01/05/2026
Nesse dia DE QUEM TRABALHA, e não do Trabalho como abstração, não há nada que comemorar, além de nossa sobrevivência. Não há nada a perder, a não ser nossos grilhões.
Aqui não há ode ao trabalho, pelo contrário, preguiçosamente recompartilhamos trechos do Manifesto contra o trabalho, do grupo Krisis*:
“Desde os dias da Reforma, todas as forças basilares da modernização ocidental pregaram a santidade do trabalho. Principalmente durante os últimos 150 anos, todas as teorias sociais e correntes políticas estavam possuídas, por assim dizer, pela idéia do trabalho. Socialistas e conservadores, democratas e fascistas combateram até a última gota de sangue, mas, apesar de toda a animosidade, sempre levaram, em conjunto, sacrifícios ao altar do deus-trabalho. ‘Afastai os ociosos’, dizia o Hino Internacional do Trabalho – e ‘o trabalho liberta’ ecoava aterrorizantemente sobre os portões de Auschwitz.”
“Trabalho não é, de modo algum, idêntico ao fato de que os homens transformam a natureza e se relacionam através de suas atividades. Enquanto houver humanidade, construirão casas, produzirão vestimentas, alimentos, tanto quanto outras coisas, criarão filhos, escreverão livros, discutirão, cultivarão hortas, farão música etc. Isto é banal e se entende por si mesmo. O que não é óbvio é que a atividade humana em si, o puro ‘dispêndio de força de trabalho’, sem levar em consideração qualquer conteúdo e independente das necessidades e da vontade dos envolvidos, torne-se um princípio abstrato, que domina as relações sociais.”
“Não só porque eles precisam obrigatoriamente se vender só para “poder” viver, mas porque eles se identif**am realmente com a sua existência limitada. Para sociólogos, sindicalistas, sacerdotes e outros teólogos profissionais da “questão social”, este fato é a comprovação do valor ético-moral do trabalho. Trabalho forma a personalidade. É verdade. Isto é, a personalidade de zumbis da produção de mercadorias, que não conseguem mais imaginar a vida fora de sua Roda-Viva fervorosamente amada, para a qual eles próprios se preparam diariamente.”
[*teóricos alemães que se juntaram na década de 1980 para criticar o capitalismo pra além do marxismo tradicional]