Meninas com Ciência - Museu Nacional/UFRJ

Meninas com Ciência - Museu Nacional/UFRJ Meninas com Ciência , é um projeto gratuito do Museu Nacional (UFRJ), voltado para meninas meninas de 11 a 15 anos, do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental.

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13/11/2025

No século XIX, quando o Brasil ainda lutava para abolir a escravidão e as mulheres eram silenciadas pela lei e pela sociedade, Eufrásia Teixeira Leite ousou fazer o impensável: desafiou o Império, venceu na Bolsa de Valores e morreu bilionária.

Nascida em Vassouras (RJ), no coração da aristocracia cafeeira, Eufrásia cresceu cercada de luxo, mas também de expectativas limitadas. Perdeu os pais cedo e herdou, ao lado da irmã, uma das maiores fortunas do país. No entanto, o que ela fez com essa herança a transformou em uma lenda esquecida.

Com apenas 22 anos, Eufrásia tomou uma decisão que escandalizou a elite: vendeu todas as suas terras e deixou o Brasil. Seu destino era Paris — não para viver entre salões de baile, mas para se tornar algo praticamente inédito para uma mulher da época: uma investidora internacional.

Enquanto a maioria das mulheres era educada apenas para o casamento, Eufrásia estudava finanças, economia e política. Lia jornais econômicos diariamente, acompanhava o mercado e aplicava com precisão cirúrgica em ferrovias, indústrias e bancos. Em plena Segunda Revolução Industrial, ela apostava em progresso e inovação — e transformava essas apostas em lucros gigantescos.

Em pouco tempo, Eufrásia construiu uma fortuna que, atualizada para os dias de hoje, superaria 1 bilhão de reais. Rica, independente e livre, ela viveu segundo suas próprias regras. A sociedade da época não sabia como lidar com uma mulher que dominava o mundo das finanças com a frieza de um banqueiro e a ousadia de uma visionária.

Mas o seu legado não se resume ao dinheiro.
Ao morrer, aos 80 anos, Eufrásia doou quase toda a sua fortuna para causas sociais e educacionais em sua cidade natal. O dinheiro que um dia serviu para construir impérios financeiros passou a construir escolas, hospitais e oportunidades.

Eufrásia Teixeira Leite não teve filhos, mas deixou gerações de brasileiros beneficiados por sua generosidade.

O mais surpreendente?
Quase ninguém conhece seu nome.

Em um país que raramente celebra suas mulheres pioneiras, a história de Eufrásia é um lembrete poderoso: enquanto muitos acumulam riqueza, poucos a transformam em legado.

Hoje, ela ressurge como símbolo da inteligência financeira feminina, da liberdade conquistada pela coragem e da força de quem decide escrever sua própria história — mesmo quando o mundo inteiro diz que não pode.

12/06/2025

Em 1607, na cidade de Colônia, nasceu uma menina que ousaria desafiar — em silêncio, mas com firmeza — todas as convenções impostas às mulheres de sua época. Seu nome era Anna Maria van Schurman.

Aos três anos, lia com fluência. Aos onze, já dominava o latim e citava Sêneca com a naturalidade de quem nascera entre filósofos. Seu apetite pelo saber era insaciável: mergulhou no hebraico, árabe e aramaico, estudou teologia, matemática, astronomia e arte com igual paixão.

Num mundo que esperava das meninas apenas silêncio, casamento e bordados, Anna ousava pensar, questionar e aprender. Felizmente, seu pai acreditava em seu intelecto — assim como os poucos estudiosos que tiveram o privilégio de conhecê-la. Ao se mudar com a família para Utrecht, atraiu a atenção da universidade local. Mas havia um obstáculo intransponível: mulheres não podiam estudar ali.

A solução foi insólita — e reveladora. Anna poderia assistir às aulas, contanto que ficasse oculta atrás de uma cortina, para não “distraí-los”. Ela aceitou. E do outro lado do véu, aprendeu tudo.

Não satisfeita, Anna escreveu uma dissertação em latim que atravessou fronteiras: um manifesto poderoso defendendo o direito das mulheres à educação igual à dos homens. Suas palavras chegaram até Descartes. As cartas começaram a chegar. E Anna? Tornou-se o eco de todas as vozes femininas que haviam sido silenciadas.

Mais tarde, recusou os holofotes e escolheu viver numa comunidade radical, onde homens e mulheres eram tratados como iguais. Trocou fama por convicção, conforto por fé e filosofia compartilhada. Chamaram-na de sonhadora. Mas ela permaneceu firme.

Anna Maria van Schurman não foi apenas a “Estrela de Utrecht”. Foi uma força intelectual, artística e moral. Sua vida é prova de que os tetos de vidro nem sempre se rompem com ruído — às vezes, é o brilho silencioso de uma mente indomável que abre as primeiras rachaduras.

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02/06/2025

A MULHER QUE DERROTOU 59 HOMENS E PROCESSOU A NETFLIX POR 5 MILHÕES DE DÓLARES

Conheça Nona Gaprindashvili — a verdadeira rainha do xadrez, cuja história a Netflix tentou apagar.
Enquanto O Gambito da Rainha encantava o mundo com a fictícia Beth Harmon, a plataforma desmerecia, numa única frase, uma lenda real: “ela nunca enfrentou homens”.
Mas a verdade? Nona fez muito mais do que isso.
• Em 1962, tornou-se a primeira mulher da história a receber o título de Grande Mestre Internacional.
• Derrotou 59 homens em partidas simultâneas, incluindo 28 Grandes Mestres.
• Venceu cinco campeonatos mundiais femininos consecutivos — um feito inédito até hoje.
• Recusou disputar o campeonato mundial absoluto quando o regime soviético a proibiu de levar seu filho.
• Aos 79 anos, conquistou o ouro no Campeonato Mundial de Equipas Seniores, provando que o talento não envelhece.

Em 2022, aos 80 anos, Nona moveu um processo contra a Netflix por difamação — e venceu.
A gigante do streaming teve de se retratar publicamente, reconhecer seu erro e pagar.
Mas quantos ouviram essa história?

Durante décadas, o mundo do xadrez tentou diminuí-la. Ela respondeu do jeito mais silencioso e implacável possível: com vitórias.
O seu legado hoje é tão grande que eclipsa qualquer ficção.

Da próxima vez que assistires O Gambito da Rainha, lembra-te:
Antes de Beth Harmon, existiu Nona. E ela não jogava xadrez. Ela o redefiniu.

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28/05/2025

A mulher que desafiou a lógica... e a toda uma época

Marie-Sophie Germain nasceu em 1 de abril de 1776, em Paris ainda abalada pelas luzes do Iluminismo... mas cego para o talento feminino.

Desde pequena, Sophie não encontrou estímulos para estudar matemática. Pelo contrário: Matemática, segundo a sociedade, era coisa de homem. Para as mulheres, eram publicados textos como “Newtonianismo para damas”, onde os princípios do universo eram explicados com metáforas amorosas entre marquesas e galãs. Mas a Sophie não queria namoriscar filosóficos. Queria verdades.

E encontrou-a num livro que não era dirigido a ela: História da Matemática, de Montucla. Quando leu sobre Arquimedes — absorto no seu trabalho, assassinado por não atender um legionário romano —, algo mudou para sempre. Ficou obcecado com números. Com os limites. Com o infinito.

Os pais tentaram impedi-la: apagavam-lhe as velas, escondiam-lhe as roupas para que ela não pudesse estudar à noite, negavam-lhe aquecimento em pleno inverno. Mas a Sophie não parou. Aprendeu sozinha. Ele devorou os tratados de Newton e Euler. E quando o mundo não abriu as portas para ele... forçou-as.

Matriculou-se na École Polytechnique — a melhor escola de ciências da França — sob um nome falso: Antoine-August Le Blanc. Ninguém reparou. Seus exercícios destacaram tanto que chamaram a atenção do próprio Joseph-Louis Lagrange, que queria conhecer o brilhante aluno. Quando ela descobriu que por detrás do pseudônimo estava escondida uma jovem autodidata, não só não a censurou: tornou-se seu mentor.

Foi assim que a Sophie entrou nos labirintos da teoria dos números. Sua maior contribuição foi fundamental para o desenvolvimento do último teorema de Fermat: descobriu um tipo especial de números primos, que hoje levam seu nome: os números primos de Germain.

Quando precisou validar suas ideias, escreveu ao maior matemático vivo, Carl Friedrich Gauss. Mas eu tinha medo de não ser levada a sério... então ele voltou a assinar como Le Blanc.

Na sua carta, ele escreveu com timidez:

"A profundidade do meu intelecto não está à altura da voracidade do meu apetite... "

Mas Gauss respondeu com admiração:

"Ainda bem que a aritmética encontrou em você um amigo tão dotado. "

E quando descobriu que era uma mulher, escreveu algo que merece ser lembrado para sempre:

"Quando uma pessoa que, segundo nossos preconceitos, deveria encontrar obstáculos infinitos, consegue penetrar nos aspectos mais obscuros da ciência... deve possuir coragem suprema, talentos extraordinários e um génio superior. "

Sophie Germain não foi admitida nas academias que ela própria engrandeceu. Mas seu nome ficou gravado onde importa: nos livros, nos teoremas... e na história daqueles que não se resignam.

Porque o génio, como os números, não tem gênero. Apenas vontade. E a sua... era infinita.

27/05/2025

》ELA TRANSFORMOU A DOR EM UMA INVENÇÃO QUE SALVOU MILHARES DE VIDAS – A HISTÓRIA DE MARTHA COSTON

Em um mundo onde as mulheres mal tinham o direito de falar, ela ousou inventar.
Não por escolha. Mas por necessidade. Por sobrevivência.
E por um legado que atravessaria gerações.

Martha Coston nasceu em 1826, nos Estados Unidos, em uma época em que o destino das mulheres era escrito por homens. Casou-se ainda adolescente com Benjamin Franklin Coston, um químico brilhante e oficial da Marinha americana. Mas o que parecia um começo promissor se transformou em tragédia.

Seu marido morreu jovem, intoxicado pelos próprios experimentos químicos. Aos 21 anos, Martha era viúva. Sem renda. Com quatro filhos pequenos para sustentar. E sem qualquer formação científica.

Mas ela não se curvou.

Vasculhando os antigos cadernos do marido, Martha encontrou anotações sobre um sistema de comunicação noturna entre navios usando sinalizadores coloridos. A ideia era boa — genial, até — mas incompleta.

Ela então fez o impensável: assumiu o projeto do marido e passou dez anos lutando para transformá-lo em realidade. Estudou, falhou, recomeçou. Enfrentou o preconceito, o descrédito e a rejeição. Trabalhou com químicos, negociou com investidores e lutou para proteger sua invenção em um mundo dominado por homens.

Em 1859, obteve a patente de um sistema revolucionário de sinalização marítima noturna: as “Bengalas Coston”. Um código de cores que permitia que navios se comunicassem à distância — essencial para salvamentos, manobras táticas e navegação noturna.

Poucos anos depois, durante a Guerra Civil Americana, sua invenção se tornaria vital para a Marinha dos Estados Unidos.
Muitos navios foram salvos. Milhares de vidas foram preservadas.
E tudo isso graças à coragem de uma mulher que se recusou a desaparecer na dor.

Ela fundou sua própria empresa, vendeu sua invenção para governos e tornou-se uma das poucas mulheres inventoras reconhecidas no século XIX.

Martha Coston não foi apenas uma inventora.
Ela foi uma pioneira. Uma sobrevivente. Uma visionária.

Seu nome ainda é pouco lembrado, mas sua contribuição à segurança marítima é imensurável.
Hoje, muito da comunicação naval moderna ainda se apoia nos princípios que ela ajudou a estabelecer.

História não é feita só por reis e generais.
Às vezes, ela é escrita por uma mãe desesperada,
armada apenas com papel, coragem e fogo.

História não é feita só por reis e generais.
Às vezes, ela é escrita por uma mãe desesperada,
armada apenas com papel, coragem e fogo.

17/05/2025

Dizem que mulher e piano são feitos para a sala de visitas. Mas eu nasci para o palco. E fiz da minha vida uma partitura de liberdade.
Não se iluda com os laços do vestido que eu usava quando menina. Por trás deles, pulsava uma alma inquieta, apaixonada pela música e pela justiça. Desde cedo, entendi que eu não seria uma mulher comum. A música não era passatempo — era o meu chamado.
Nasci Francisca Edwiges Neves Gonzaga, em 1847, numa sociedade que decidia por nós: quando falar, quando calar, quando casar. Casei cedo, como queriam. E quase apaguei minha luz por isso. Mas houve um dia… um único dia em que eu olhei para aquele piano proibido, fechei a porta da casa e abri a da minha liberdade. Deixei para trás um marido autoritário — e com ele, a reputação, os bens, e os filhos que fui forçada a abandonar. A dor de uma mãe nunca passa… mas também nunca apaga o fogo de uma mulher que escolhe viver sua verdade.
Fui julgada. Ridicularizada. Chamada de indecente, de desonrada. Imagine, uma mulher compondo para o teatro de revista! Sentada em cafés, circulando com músicos e artistas como se fosse uma deles. Mas eu não era "uma deles". Eu era a primeira. A primeira mulher a viver de música no Brasil. A primeira a assinar uma partitura. A primeira a romper com a espera e fazer a própria história.
Não fui só música. Fui luta. Lutei pela abolição dos escravos, pelo direito de votar, pela liberdade de amar e existir sem pedir licença. Fui feminista antes que essa palavra existisse. Fundadora da primeira sociedade de direitos autorais do país — porque eu sabia que talento também merece respeito.
A vida não me foi leve, mas foi minha. Cada nota que escrevi, cada marcha que compus, cada escândalo que provoquei — tudo foi escolha. Tudo foi entrega.
"Ô Abre Alas que eu quero passar", eu escrevi para o carnaval, mas escrevi também para mim. Abri alas para seguir em frente, para cantar mais alto, para viver do meu jeito. E se você me lê agora, talvez seja porque, em algum lugar do tempo, essa porta também se abriu para você.
Não se cale. Não se encolha. Não aceite a partitura que escreveram pra sua vida. Reescreva. Regue sua coragem. E toque sua própria canção.
- Francisca

08/05/2025

Vês esta mulher? Ela foi zombada, criticada, humilhada e desprezada... só por ter nascido MULHER.

O nome dela era Grazia. Grazia Deledda
Uma jovem da Sardenha, criada entre as montanhas de Nuoro, numa terra onde as meninas eram ensinadas a costurar, não a sonhar.
Aos nove anos teve que deixar a escola — porque estudar, para uma menina, “não era necessário”.

Mas Grazia não desistiu.

Continuou estudando secretamente, alimentando sua mente com livros e sua alma com palavras.

Quando adolescente, publicou sua primeira história em uma revista.
Para ela foi felicidade.
Para o povo — escândalo.
Escrever? Uma mulher? Que vergonha!
Os vizinhos murmuravam, o padre desaprovava, até a família lhe virava as costas.
Uma mulher, diziam, devia cuidar da casa, não escrever romances.

Mas Grazia era feita de outra matéria: perseverança.
Escrevia à noite, quando todos dormiam, preenchendo o silêncio da vida.

Anos mais tarde, ela mudou-se para Roma com um homem que acreditou nela mais do que ninguém: Palmiro Madesani.
Não foi um amor qualquer.
Palmiro não foi apenas seu marido: foi seu escudo, seu apoio, seu impulso.
Quando o mundo zombou deles — uma escritora e um homem que a apoiava — eles respondiam com o silêncio de quem sabe para onde vai.

Grazia continuou contando histórias de mulheres fortes e frágeis, de homens perdidos, de terras duras como sua própria alma.
E um dia, após anos de esforço, o mundo ouviu-a.

Era 1926.
Grazia Deledda, "a pequena mulher sarda" com apenas educação básica,
ganhou o Prêmio Nobel de Literatura.

E quando subiu ao palco, não o fez sozinha.
Ao seu lado, de mãos dadas, estava Palmiro — o homem que soube amá-la sem medo.

Porque amar de verdade é isso:
segurar quando todos te mandam largar.

E a ti, Grazia.
Obrigado.
Por nos ensinar que ser mulher não é uma fraqueza.
É uma força que ilumina o mundo.

07/03/2025

O projeto de extensão Meninas com Ciência existe graças ao amor, força e determinação de uma equipe de grandes mulheres. Agradecemos a todas vocês do Museu Nacional/UFRJ, servidoras e estudantes, que tornam a sua realização possível. Também agradecemos às nossas parceiras externas, as trabalhadoras da Shell Brasil Petróleo que estiveram firmes conosco nesse período, as professoras da rede pública, as profissionais da AB Arqueologia, as pesquisadoras de outras instituições e as nossas novas companheiras da Petrobras, vocês enriquecem a nossa caminhada e fortalecem o projeto.

Desejamos a todas as mulheres muita coragem para enfrentar as mazelas deste nosso sistema tão injusto e que todas nós, unidas, consigamos abrir um pouco mais os caminhos para as nossa meninas.

A luta continua!

07/03/2025

Endereço

Quinta Da Boa Vista
Rio De Janeiro, RJ
20940040

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:00 - 17:00
Terça-feira 09:00 - 17:00
Quarta-feira 09:00 - 17:00
Quinta-feira 09:00 - 17:00
Sexta-feira 09:00 - 17:00
Sábado 09:00 - 17:00
Domingo 09:00 - 17:00

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