10/05/2026
Coluna da Direção | Mães cientistas
Hoje, o Museu Nacional presta homenagem às mulheres que constroem conhecimento enquanto sustentam vidas, afetos e futuros. Às mães que fazem da ciência um espaço de descoberta, resistência e transformação.
Ser mãe e cientista no Brasil é viver entre laboratórios e urgências, entre artigos e noites sem dormir, entre a dedicação à pesquisa e o peso invisível do cuidado. É enfrentar jornadas triplas em um sistema que historicamente pouco reconhece as especificidades da maternidade na vida acadêmica e científica.
Muitas precisaram escolher entre a ciência e a presença junto aos filhos. Ou viram suas carreiras desacelerarem diante da maternidade. Em um ambiente ainda marcado por desigualdades de gênero, ser mãe pode significar ter menos oportunidades, menor produtividade exigida sem contexto e uma cobrança constante para provar competência onde deveria existir acolhimento.
Ainda assim, são mulheres que seguem produzindo ciência de excelência. Transformam os ambientes acadêmicos e científicos em espaços mais humanos, plurais e sensíveis. Investigam o passado enquanto constroem um futuro mais justo para as próximas gerações.
Políticas de extensão de bolsas por licença-maternidade, discussões sobre produtividade acadêmica com recorte de gênero, criação de espaços de acolhimento e maior visibilidade para a maternidade na ciência representam o início de conquistas fundamentais. São passos importantes, frutos da mobilização de pesquisadoras que se recusaram a aceitar o silêncio e a invisibilidade.
É preciso ainda garantir condições reais de permanência e crescimento para mães na ciência. É necessário ampliar políticas institucionais de cuidado, combater desigualdades estruturais e reconhecer que apoiar mães pesquisadoras não é um favor: é um compromisso com a própria produção do conhecimento e com o futuro da ciência brasileira.
Que nenhuma mãe precise escolher entre cuidar de seus filhos e continuar fazendo ciência.
E que a ciência brasileira seja um espaço onde mães possam existir plenamente, com dignidade, reconhecimento e oportunidade.
Juliana Sayão
Mãe da Betina e vice-diretora do MN/UFRJ
Tia do Arthur, do Theo e da Mikaela