AfrontArt Quilombo Digital de Artes

Na Afrontart, chamamos nosso processo interno de Gestão Criativa porque não dissociamos produção de criação. Produzir nã...
23/03/2026

Na Afrontart, chamamos nosso processo interno de Gestão Criativa porque não dissociamos produção de criação. Produzir não é apenas executar, é decidir caminhos de materialização. Toda criação já nasce atravessada por perguntas de viabilidade, contexto e realização. Sonho e estrutura caminham juntos. Resolver questões de produção exige inventividade; e criar exige considerar montagem, circulação, desmontagem e todos os atravessamentos concretos da obra ou do projeto.

Tempo, orçamento, espaço, equipe, cronograma, condições técnicas e institucionais - Cada escolha molda o resultado. Um projeto curatorial é feito de camadas e cada decisão altera ritmo, escala, linguagem e experiência do público. Produção é também edição de possibilidades.

Antes que uma obra encontre o público, existe um campo invisível de negociação e sustentação: mediação entre artistas, equipes técnicas, instituições, patrocinadores, exigências jurídicas, contábeis. Esse trabalho não aparece, mas é determinante para que o projeto exista com consistência e integridade.

Produzir é garantir que todos os profissionais envolvidos tenham condições reais de exercer suas funções com dignidade e clareza. Planejamento, antecipação e organização são formas de cuidado. Isso não elimina imprevistos, mas cria estrutura para atravessá-los com responsabilidade.

Quando a produção é pensada desde o início junto com a criação, o projeto nasce coerente entre desejo e realização. Estratégia e imaginação deixam de competir e passam a operar juntas. O resultado é mais consistente, sustentável e potente.

Os dados revelam uma fragilidade estrutural do campo artístico brasileiro - no Brasil, viver exclusivamente da prática a...
17/03/2026

Os dados revelam uma fragilidade estrutural do campo artístico brasileiro - no Brasil, viver exclusivamente da prática artística ainda é exceção, não regra.

A pesquisa evidencia que a produção artística é sustentada por múltiplas frentes de trabalho. Lecionar, produzir, prestar serviços, atuar em projetos paralelos: a criação convive permanentemente com a necessidade de sobrevivência e viabilização.

O artista visual, na prática, é um trabalhador multifuncional inserido em um sistema instável, para a grande maioria, com renda fragmentada e fluxos irregulares. Isso exige organização, planejamento e compreensão das dinâmicas que estruturam o mercado.

É nesse ponto que a discussão sobre formalização e institucionalização, Pessoa Física e Pessoa Jurídica, ganha centralidade. Não se trata apenas de pagar menos imposto, mas de entender como o enquadramento burocrático e fiscal impacta o acesso a editais, contratos, emissão de nota, previdência, crédito e sustentabilidade de longo prazo.

Formalização, controle financeiro e gestão não são etapas burocráticas externas à criação. São parte da infraestrutura que permite que a produção artística exista com continuidade.

Profissionalizar não significa perder autonomia, significa ampliar margem de decisão dentro de um sistema que já opera com regras próprias.

Fonte: Guia do Artista Visual - Capítulo Operacionalização (Pessoa Física x Pessoa Jurídica), p. 96–102.

O pensamento curatorial, para a Afrontart, não se reduz à seleção de obras ou à organização temática de projetos. Trata-...
27/02/2026

O pensamento curatorial, para a Afrontart, não se reduz à seleção de obras ou à organização temática de projetos. Trata-se de uma prática situada, que parte do território como produtor de sentido e reconhece que toda articulação estética é também uma decisão política.

Quando a curadoria se orienta por contextos vivos, ela deixa de operar sobre categorias abstratas e passa a construir relações concretas entre artistas, instituições, públicos e histórias. É nesse movimento que curar se torna estruturar contexto: redistribuir centralidades, reposicionar narrativas e tensionar hierarquias históricas do sistema da arte.

A mediação, nesse campo, não busca neutralizar conflitos, mas sustentar o dissenso de forma ética e visível. Conectar linguagens distintas não implica homogeneizar discursos, e traduzir não significa simplificar. Ao contrário, exige preservar densidades simbólicas, históricas e territoriais, especialmente em práticas negras e originárias.

Mais do que promover visibilidade, a curadoria cria condições de existência: assegura tempo de pesquisa, estrutura adequada, negociação justa e circulação responsável. É assim que o campo se expande — não apenas pela inclusão de novas vozes, mas pela reorganização das estruturas que definem quem pode falar, ocupar e permanecer.

A economia criativa ocupa hoje um papel estratégico no desenvolvimento econômico ao integrar cultura, inovação e tecnolo...
11/02/2026

A economia criativa ocupa hoje um papel estratégico no desenvolvimento econômico ao integrar cultura, inovação e tecnologia como motores de geração de trabalho, renda e novos modelos produtivos. Mais do que um setor isolado, ela atravessa diferentes áreas da economia, reorganiza cadeias de valor e amplia formas de circulação do conhecimento e da produção simbólica.

Segundo o relatório Economia Criativa (FGV / SESI, 2024), a criatividade deixou de ser um atributo periférico para se tornar infraestrutura: um campo capaz de articular desenvolvimento econômico, inovação social e transformação dos modos de trabalho, especialmente em contextos urbanos e digitais.

Para a Afrontart, pensar economia criativa é reconhecer a arte como trabalho, estratégia, política pública, inovação e tecnologia. É afirmar que práticas artísticas negras e indígenas não operam à margem da economia, mas são parte ativa da construção de um mercado mais diverso, sustentável e comprometido com outras formas de desenvolvimento.

Leia, Economia Criativa — FGV / SESI, 2024

O Guia do Artista Visual reconhece que a formação artística não se restringe ao percurso universitário. Cursos livres, w...
06/02/2026

O Guia do Artista Visual reconhece que a formação artística não se restringe ao percurso universitário. Cursos livres, workshops, residências, projetos coletivos e experiências práticas são compreendidos como dimensões legítimas e fundamentais da construção profissional do artista, especialmente em contextos marcados por desigualdade de acesso às instituições formais.

Ao mapear a formação, o documento orienta que o artista considere todas as instâncias onde conhecimento, prática e reflexão foram produzidos, incluindo espaços independentes, iniciativas autônomas, coletivos, ateliês compartilhados e programas de formação não acadêmicos. Esses percursos revelam modos de aprendizagem situados, muitas vezes conectados a territórios, comunidades e saberes que não passam pelo circuito universitário tradicional.

O Guia também destaca que workshops, cursos livres e programas de curta duração contribuem para a ampliação técnica, conceitual e crítica do trabalho, além de favorecerem redes de contato e inserção profissional. Residências artísticas, por sua vez, são apontadas como experiências formativas centrais, pois articulam pesquisa, produção, troca e imersão em novos contextos culturais e sociais.

Projetos coletivos, exposições independentes, grupos de estudo e ações colaborativas também integram esse campo formativo. O documento reconhece que essas experiências constroem repertório, prática discursiva e posicionamento no sistema da arte, mesmo quando não resultam em títulos formais.

Ao registrar a formação no currículo, o Guia orienta que o artista organize essas experiências de forma clara e estratégica, selecionando aquelas que dialogam diretamente com sua pesquisa e trajetória. A formação, nesse sentido, não é apenas uma lista de certificados, mas um campo vivo de aprendizado contínuo, atravessado por contexto, acesso e escolha.

Iniciamos o ano dando continuidade a um trabalho que exige método, responsabilidade e posicionamento. A atuação da Afron...
21/01/2026

Iniciamos o ano dando continuidade a um trabalho que exige método, responsabilidade e posicionamento. A atuação da Afrontart segue orientada pela articulação da cadeia produtiva das artes visuais negras e originárias, pela criação de condições concretas de profissionalização, circulação e monetização, e pela incidência crítica nos sistemas da arte.

Desejamos que este seja um período de fortalecimento coletivo, no qual artistas, curadores, pesquisadores e agentes culturais possam ampliar redes, consolidar processos e transformar encontros em práticas sustentáveis, com impacto real sobre trajetórias, territórios e economias culturais.

Um movimento que parte do Brasil, se expande pela América Latina e se conecta às dinâmicas do Sul Global, afirmando alianças, trocas e modos de existência que reposicionam a produção artística fora dos eixos hegemônicos.

AFRONTART INDICA I Como construir a estrutura de um portfólio artísticoEscrever sobre o próprio trabalho é situar a sua ...
17/12/2025

AFRONTART INDICA I Como construir a estrutura de um portfólio artístico

Escrever sobre o próprio trabalho é situar a sua prática no campo da arte contemporânea, explicitar intenções e tornar sua pesquisa compreensível para quem ainda não conhece sua trajetória. Um texto autoral apresenta o que a imagem sozinha não dá conta: processos, escolhas, materiais, contextos, influências e modos de fazer.

Esse texto é também um instrumento de circulação profissional: ele acompanha candidaturas para residências, prêmios, editais, exposições, além de fortalecer a comunicação com curadores, galerias, jornalistas e instituições. Escrever é, ao mesmo tempo, exercício de reflexão e construção de discurso.

O currículo, por sua vez, organiza o percurso: formação, exposições, projetos, residências, prêmios e publicações. Ele muda conforme a fase da carreira e conforme o objetivo de cada envio, sempre com clareza, veracidade e recorte estratégico.

Estruturar texto, portfólio e currículo não é apenas uma etapa técnica, é um gesto de autonomia, profissionalização e disputa de lugar no sistema da arte, especialmente para artistas negros, indígenas e dissidentes.

fonte: guia do artista visual — unesco / minc
foto capa: Abdias do Nascimento e o Museu de Arte Negra (Inhotim)

Últimos dias para visitar Indomináveis Presenças no CCBB Rio de Janeiro.A exposição, que passou por Brasília e São Paulo...
27/06/2025

Últimos dias para visitar Indomináveis Presenças no CCBB Rio de Janeiro.
A exposição, que passou por Brasília e São Paulo, encerra sua temporada no dia 30 de junho, marcando o fim de um percurso que percorreu três capitais brasileiras.

Com curadoria de Luana Kayodé e Cíntia Guedes, a mostra reune mais de 100 obras de 16 artistas visuais, além de textos-manifestos e trilha sonora original. Uma presença coletiva que reafirma o protagonismo de artistas LGBTQIAPN+, negros e indígenas nas artes visuais brasileiras.

Entre imagens, vozes e presenças, a repercussão de Indomináveis Presenças também chegou à imprensa, ocupando diferentes espaços de mídia e ampliando o alcance de suas proposições políticas e estéticas.

Visitação gratuita, de quarta a segunda, das 9h às 20h. Ingressos em bb.com.br/cultura ou na bilheteria.

Indomináveis Presenças entra em sua última semana de visitação no CCBB Rio de Janeiro.Depois de passar por Brasília e Sã...
24/06/2025

Indomináveis Presenças entra em sua última semana de visitação no CCBB Rio de Janeiro.

Depois de passar por Brasília e São Paulo, a exposição segue provocando reflexões sobre memória, presença e transformação no centro do Rio, reunindo mais de 100 obras de artistas negres, indígenas, travestis e não-bináries de diferentes territórios do Brasil.

Ainda dá tempo de conferir. Visitação gratuita até 30 de junho, de quarta a segunda, das 9h às 20h. Classificação livre. Ingressos disponíveis em bb.com.br/cultura ou na bilheteria do CCBB RJ.

“Indomináveis Presenças” é apresentada pelo Ministério da Cultura por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e do Banco do Brasil. Patrocínio: Banco do Brasil. Uma realização Afrontart, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Carrossel com imagens de pessoas admirando as obras expostas dentro do Pavilhão de Vidro do CCBB Brasília

Endereço

Rua Primeiro De Março, 66 - Centro
Rio De Janeiro, RJ
20010-000

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