção do aterro. Também em 2025 produziu, em parceria com o joalheiro e escultor Cesar Cony, a exposição de arte “Mbyá Guarani – estamos aqui!”, valorizando a prática artesanal Guarani, buscando promover e dar visibilidade aos grupos indígenas da cidade. A imagem da postagem fez parte da exposição “Passeando pela aldeia Guarani: exposição arqueológica e etnográfica”, realizada no Museu Joaquim Felizardo, em outubro de 1993.

Fotografia: Katya Vietta. “Mutirão para construção de residência" [Comunidade Indígena Guarani do Cantagalo Tekoá Jataí'ty], década de 1990. Acervo MJJF. 7052f.

Audiodescrição: Fotografia horizontal em preto e branco. Em uma clareira, 5 indígenas constroem uma residência. A estrutura é formada por 6 troncos enterrados no chão. No alto, dois indígenas prendem galhos onde será fixada a cobertura de capim. À direita, outro indígena lhes alcança uma corda. À esquerda, os outros dois observam. Todos estão com casaco e calça. Atrás, em meio à neblina, a mata.

Referências:
CORREIO DO POVO. A exposição “Mbyá Guarani – estamos aqui!” será aberta no sábado no Parque Farroupilha. Porto Alegre, 2025.

ROSADO, Rosa Maris; FAGUNDES, Luiz Fernando Caldas (Orgs.).
Presença Indígena na Cidade: reflexões, ações e políticas. Porto Alegre: PMPA/SMDH/Núcleo de Políticas Públicas para Povos Indígenas, 2013.

# TekoáJataí'ty

Para marcar a celebração do Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, no dia 7 de fevereiro, relembramos a exposição “Pa...
06/02/2026

Para marcar a celebração do Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, no dia 7 de fevereiro, relembramos a exposição “Passeando pela aldeia Guarani: exposição arqueológica e etnográfica”, realizada no Museu Joaquim Felizardo, em outubro de 1993. A mostra procurou apresentar a trajetória dos povos originários desde o período pré-colonial até a atualidade, a partir do acervo arqueológico do museu, oriundo de sítios arqueológicos Guarani da região metropolitana de Porto Alegre. Além dos objetos, as fotografias que fizeram parte da exposição, de autoria de Katya Vietta, Ignácio Kunkel e Ivori Garlet, retratavam o cotidiano das comunidades Guarani na Terra Indígena Barra do Ouro Tekoá Nhüu Porã (localizada entre os municípios de Caraá, Riozinho e Maquiné) e na Terra Indígena do Cantagalo, território que se estende entre as cidades de Porto Alegre e Viamão, e abriga duas comunidades Mbyá Guarani, Tekoa Jata'ity e Tekoa Ka'aguy Mirim.
Estudos arqueológicos verificaram que há ocupação indígena, desde, pelo menos, 9 mil anos antes do presente na região onde hoje está Porto Alegre (Fagundes; Rosado, 2013). “Observa-se que as ocupações guarani pré-coloniais conformam um horizonte sócio-cultural e ambiental que atualmente continua sendo palco da territorialidade mbyá-guarani através da presença de inúmeras aldeias e acampamentos nesta área, como é o caso da Aldeia do Cantagalo (Tekoá Jataity) [...]” (Dias; Silva, 2014, p. 84). Apesar da comunidade Mbyá do Cantagalo ter reocupado o território já nos anos 70, foi apenas em 1988, por meio de decreto da Prefeitura de Viamão, que foi reconhecida pelo Estado e, só em 2007, teve a demarcação homologada.

Imagem 1 – Katya Vietta. Confecção de telhado" [Terra Indígena Barra do Ouro Tekoá Nhüu Porã], década de 1990. Acervo MJJF. 7051f.

Audiodescrição: Fotografia horizontal colorida. Em uma área verde, quatro indígenas trabalham na construção de uma casa. Em cima da estrutura do telhado, um indígena sentado, de camiseta e calça, de cabeça baixa, prende feixes de capim seco nos bambus. Dois indígenas de pé, aparecem do joelho para cima, de costas, também prendendo os feixes. O da esquerda está com chapéu de tecido, camiseta azul escuro e calça jeans. À direita, o outro, de camisa azul celeste e calça branca. No canto esquerdo, o quarto indígena aparece da cintura para cima, de costas.

Imagem 2 - Katya Vietta. "Debulhando o milho" [Comunidade Indígena Guarani do Cantagalo "Tekoá Jataí'ty"], década de 1990. Acervo do MJJF. 7061f .

Audiodescrição: Fotografia horizontal colorida. Em uma clareira na mata, crianças e adultos indígenas debulham espigas de milho. Eles estão sentados em círculo no chão de terra batida. Espalhadas ao redor, várias espigas. Atrás, à esquerda, uma habitação com telhado coberto de capim que já está seco e parte que ainda está verde. Próximo à casa, dois meninos de frente. Ao fundo, uma área verde.

Imagem 3: Convite da exposição “Passeando pela aldeia Guarani: exposição arqueológica e etnográfica”, 1993.

Audiodescrição: Frente do convite, com fundo branco e título e subtítulo em letras maiúsculas pretas. À esquerda e no centro, grafismos indígenas; à direita, ilustração de uma peça de cerâmica.

Referências:
DIAS, Adriana Schmidt; SILVA, Sergio Baptista. Arqueologia Guarani no lago Guaíba: refletindo sobre a territorialidade e a mobilidade pretérita e presente. MILHEIRA, Rafael Guedes e WAGNER, Gustavo Peretti (orgs.) Curitiba : Appris, 2014.

ROSADO, Rosa Maris; FAGUNDES, Luiz Fernando Caldas (Orgs.). Presença Indígena na Cidade: reflexões, ações e políticas. Porto Alegre: PMPA/SMDH/Núcleo de Políticas Públicas para Povos Indígenas, 2013.

Então é Natal!... 🎼🎼🎼🎼🎼A equipe do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo deseja a todos que o Natal seja um momento de...
23/12/2025

Então é Natal!... 🎼🎼🎼🎼🎼
A equipe do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo deseja a todos que o Natal seja um momento de encontros cheios de amor e alegria. Agradecemos cada visita, cada curtida, cada comentário e por fazerem parte da nossa história. Vocês dão sentido ao nosso trabalho diário!
Que 2026 venha repleto de inspirações, descobertas e novas histórias novas para contar! ✨🌟✨🌟✨

Audiodescrição
Texto: O Museu Joaquim Felizardo deseja a todos um Feliz Natal e um próspero Ano-Novo!

Imagem: Card retangular que reproduz um envelope aéreo. O fundo é branco e a borda é contornada com pequenas listras diagonais vermelhas e cinzas. No topo, a logomarca do Museu e, à esquerda, ilustração de uma árvore de Natal em tons de verde. Ao lado, o texto e, abaixo, ilustrações da Ponte de Pedra, Usina do Gasômetro, Solar Lopo Gonçalves e Paço Municipal. Distribuídas em todo o cartão, estrelinhas em amarelo-ouro.

Atenção!!! O Museu Joaquim Felizardo estará fechado nos dias 24, 25, 26 e 31 de dezembro e 1º e 2 de janeiro. Retornarem...
22/12/2025

Atenção!!! O Museu Joaquim Felizardo estará fechado nos dias 24, 25, 26 e 31 de dezembro e 1º e 2 de janeiro. Retornaremos às atividades normais na segunda-feira, dia 5 de janeiro de 2026.

Audiodescrição:
Texto: Comunicado importante. O Museu Joaquim Felizardo estará fechado nos dias 24, 25, 26 e 31 de dezembro e 1º e 2 de janeiro. Retornaremos às atividades normais na segunda-feira, dia 5 de janeiro de 2026.
Imagem: sobre fundo branco, no topo, dentro de um retângulo preto, em letras brancas, a palavra comunicado e, dentro de um retângulo vermelho, em letras brancas, importante. Abaixo, as informações em letras pretas.

Hoje é o Dia do Museólogo! O dia 18 de dezembro foi escolhido para a comemoração por ser a data da sanção da Lei n.º 7.2...
18/12/2025

Hoje é o Dia do Museólogo! O dia 18 de dezembro foi escolhido para a comemoração por ser a data da sanção da Lei n.º 7.287, de 1984, que regulamenta a profissão no Brasil.
Ao longo de sua história, o Museu Joaquim Felizardo contou com vários profissionais dedicados e competentes, entre eles alguns museólogos, que muito contribuíram para o aprimoramento da instituição. Entretanto, foi só a partir de 2020, que passou-se a contar com um profissional no quadro permanente, concursado para o cargo, Luciana Brito. Com competência e criatividade, Luciana vem realizando um laborioso trabalho de conservação, exposição, comunicação e acessibilidade do acervo histórico, arqueológico e fotográfico do MJJF, atuando no sentido de, cada vez mais, aproximar o patrimônio da cidade dos porto-alegrenses. Através do reconhecimento do seu trabalho, homenageamos todos os demais profissionais da área que, com sua dedicação, atuam para preservar, divulgar e provocar novas reflexões sobre o patrimônio e a memória coletiva.

Fotografia 1: Henry Rodrigues. Visita de alunos ao Museu com mediação da museóloga Luciana Brito, 2025.
Audiodescrição: Fotografia horizontal colorida. Na sala expositiva, a museóloga Luciana Brito mostra maquete para dois alunos atentos. Ela está de frente para as crianças, de meio perfil, tem cabelos curtos, grisalhos, usa óculos com armação de metal e camiseta branca. Atrás, painel com retrato e árvore genealógica de Lopo Gonçalves.

Fotografia 2: Luciana Brito. Reserva técnica do MJJF, 2024.
Audiodescrição: Fotografia vertical colorida. Dentro do armário deslizante, diversos objetos do acervo organizados em caixinhas brancas e saquinhos transparentes. O armário é de aço, na cor cinza claro e tem várias prateleiras.

Endereço

Rua João Alfredo, 582/Cidade Baixa
Porto Alegre, RS
90050-230

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 13:30 - 17:30
Terça-feira 09:00 - 12:00
13:30 - 17:30
Quarta-feira 09:00 - 12:00
13:30 - 17:30
Quinta-feira 09:00 - 12:00
13:30 - 17:30
Sexta-feira 09:00 - 12:00
13:30 - 17:30

Telefone

+555132898275

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Entre Em Contato Com O Museu

Envie uma mensagem para Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo:

Compartilhar