O conjunto das casas geminadas nº 139 e 141 da Rua da República, em uma das quais f**a a Casa Baka, é patrimônio arquitetônico da cidade de Porto Alegre, listado no EPAHC como prédio potencial para tombamento.
O edifício foi construído em 1931 pelo engenheiro italiano aqui radicado, Armando Boni (1886-1946), conhecido por projetos como o antigo Auditório Araújo Viana (junto à atual Assembleia Legislativa), o Cemitério São Miguel e Almas e pela longa reforma da Livraria do Globo, que ocorreu entre 1917 e 1928. Boni também projetou diversas residências na capital e interior do estado, lecionou na Escola de Engenharia da UFRGS e foi pioneiro no uso do concreto armado na capital gaúcha.
A casa conserva boa parte dos seus elementos originais, como a fachada, azulejos, ladrilhos hidráulicos, portas, a escada, um vitral e elementos decorativos internos.
Baka: estado de centramento atingido pelos sufis através da prática do Sema, dervixe místico, dança rodopiante, normalmente ligado às ordens Mavlevi ou Chishti.
“[...] giram em torno de si mesmos, apoiados no pé direito e em torno do eixo que é o mestre, em uma coreografia que evoca os movimentos dos astros no céu, com seus duplos giros: rotação e translação. O objetivo é alcançar um estado alterado de consciência, transe, que permitiria ao adepto o conhecimento subjetivo da divindade”.
Fundada em 1993, é dessa prática que se origina o nome da antiga 'Casa de Artes Baka', nossa atual 'Casa Baka'.
///
Se durante as primeiras décadas de funcionamento do espaço, é verdade que ele ocupou um lugar bastante importante na cena de dança e teatro de Porto Alegre, é também certo que, já naqueles inícios, comportou uma programação que incluía as chamadas ‘artes plásticas” através de nomes como Carlos Wladimisrky e Rogério Rauber.
A Baka vem funcionando desde 2004 sob a direção do pesquisador em artes visuais Diego Groisman, mas em 2016 sofreu uma repaginação (que começou pela alteração do nome para Casa Baka e implantação de uma nova identidade visual), passando a centrar suas atenções nas artes visuais de forma expandida, através de uma programação que inclui exposições individuais e coletivas de artistas contemporâneos, cursos, oficinas e outros eventos envolvendo o fazer, o pensar e o compartilhar artes, tais como feiras, performances, lançamentos de livros, encontros, conversas e bancas.
Ainda assim, a Casa segue sendo um espaço múltiplo: no andar de baixo, temos as salas de exposição, no andar de cima, funciona a Escola de Música Cidade Baixa (EMCB) e uma sala multiusos climatizada, de 7,5 x 4 metros, com espelho e projetor, que é utilizada, e disponível para aluguel, para aulas e ensaios de dança/teatro e para outros tipos de oficinas e encontros. Desde o início de 2019, também habitam a Casa o Coletivo Cardume, o designer e artista Caio Mascarello e a tatuadora Ingrid Vanmall com seus respectivos ateliês.
A Casa Baka é um espaço gestionado de forma independente. Somos uma pequena equipe que se reveza em tarefas várias e escala colaboradores eventuais para que o projeto siga adiante e se conecte cada vez mais com nossa cidade, suas demandas e ofertas artístico-culturais, buscando seu lugar como ponte de encontro. Abrimos nossas portas para propostas e a partir disso pensamos com cuidado as direções que desejamos seguir, pois não no interessa ser mais um espaço reiterativo de fórmulas prontas. O sistema das artes que nos motiva é aquele que abre brechas para acontecimentos, percepções e questionamentos que levam a pensamentos críticos não apenas sobre arte, mas sobretudo vida. Buscamos (ser) cabeças, ouvidos e olhos abertos!
Equipe 2019:
Diretor: Diego Groisman
Corpo curatorial e de projetos: Charlene Cabral e Diego Groisman
Comunicação: Charlene Cabral
Assistente geral e de montagem: Anderson Farias