13/05/2026
[Lima Barreto]
13/05/1881
01//11/1922
“Afonso Henriques de Lima Barreto (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1881 - idem,1922). Romancista, contista, cronista e jornalista. Definida pelo próprio autor como "militante", sua obra está quase inteiramente voltada para a investigação das desigualdades sociais e da hipocrisia e falsidade dos homens. Com frequência adotando a ironia, o humor e o sarcasmo, ora alcança altos níveis de criatividade e realização estética, ora abdica de maiores preocupações artísticas para se assumir como panfleto ou meio de documentação social, política e histórica.
Filho de pai tipógrafo (João Henriques de Lima Barreto) e mãe professora (Amália Augusto Barreto), o escritor é apadrinhado pelo visconde de Ouro Preto (1836- 1912), influente ministro do Império, que lhe garante uma educação escolar de qualidade. Torna-se órfão de mãe ainda na infância.
Ingressa na Escola Politécnica em 1897, mas, reprovado continuamente em diversas matérias e obrigado a sustentar os irmãos, por causa dos problemas psiquiátricos do pai, abandona os estudos. Em 1903, torna-se funcionário público ao ingressar no setor burocrático da Secretaria de Guerra, passando também a colaborar intensamente com a imprensa do Rio de Janeiro, publicando artigos e crônicas em periódicos como Correio da Manhã, Jornal do Commercio e A Gazeta da Tarde. Com amigos literatos, funda e dirige a revista Floreal, que tem apenas dois números.
Estreia como romancista no ano de 1909, com a publicação de Recordações do Escrivão Isaías Caminha. Em 1911, em formato de folhetim, nas páginas do Jornal do Commercio, publica Triste Fim de Policarpo Quaresma, que se torna sua obra mais célebre, editada em livro apenas quatro anos depois. O romance narra a história de Policarpo Quaresma, homem de inteligência mediana, mas de nacionalismo e boa-fé inabaláveis. Agindo de modo a valorizar e popularizar ideais do que ele julga ser a verdadeira cultura brasileira, Quaresma obtém da sociedade uma resposta sempre dura, sendo classificado como louco (ora inofensivo, ora perigoso).
Como observa o romancista e crítico Osman Lins (1924-1978), esse "é um romance sobre o desajuste entre o imaginário e o real, entre a idealização e a verdade, entre a ideia que o personagem-título faz do seu país e o que o seu país é realmente"1. A obra também procura ridicularizar o apego da sociedade aos títulos, sobretudo o de bacharel, bem como as instituições políticas da época, sua burocracia e sua inoperância.
Já em O Homem que Sabia Javanês (1911) é apresentado o caso de uma pessoa que, afirmando dominar o idioma javanês sem na realidade conhecê-lo, consegue enganar boa parte da sociedade carioca da época e até mesmo ascender na carreira política, acadêmica e diplomática com base nessa mentira. A certa altura, o personagem declara: "Imagina tu que eu até aí nada sabia de javanês, mas estava empregado e iria representar o Brasil em um congresso de sábios", trecho que representa uma crítica contundente à predominância das aparências nos meios sociais e políticos do período retratado.”[…]
Fonte e texto na íntegra:
LIMA Barreto. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026.
Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/1555-lima-barreto.
Acesso em: 13 de maio de 2026. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
Fotografia: Acervo Arquivo Nacional/Fundo Correio da Manhã
Lima Barreto
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