Minha Terra é São Gabriel - Beraldo

Minha Terra é São Gabriel - Beraldo São Gabriel é uma cidade localizada na região da Campanha, hospitaleira e cultua as tradições do povo gaúcho, aqui nesta página REVELAREMOS SÃO GABRIEL

ATLÉTICO BANCÁRIO CLUBEVice Campeão citadino de São Gabriel – RS em 1933. Na imagem uma foto registrada por Isaias Evang...
11/01/2026

ATLÉTICO BANCÁRIO CLUBE
Vice Campeão citadino de São Gabriel – RS em 1933.
Na imagem uma foto registrada por Isaias Evangelho para eternizar a diretoria e o time de Futebol.
Clube foi fundado em 10 de fevereiro de 1933, pelos abnegados esportistas Ruben de Faria Correa, Celso Shoroeder e outros abaixo especificados:
PRESIDENTE: RUBEN DE FARIA CORREA (Primo do Sílvio de Faria Correa e Ney Faria)
VICE-PRESIDENTE: CAPITÃO GASPAR DE OLIVEIRA.
1º SECRETÁRIO: WALDÍVIO BRANDÃO FISCHER
2º SECRETÁRIO: CARLOS F SOUZA
1º TESOUREIRO: HERCOLINO COUGO
2º TESOUREIRO: PERY MOLINA
ORADOR: JOSÉ B VASCONCELLOS
GUARDA ESPORTES: J. L. COLLARES FILHO (Equivalente ao Roupeiro)
MADRINHA:DELMA BENTO PEREIRA
TIME:
Otavio de Faria Valle, Hélio Bicca, Alberto Netto, Sady Rodrigues Lima, Francisco Rodrigues Chagas (filho do Francisco Gonçalves das Chagas), Hernani P. Souza, Oscar Gomes da Silveira, Franklin Moreira, Adair Abreu, João Silveira Ritta, Carlos Benavides.
JOGOS DO ANO DE 1933:
Atlético Bancário Clube 0 x 4 Artilharia.
Atlético Bancário Clube 2 x 0 Sport Club Brasil
Atlético Bancário Clube 5 x 3 Sport Club 247
Atlético Bancário Clube 1 x 1 G.S. Militar (9º RCI, hoje 9º RCB)
Atlético Bancário Clube 1 x 5 Spor Club Independente.
Artilharia era líder do campeonato até 1 de outubro, quando em protesto retirou-se da Liga Desportiva Gabrielense (LDG).
CAMPEÃO: G.S. MILITAR (9º RCI)
VICE-CAMPEÃO: ATLÉTICO BANCÁRIO CLUBE
3º COLOCADO: SPORT CLUBE INDEPENDENTE.
Compilado por Beraldo Figueiredo.
FONTES:
Livreto 100 anos do 9º RCB
DIAS, Nilo – 100 anos de Futebol em São Gabriel.
Fotografia de 1933 do Atlético Bancário Clube, concedida por Mara Carolina Sena (no qual agradeço). Foto de Isaías Evangelho em 1933.

FOTO INÉDITA:Imagem do ano de 1921 SC 247, campeão citadino e dono deste estádio chamado GROUND, com o cognome de o camp...
22/12/2025

FOTO INÉDITA:
Imagem do ano de 1921 SC 247, campeão citadino e dono deste estádio chamado GROUND, com o cognome de o campo da sorte, fica exatamente onde hoje é o GINÁSIO SÃO GABRIEL e Escola Menna Barreto.
Ground que quer dizer chão, era como era chamado os campos de futebol na época, esse era todo cercado de madeira com arquibancadas.
Em campo: Mário (goleiro), Caon, Machado (zagueiros), Crispim e Chagão (Francisco Chagas), Orestes, Aurélio, Ribeirinho, Oscar Chagas, Ricardo Fayet, não estão na foto mas eram reservas neste jogo Julinho e Garibaldi.
Casarão ao fundo em destaque na Barão do Cambaí.
Sport Club 247 - Esse nome é uma homenagem ao TIRO DE CANHÃO DO 247, poderoso e destruidor.
Foto enviada pela mãe da Mara Carolina Sena, ao qual agradeço.

TIME DA COHAB, foi o surgido a partir da desativação do MADUREIRA na 3 de Outubro nos anos 90.
22/12/2025

TIME DA COHAB, foi o surgido a partir da desativação do MADUREIRA na 3 de Outubro nos anos 90.

O COLÉGIO DO SUSPIRO                                                               Osorio Santana Figueiredo.Suspiro é u...
19/12/2025

O COLÉGIO DO SUSPIRO

Osorio Santana Figueiredo.

Suspiro é um pequeno povoado, em extinção, distrito de São Gabriel (RS), que surgiu com a passagem da estrada de ferro naquele local em 1898.
Com as primeiras casas apareceu também o colégio. Em princípio em prédios particulares, onde os professores iam acomodando as classes em galpões ou sala cedida por algum abnegado proprietário.
Mesmo com o fim do povoado a escolinha do Suspiro nunca fechou as portas. Até que no ano de 1953, os irmãos Chiappetta, Gabriel e Eleuthério, doaram o terreno à Prefeitura Municipal, quando foi levantado o prédio de alvenaria, que passou a denominar-se “Escola Municipal Victória Chiappetta”, em homenagem a progenitora dos doadores da área.
Após algumas crises por falta de alunos, em que esteve até por fechar, surgiram agora os agricultores do MST e o número de crianças matriculadas subiu para quase 50, rejuvenescendo a tradicional escola rural. Incontáveis professores passaram pelo secular colégio do Suspiro, destacando-se entre tantos e devotados mestres, a professora Maria da Glória Antunes Dorneles. Graças a sua admirável liderança local, mesmo aposentada, continua residindo com casa comercial na localidade. Para não perder o vinculo com sua escola, de quando em vez oferece festas à famílias e alunos do velho educandário.
Atualmente é Diretora da Escola do Suspiro, a professora Rita de Cácia Antunes Dorneles, sobrinha da professora Maria da Glória, mantendo o mesmo ritmo de educadora, herdeira dos predicados profissionais da sua tia, uma sacerdotisa do ensino escolar.
Osorio Santana Figueiredo - Escrito em 10/11/2011.
Fotos:
2025 - Jair Leal Drone - Magro Borin

VILA MARIA – SÃO GABRIEL - RSA origem do nome Vila Maria, se deve a devoção da fé católica da comunidade com a Virgem Ma...
09/12/2025

VILA MARIA – SÃO GABRIEL - RS
A origem do nome Vila Maria, se deve a devoção da fé católica da comunidade com a Virgem Maria, mãe de Jesus Cristo, apoiada e incentivada pelo Monsenhor Henrique Rech, maior líder religioso de São Gabriel de 1909 até 1979.
No ano de 1954 Monsenhor Henrique Rech inaugura a Gruta Nossa Senhora de Lourdes na Capela da Vila Maria.
Em 1958, uma nova homenagem ao Centenário da aparição da Imaculada da Conceição na cidade de Lourdes na França.
No ano de 1959 no topo do portal foi colocado a estátua do Arcanjo Gabriel, uma homenagem ao centenário da Cidade de São Gabriel (15 de dezembro de 1859).
A doação do terreno da gruta foi doada pela bisneta do Barão de Candiota, Dona Ruth Pizzarro (1913-1974) que era filha de Francisca Chagas e Manoel Luiz Pizarro, era casada com João Ignácio Silveira, filho do João Manoel da Silveira e sobrinho do Tunuca Silveira (Antônio Silveira), que foi intendente de São Gabriel.
A Vila Maria sempre foi um local com muita religiosidade, tinha um Centro de Umbanda Reino de Iemanjá (sincretismo da Virgem Maria), esse centro foi muito ativo e frequentado por 30 anos nas décadas de 70, 80 e 90. Também é tinha um destaque da religiosidade afro com sua mediunidade a Dona Cecília e o Sargento Roscoff.
A vila Maria era cortada pela Sanga da Bica, que vinha morrer num grande banhado, ali desaguava duas sangas, a da Bica e a Toca da Onça que vinha do Forte Caxias (13ª Cia com), em 7 de fevereiro de 1756, na cabeceira da Sanga da Bica foi morto o índio Sepé Tiarajú, a noite seu corpo foi recolhido para o costado da Sanga da Bica no pequeno beco final da rua Francisco Menna Barreto Vila Maria.
Ali foi erguido a cruz do Cemitério Missioneiro, em 1835, o cemitério da Irmandade do Santíssimo Sacramento e Arcanjo São Gabriel, foi a 1ª sepultura do Barão de São Gabriel, João Propício Menna Barreto. Esse cemitério durou até 1864.
Parte daquelas terras pertenciam ao Barão de Candiota e parte delas foram adquiridas por José Ferreira da Fonseca Lima casado com Isabel Cunha Lima fazia limite com ao norte com a sanga da Bica, ao Oeste fazia limite com a chácara Juca Tigre, ao leste com Olaria Inocêncio Cócio, ao Sul o corredor das tropas, conhecida na cidade como chácara do Zé Lima.
A chácara do Zé Lima (José Ferreira da Fontoura Lima), era emprestado para o Exército fazer exercícios com a tropa, porém na Revolução de 1894, por ele ser maragato, tropas dos pica-paus republicanos castilhistas, comandadas pelo General Portugal a pedido de um primo irmão Coronel José de Oliveira, invadiram a chácara e depredaram a propriedade, derrubando cercas, quebrando mangueiras, invadindo galpões.
Após a morte de Zé Lima em 1924, a chácara foi sendo repartida, neste ano foi criada a Charqueada São Gabriel ao sul, a Charqueada era um pequeno matadouro caseiro, a Charqueada foi feita por Manoel Bicca, Maneco. Passou para os Filhos Polaco de Dodiga (José Rodrigues Barbosa Bicca), conhecida na cidade por Charqueadinha do Dodiga.
A ruas foram sendo criadas como corredores, Corredor da Olaria.
O corredor das tropas começa lá no corredor do mudador (Francisco Silva) Medianeira -Bonfim é desce o morro do sabiá, entra onde é o Jockey e desce até o Passo da Picada, segue dentro da Vila Maria na rua Homero Veiga de Macedo, passa na Charqueadinha e seguia em direção a Charqueada do Trilha, do Pinto (Santa Brigida) e terminava na Charqueada do Vacacaí.
Os times de futebol da Vila Maria criados foram: Oriente Futebol Clube (Leopardo) fundado em 11 de abril de 1955 e Sociedade Recreativa Vila Maria que ainda está na ativa fundado em 12 de junho de 1972 conforme ata inicial. Também o local foi origem que rivalizava junto com o Vila Maria ao Olaria Futebol Clube, time originado das terras vizinhas onde existia a maior fábrica de tijolos de São Gabriel dos Inocêncios Cóccio.
Berço da Escola de Samba Vai Mesmo, fundada em 27/02/1950.
Entre os moradores, grandes jogadores de futebol, Canário Alegre, Lenço Azul.
Carnavalescos como o Celso, Onésimo Fagundes, Corvinho, Adão da Dilva, Dona Rosinha, Ieda, Dona Santa, Oslena, Egídio, Mauro, Jovani Ribeiro, João Borges, Silvio e Marta Borges, Renatinho, Alfeu, Serginho, Francisco Cândido o Chicão, Pedro, Dinda, Amaral e um dos fundadores da vai mesmo Seu Nenê.
Na data de 06 de setembro de 1943, o prefeito Antônio Coimbra Gonçalves inaugura a Hidráulica próximo ao passa do Picada, em 1969 passa para a Corsan e em 2012 é adquirida pela Saneamento São Gabriel.
Tem os seguintes nomes de ruas:
Edmundo Berchon Des Essarts - Médico cirurgião um dos fundadores da Santa Casa de Caridade.
General Portugal, Francisco Rodrigues Portugal, participou de guerras e revoluções, em são Gabriel defendia as forças Republicanas de Júlio de Castilhos, Pica-pau que lutou o combate do Cerro do Ouro, onde foi derrotado pelas forças Maragatas lideradas por Gumercindo Saraiva e os Lanceiros de Aparício Saraiva.
Francisco Menna Barreto, intendente (Prefeito de São Gabriel em 1908).
José Lima (Zélima), maragato por simpatia, contador e estancieiro, dono de vários imóveis e da chácara onde está localizado a Vila Maria. A rua Fernando de Lima Machado, neto do José Lima. A pedido de Zé Lima os familiares doaram para o Município o terreno para a construção da escola que foi inaugurada em 1956 pelo prefeito Juracy Cunha Gonçalves, levando a escola o nome do doador: Escola Municipal José Lima.
Família Borges, moradores e proprietários do local tem o nome em duas ruas: Sílvio Borges e Celestino Borges. Ali morou o centenário veterano do Paraguai e de muitas outras lutas o Coronel José Borges de Abreu.
Também as ruas Homero Veiga Macedo, Médico Mario Torres e Antônio Arrach.
Os lupanários que marcaram época, boates noturnas e cabarés que teve o famoso sobradinho com Andréia, hoje Wisqueria da Mari, tinha lá no fundo a Suzana e a Káthia.
a Vila Maria está entre os bairros mais antigos de São Gabriel, e carrega histórias, causos e lendas* que nenhum outro bairro tem.
Por Beraldo Figueiredo..

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*Uma das lendas da Vila Maria era da Maria Magricela, uma mulher que carregava os corpos numa carroça fantasma para o cemitério que ficava próximo, ativo até o ano de 1869.
Fontes:
História de São Gabriel – Osorio Santana Figueiredo
Jornal O imparcial – 1954-1958-1959.
50 anos da Cooperativa Rural Gabrielense – Osorio Santana Figueiredo
História dos Apelidos Urbanos de São Gabriel -– Osorio Santana Figueiredo
Uma Santa Casa Feita com Amor – Osorio Santana Figueiredo.
Triunfos da Educação Gabrielense – Larissa Gräff, alcance.2025.
Homero Costa. - Depoimento
Rafael Medeiros - depoimento

SUBDISTRITO DO BATOVI CERRO DO BATOVI: Nome de um cerro isolado, com dois montes lado a lado e com a altitude de 274 met...
27/11/2025

SUBDISTRITO DO BATOVI
CERRO DO BATOVI: Nome de um cerro isolado, com dois montes lado a lado e com a altitude de 274 metros, em cujas cercanias foram fundadas as duas primeiras povoações, que receberam o nome de São Gabriel - Batovi: mbaé, coisa; tovi, monte. Coisa amontoada, monte, coxilha. Poeticamente: Seio de mulher virgem.
A primeira povoação era espanhola em 1800, a cerca de 8 quilômetros do Cerro do Batovi próximo ao rio jaguari, oriunda do tratado de Santo Ildefonso de 1777.
A segunda em 1811, povoado Português, local cedido pelo proprietário das terras Juca Santos.

ESTÂNCIA JESUÍTICA SÃO MIGUEL:
Apesar de nenhuma documentação específica, livros relatam que existiu uma estância Jesuítica próximo da atual estância do Batovi no ano 1687. Porém sua localização exata, se perdeu no tempo, existiam pedras no local e uma cruz até os anos de 1950.
Segundo João Pedro Nunes numa de suas crônicas, conta que no ano de 1820, na entrega da reforma da Capela da Estância do Batovi o Padre Francisco Heffel, depois da missa na capela, fez uma procissão até o local da velha estância e lá colocou uma cruz de madeira, que com o tempo desapareceu e hoje não se sabe onde ficava esta primitiva estância de 338 anos.
No ano de 1777, foi assinado o tratado de Santo Ildefonso. Na localidade de Batovi foi fronteira entre Portugal e Espanha, tendo como divisor o Cerro do Batovi.
Na data de 1799, o Vice-Rei da Prata, convoca Dom Felix de Azara em Buenos Aires para povoar a fronteira.
Felix de Azara chega em março de 1800 na junção do Rio Ibicuí e Santa Maria, mas lá encontrou aldeias de índios Minuanos, prevendo um conflito, ele costeia a fronteira e tendo como referência o Cerro do Batovi, se aproxima do rio Jaguari e ali na data de 2 de novembro de 1800 funda a Vila do Batovi de São Gabriel, que ficava a cerca de 8 quilômetros do Cerro.
Dom Felix de Azara, foi acusado de invadir a zona neutral que era mil metros de cada lado da divisa não ser construído nada por ambas as coroas, e com o Tratado de Badajóz 06 de junho de 1801 que dava todo o território atual do Rio Grande do Sul para Portugal.
Na data de 29 de julho de 1801, a mando do Chefe dos Dragões de Rio Pardo Tenente Coronel Patrício José Correa da Câmara, a Villa do Batovi de São Gabriel é invadida e colocada fogo em todas as casas de madeira e cobertas de Santa-fé, só escapou o arcanjo Gabriel feito de madeira, que foi salvo e recolhido pelo Capitão Adolfo Charão, que levou ele enrolado num couro até sua estância São Rafael localizada em São Sepé (hoje Vila Nova do Sul).
Foi distribuída a partir de 1801 pelo coroa Portuguesa terras e sesmarias devolutas na região e o cerro do Batovi acabou pertencendo ao Cabo José Maria Correa Vasquez, que era lindeiro do Capitão Marcelino, que construiu um casarão conhecido hoje por Paredes que deu nome a Estância Paredes. O estancieiro José dos Santos Menezes comprou meia légua de campo do Cabo José Maria, ficando de posse do Cerro do Batovi. Com pena dos moradores da primeira São Gabriel de Felix de Azara que viviam nos matos do Jaguari, reuniu em torno do pé do Cerro do Batovi esses remanescentes e autorizou a construção de um povoado no ano de 1811.
Em dezembro de 1812 chega no local o Coronel João de Deus Menna Barreto com o 1º Regimento de Cavalaria Miliciana, junto vinha o capelão Padre Dom Feliciano José Rodrigues Prates (primeiro bispo do Rio Grande do sul), os habitantes daquele povoado eram espanhóis, portugueses, índios catequisados, negros, mulatos, filhos de açorianos e conviviam com habitantes nativos como Charruas e Minuanos, mestiços, bandos dos Castelhanos.
Na data de 1813, os moradores recorreram ao Governador Dom Diego de Souza para serem transferidos para um local melhor, pois ali onde estavam, não oferecia segurança aos ataques e tampouco possuía um rio. Logo foi denunciado que Antônio Trilha filho do espanhol Diego Trilha, tinha posse de terras Portuguesas sendo ele um Castelhano, termo pejorativo na época.
Quando foi ordenado ao Antônio Trilha apresentar provas de posse de suas terras até o dia 5 de dezembro de 1814, ele não apresentou nenhum documento de posse das terras em questão, no mesmo dia o juiz de Rio Pardo desapropriou e mandou medir as terras.
No dia 7 de dezembro de 1814 iniciou-se a medição de meia légua de campo no costado do Rio Vacacaí a mando do Juiz Capitão Paulo Nunes da Silva Jardim e as terras foram medidas com uma trena de couro trançado de cinquenta braças e dez palmas, graduada. Quem fez a medição foi o Coronel João de Deus Menna Barreto e o agrimensor João José da Câmara com seu ajudante Manoel Pereira do Coito, com a presença de Antônio Trilha, que não argumentou nada, e na sentença o juiz usou o termo: “terras mal havidas”.
Na data de 6 de fevereiro de 1815, na estância de São Francisco de Paula, distrito de São Diogo, a sentença, julgada e lavrada dá registro de posse aos peticionários do Batovi, para que tomassem posse do referido terreno.
Na data de 28 de novembro de 1815, São Gabriel é elevada a Capela Curada. A transferência definitiva com segurança, só foi possível a partir de 1817, com uma festa de clarins, comandado pelo Coronel João de Deus Menna Barreto, considerado o fundador da São Gabriel Portuguesa, nas margens do Rio Vacacaí.
No ano de 1814, Coronel João de Deus Menna Barreto, recebe da coroa Portuguesa a posse das terras onde está localizada o Cerro do Batovi.
Foi ele que construiu a atual Estância do Batovi.

ESTÂNCIAS HISTÓRICAS DO BATOVI (POSTO BRANCO):
ESTÂNCIA JESUÍTICA SÃO MIGUEL – 1687: Construída pelos Padres Espanhóis Jesuítas, para doma e criação de gado. Ficava próxima a atual Estância do Batovi.
ESTÂNCIA BATOVI:
Construída entre 1815 e 1820, pelo sesmeiro João de Deus Menna Barreto, ficava próxima a antiga Estância Jesuítica São Miguel de 1687. Teve vários donos além do Visconde de São Gabriel João de Deus Menna Barreto. Foram: Gaspar Francisco Menna Barreto, Ricardo Bicca Filho, José Antônio Martins, Alfredo Faria Corrêa e Ernani Kurtz de Oliveira e Augusto Marques Mascarenhas de Souza e família. Foi reformada no ano de 1902, e a Capela foi reformada em 20 de outubro de 1922 por Antônio Martins.
ESTÂNCIA DA BOA VISTA:
Foi construída pelo João Propício Menna Barreto em 1832 (2º Barão de São Gabriel), filho de João de Deus Menna Barreto (Visconde de São Gabriel).
ESTÂNCIA CONCEIÇÃO:
Pertenceu ao Barão do Batovi Marechal Manoel de Almeida da Gama Loca D’Eça.
ESTÂNCIA SANTA CLARA:
Pertenceu a Maneco Pereira, campeiro e exímio laçador.
ESTÂNCIA DO MEIO:
Ficava no meio de duas estâncias, A Boa Vista e a Bela Vista, pertencia ao Barão de São Gabriel. Foi palco das revoluções farroupilhas.
ESTÂNCIA SANTA CECÍLIA:
Pertencia ao Doutor Camilo Mércio. Na sua origem recebeu o nome da filha do Barão Cecília Menna Barreto, casada com Joaquim Luiz Cardoso de Sales, filho do Barão de Irapuã.
ESTÂNCIA SÃO MIGUEL(2):
Pertencia ao Doutor Dirceu Menna Barreto de Abreu.
ESTÂNCIA SÃO JOÃO:
Construída em 1859 por Clementino Bicca para seu genro Sebastião Ferreira Pinto, mas por ser bondoso, perdeu todas que ganhou e acabou falecendo na miséria.
ESTÂNCIA BELA VISTA:
Foi construída em 1850 pelo Tenente Coronel da Guarda Nacional Clementino Ferreira Bicca.
ESTÂNCIA PAREDES:
Construída pelo Tenente Marcelino Ferreira Amaral no ano de 1800, fica na estrada do Suspiro que leva a Mercedes, hoje uma Tapera na beira da estrada. Hoje existe uma nova sede chamada Estância das Paredes.
ESTÂNCIA DO GIRUÃ:
Feita nas terras do Barão de São Gabriel, seu nome indígena quer dizer: Fruta que cai à toa.
ESTÂNCIA DO TALHAÇO:
Divisão das terras do Barão, a palavra talhaço vem de talho, termo usado pelos peões, ao se referir que deram um talho nas terras do Barão.
ESTÂNCIA DA BARRA:
Feita em 1910 por campos adquirido pelo Uruguai Pantaleon Quesada, Emílio Berro e Guerín, feita de forma quadrilátera, tipo forte, seu nome se deve a proximidade da Barra do Rio Santa Maria.
OUTRAS ESTÂNCIAS:
Originadas de partilhas das antigas:
ESTÂNCIA BOA FÉ, SÃO PEDRO, SANTA ADELAIDE e GALPÕES.

PASSOS HISTÓRICOS:
MOIRÕES:
Fica no rio Jaguari, e os moirões eram colocados para evitar a travessia do gado, fica bem próximo ao povoado criado por Felix de Azara em 1800.
MERCEDES:
Nome da mulata, que tinha um bolicho na barranca do passo onde vendia fumo, canha, charque, queijo.
PASSO DE SÃO BORJA:
Fica no Rio Santa Maria, sua origem está ligada ao povoado Jesuítico de Jesus Maria dos Guenoas, teve vida efêmera devido aos ataques. Deu origem mais tarde ao povoado de Rosário do Sul, mais tarde fez parte de São Francisco de Borja (São Borja).
RECULUTA:
Deve-se o nome a um célebre tropeiro conhecido por João Reculuta, apelido por abrir caminhos e passagens no rio em busca de rebanhar o gado chimarrão, que viviam nos banhados. O Rio Santa Maria antigamente era chamado de Ibicuí.
SANGAS:
SANGA DA TRANQUEIRA E SALSO OU SANGA DA PICADA:
Foi onde José Gervásio Artigas, ajudante do Felix de Azara, em 1800, desenvolveu um plano agrário para distribuir terras aos novos moradores.
SANGA DA ESTÂNCIA SÃO JOÃO:
Limite oeste e norte, destinadas por Don Felix de Azara destinado as futuras chácaras dos moradores em 1800.
SANGA DOS ANGICOS:
Nasce na estrada São João, Barra, Formosa e corre em direção ao rio Jaguari, era possuidora de um mato cerrado e árvores altas, gigantes.
SANGA DO JACARÉ:
Nasce no cerro do Batovi e desce fazendo fundo com a estância Santa Clara.
SANGA DO JOÃO DE DEUS:
Era um guasqueiro que ali morou, essa sanga nasce na coxilha divisória, dentro da estância Santa Clara e desgua na sanga do Jacaré.
SANGA DA BAETA:
Cortava os campos que pertenceram ao Barão de São Gabriel.
SANGA FUNDA:
Nasce na coxilha divisória e desagua lá no rio Vacacaí.
SANGA DA PEDREIRA:
Desprende-se da Coxilha divisória e desagua na Sanga Funda na sua cabeceira tinha uma pedreira de terra Calcárea.
SANGA DA TABOA:
Tabua, uma planta aquática semelhante ao aguapé.
CERROS:
CERRO DO BATOVI:
Palavra que quer dizer coisa amontoada, coxilha e poeticamente seio de mulher virgem, principal cerro do distrito e o mais alto com 274 metros.
CERRO DO APERTADO:
Fica no cotovelo da linha divisória e se bifurca na estrada que desce para o rio jaguari.
CERRO DA PEDREIRA:
Ao lado da estrada, onde existiu uma empresa de exploração da pedra calcárea.
CEMITÉRIOS:
CEMITÉRIO DOS JESUÍTAS (JARDIM):
Local de difícil acesso, remonta a estância São Miguel.
CEMITÉRIO DA VILA DO BATOVI DE SÃO GABRIEL:
Desconhecido o local.
CEMITÉRIO DA SEGUNDA SÃO GABRIEL:
Perto de um velha figueira, próximo ao cerro do Batovi.
CEMITÉRIO DO CABO IGNÁCIO:
Onde foi sepultado esse soldado do Barão de São Gabriel, herói de Paissandú.
ESTÂNCIA DO JOANICO:
Na estrada da Coxilha Divisória, onde foi achado morto o Joanico e ali sepultado, ali foi enterrado Maneco Pereira, esposa e filhos.
CEMITÉRIO DA CONCEIÇÃO:
Cemitério da estância do mesmo nome, ali foi sepultada a Baronesa do Batovi Ana Luiza da Gama D’Eça.
LIMITES:
AO NORTE: Com Azevedo Sodré e Tiarajú.
AO SUL: Município de Lavras do Sul, pelo Rio Jaguari.
AO LESTE: Tiarajú, Sede, Vacacaí e Suspiro
AO OESTE: Dom Pedrito, Rosário do Sul pelo Rio Santa Maria.
PRIMEIROS POVOADORES: Em 1792, encontra-se nomes como: Rodrigues, Menna Barreto, Bicca, Freitas, Moura e Souto. No fim do século XIX, chegaram: Pereira, Medina e Ximendes.

LAGOA:
LAGOA DA FORMOSA, é a maior lagoa do município de São Gabriel, tem 1800 metros de comprimento por 100 metros de largura, com 6 metros de profundidade, é dividida com o município de Lavras do Sul. Já foi refúgio de bandidos perseguidos pela Volante policial.

COMPILADO POR BERALDO FIGUEIREDO

FONTES:
FIGUEIREDO, Osorio Santana – DOM FELIX DE AZARA – TERRA E CÉU, Pallotti, 2006
FIGUEIREDO, Osorio Santana –HISTÓRIA DE SÃO GABRIEL – Pallotti, 1993.

SANRIGH 35 ANOS:Os irmãos Valdecir e Alexandre, juntos atendendo e gerando empregos em São Gabriel.
11/09/2025

SANRIGH 35 ANOS:
Os irmãos Valdecir e Alexandre, juntos atendendo e gerando empregos em São Gabriel.

TIPOS POPULARES DE SÃO GABRIEL:A história de uma cidade não é só feita dentro dos palacetes e casarões, nem nos campos d...
01/09/2025

TIPOS POPULARES DE SÃO GABRIEL:
A história de uma cidade não é só feita dentro dos palacetes e casarões, nem nos campos de batalhas, nem nos títulos de Viscondes e Barões de Marechais e Coronéis e tampouco de nomes de familias tradicionais, existe uma história não escrita que passa de boca em boca.
É a história dos ESQUECIDOS que são lembrados, mais do que todos que tem um teto e conforto, existe a história feita de ferro e dor e também de risos, estou falando dos tipos populares que fazem da rua o palco de sua arte, de suas artimanhas, de suas loucuras e desvarios.
Esses feitos que eles não temem em compartilhar, de ver o que ninguém vê, de viver o que ninguém vive, de dizer o que brota da alma, sem freios de pudor, sem receios são esses tipos tortos diante das regras sociais, tipos espontâneos, pobres tipos, tristes tipos que viveram dentro de sua carência as vezes rindo na sinceridade de suas bocas desdentadas, porém únicos e por serem únicos eles foram populares:
Vamos começar por 1910 em São Gabriel:
O VIRAMUNDO (10):
Era um negro filho de escravo, que morava nas ruas dentro de uma diligência abandonada no terreno onde está hoje a Prefeitura Municipal. Seu nome está associado de sair cedo e andar por todas ruas da cidade, sempre chegando nas casas e dizendo: "Esse negro velho está a disposição". Dessa forma usava essa metodologia, para arrumar uns trocos para sua alimentação. Era metódico, sempre usando essa rotina. Com o tempo, a Prefeitura foi construída e sua diligência foi parar lá na beira do rio Vacacaí onde hoje está a Usina.
AMARO (10):
Andava com um Rosário na mão, andando e rezando baixinho debrulhando as pedras entre seus dedos escuros.
MIGUEL LOUCO (10):
Barbudo, grande, gostava de riscar desenhos no chão e tinha o hábito de dizer que tinha um telegrama para as pessoas e escrevia rabiscos no chão e lia coisas que ninguém entendia, depois pedia dinheiro por isso.
TIA VICÊNCIA (10):
Negra que perambulava pelas ruas, vestia calças de homem, vendia seus doces pela rua, mas variava nos assuntos. Costumava de ficar na frente da casa do Dr. Fernando Abbott e de Fiuzo Gonçalves.
MESTRE BENEDITO (10)
Pedreiro de mão cheia, porém tinha momentos que divagava e gostava de fumar charuto.
AFONSO BARÃO (10):
Dizia-se sangue azul, mesmo mal vestido, tinha um linguajar estranho, inventava palavras difíceis, alcoolatra.
TIO CHICO (10):
Negro filho de escravo que vivia na Sanga da Bica, pouca conversa e provocava medo nas crianças, pela sua aparência.
TANICO (10):
Foi o mais popular e querido pela população, magro, porém fazia rodízio nas casas da elite de São Gabriel e tinha sempre um refrão: "Dão Licença.
A SIMEANA (1920):
Era uma negra alegre, amiga de todo mundo, perambulava pelas ruas o dia todo sem rumo certo. Era usada para levar recados escritos, nunca falhava, nunca ouve queixas, também fazia jogo do bixo para muita gente. Comparecia a todos os eventos, baile, missa, aniversário ela ficava na frente se tinha música dançava, também adorava um velório, Simeana estava sempre lá, rindo. Sua festa preferido o carnaval, Simeana se realizava, um dia desapareceu, nunca foi encontrada, já estava velha e todos se perguntavam onde anda Simeana. Diziam que ela foi embora com os ciganos, mas amava tanto São Gabriel, acredita-se que morreu por um canto e nunca foi encontrada.
O ZEFERINO (1920):
Este seguia outra linha, pois vivia de bicos, inteligente gostava de discursar, se metia na politica, pedichão, devia um pouco para cada um, que as pessoas já não davam mais dinheiro para ele, de todas as profissões ele sabia um pouco. Era advogado, médico pois receitava remédio, conselheiro, detetive, cínico, mentiroso, no inverno aplicava um golpe, batia nas portas sem camisa, tremendo de frio e pedia pelo amor de Deus uma camisa ou um casaco. As pessoas davam e ele logo ali adiante vendia para comprar cachaça. Porém uma das virtudes reais de Zeferino era a arte de representar, ele tinha a capacidade de chorar para conseguir suas causas e suas lágrimas que magicamente afloravam conseguia ludibriar e conseguir o que queria. Zeferino foi encontrado morto na rua.
ATILANO BARBOZA (1922):
Era de familia rica e abastada, mas amigo do ócio, não pedia dinheiro, solicitava para um investimento infalível, tinha uma dialética rica, inteligente e costumava redigir discursos para políticos, porém nunca trabalhou na vida e amigo da noite e da bebida foi nela que morreu.
JÚLIO CABEÇA (1928):
Diferente dos outros, era um ladrão, violento quando bebia, brigava, arrumava confusão, mas durante o dia nas ruas se mostrava prestativo, quando moço teve um amor que acabou em desgraça e por ele se perdeu na bebiba, tinha uma beleza masculina que sempre se envolvia com mulheres, adorava politica. Contudo quando bêbado gritava na rua e volta e meia se envolvia em brigas com a policia e foi numa dessas que acabou baleado e morto.
MARIA FON FON: (1930):
Era uma velha miúda, ninguém sabia sua idade, andarilha da cidade que perambulava pelas ruas de São Gabriel. Seu apelido de FON-FON, era devido a dificuldade de se expressar e ser fanhosa, com trejeitos e cacoetes e sua boca desdentada, arroxeada e viscosa.
Sua imagem era repelente para quem não conhecia sua bondade, sempre com sua bengala não pedia esmola, mas quando recebia perguntava:
- Obrigado, mas não vai lhe fazer falta?
Gostava de cães e crianças, ficava triste e com um olhar distante quando falava de si mesmo e de sua feiura. Dizia: - Sou uma velha feia.
O lado triste de Maria Fon Fon, foi na sua juventude quando os jovens levavam ela para algum canto e pagavam para fazer baixarias pornográficas, fazia por dinheiro, sob a risada fácil e farta de quem a pagava.
Maria Fon- Fon era popular, até que um dia foi homenageada no carnaval, foi atração no carro alegórico do Bloco Mão Preta com o nome TIRA O DEDO DO MEU PUDIM, no qual ela aparecia no centro num riso sincero e desdentado com os braços levantados numa felicidade que tocou a todos e sendo aplaudida pelo povo em alegria e gargalhadas.
Pouco tempo depois desapareceu, foi encontrada morta.
MANOEL CARROCEIRO (1930):
Um tipo muito querido e prestativo, foi um ícone na época das carroças da Viação Ferroviária, sempre de bombacha, tamanco e boné. Era o preferido dos comerciantes para trazer as mercadorias que chegavam pelo trem, tinha uma carroça grande um cavalo rosilho e era homem de confiança. Umas das peculiaridades do Manoel Carroceiro era sua fé católica, e nas missas se apresentava impecável no seu traje de linho branco ou vestindo o seu balandrau, Manoel Carroceiro foi uma das figuras mais queridas da sua época. Tanto é que foi homenageado pela elite gabrielense com um título com honras no Cassino Gabrielense.
MONTE REAL: (anos 30):
Quando Maria Fon Fon era mocinha teve um romance com uma figura popular chamado Monte Real, tomaram rumos diferentes, mas nem por isso foram poupados pela meninada de então, que descobriu que na sua mocidade ela teve o romance com outro tipo popular da cidade, conhecido por “Monte Real”, que era continuo vitalício do Clube Caixeiral. E davam-lhe dinheiro para que contasse as cenas mais pornográficas desse romance.
“Monte Real” tinha boa conversa e gostava de contar piadas. Não era muito viajado. Na primeira vez que andou de trem, já sexagenário, admirava a paisagem pela janela do vagão. Quando o trem parou na primeira estação, ele extasiado falou: “Puxa, como é grande esse Brasil”.
Monte Real era personagem máxima nos carnavais, vestindo fantasias que chamava a atenção, tinha uma criatividade e extrovertido era aplaudido, amado e admirado, porém simplório era levado na conversa dos maliciosos que usavam da sua boa fé.
TIA CHICA (anos 30):
Era uma negra alforriada que morava sozinha em um ranchinho de barro e santa fé. Tinha cerca de 90 anos de idade. Nos momentos de lucidez, ao pé do fogo, gostava de contar que na juventude morou em uma estância chamada “São João Velho”, que tinha um grande número de escravos.
De vez em quando ela chamava os vizinhos para ajudarem a consertar seu rancho. Nessas ocasiões ela preparava comida em uma velha e encascurrada panela de ferro preta. Preparava um almoço que consistia em quirela, charque e temperos cozidos com graxa rançosa.
TIO JOÃO: (anos 35)
O negro velho que participou da Guerra do Paraguai, orgulhoso e contador de causos.
O GOMERCINDO LOUCO (Anos 40):
Morava nas ruas, ao relento, era perseguido pela criançada e saía correndo atrás dela, dizendo palavrões e impropérios pesadas contra todas as gerações, não tinha papas na língua, tais como: Gritava aos berros frases como essas: “Tu pensa, sem vergonha, que tua mãe é santa? É puta igual às outras e dorme até com o Mário da Botica!” E também: “Tua tia é largada, dorme com os soldados do 3º”. E dê-lhe mais insultos: “E tua irmã que mora no “Beco do Sebo”? Vem de madrugada pra casa e não cuida dos fio!”.
Tinha tiradas inteligentes, quando são sem a bebida no corpo coisa rara, era prestativo e trabalhador, mesmo sendo temperamental quando encontrava cavaleiros na zona meretrício da rua das Flores dizia: Tu tá aqui na zona e tua acha que tua mulher tá dormindo sozinha? – Sempre dizia: Mais insatisfeito que plantador de trigo, quando não chove chora, quando chove chora também. – Outra: - Reza de manhã, finge de tarde e se revela de noite. Certa feita caiu na valeta e não conseguia levantar então começou a miar, miar como se fosse um gatinho, logo veio duas senhoras e quando viram que era Gomercindo, perguntaram: - Porque estás miando Gomercindo? – Ele respondeu: - Se gritasse por acaso alguém viria acudir o Gomercindo Louco. Então as damas levantaram ele rindo.
Vivia dizendo frases surpreendentes: Este mundo está virado. Por isso uma vez plantou alho com a raiz para cima e ao ser contestado pelo dono que pediu para ele fazer ele disse: Mas o mundo tá virado.
DANIEL “O SENADOR” (ANOS 40):
O DANIELZINHO popular Senador, é uma das pessoas mais estranhas que se possa imaginar, era franzino, miudinho, com uma carinha de rato, possuía uma corcova, anda sempre apressado, daqui para ali, aparecendo sempre cedo, assim como desaparecia com o cair da luz.
Era mandalete, sempre girou em torno das redações dos diversos jornais, que sucessivamente, se editaram na cidade. Tem uma verdadeira atração pela imprensa, onde vive desde longos anos. Sempre presente nos parques, cinema, circos, até lojas distribuindo folhetos e boletins.
“Tipo hoje setuagenário não representa a idade que tem, mas anda disposto e alegre aparentando uma mocidade longe de ter”.
Assim definiu o DANIELZINHO Aristóteles Vaz de Carvalho e Silva em 1967.
Danielzinho teve uma mulher mais nova que ele, no qual ele dizia que era casado e morava numa casinha com ela perto da Ponte Seca.
Ela saia de noite para os bailes sozinha, quando perguntavam para o Danielzinho porque ele não acompanhava sua mulher nas festas, ele respondia:
- Ué, vocês pensam que eu sou bobo? Enquanto ela se cansa no fandango, eu vou dormir, sabe? – E já saia rapidinho, não dando muito conversa.
TIO BARCELOS: (anos 40)
Benzedor era um tipo popular muito conhecido na época bons, rezava pelas almas sempre com um Rosário nas mãos, negro velho e respeitado pela sua fé, visitava sempre o cemitério, sempre cantando salmos, hinos, orações e rezas orando nos túmulos pelas almas.
TIA CATITA: (anos 50)
Ela foi uma antiga serviçal de alguns descendentes de Luiz Gonçalves das Chagas, o “Barão de Candiota”. Ela ganhou de seus patrões um terreno na Vila Maria, onde fez moradia. Era uma exímia doceira, bastante procurada para festas. Muito cuidadosa com a higiene, andava sempre rigorosamente limpa, com roupas enfeitadas de rendas. Certamente o apelido “Catita” veio daí.
Era conhecida pela bondade extrema. Na Rua das Flores não havia doente que não contasse com sua assistência. Um caldo para um, docinho para outro, um chá para um terceiro. E assim levava a vida.
TRAÍRA VELHO:
Seu nome era Salvador Antônio Pires, foi uma das figuras populares mais conhecidas na sua época. Seu pai, que tinha o mesmo nome, foi capitão na “Guerra do Paraguai” e se destacou pela bravura nos campos de batalha.
“Traíra Velho“ era cambista de profissão, vendendo bilhetes de loteria. Gostava de jogar bocha, sendo quase imbatível. Morava em uma casa construída num terreno que no passado foi cemitério. Dizem que certa vez, ele ao buscar os chinelos embaixo da cama, encontrou uma ossada humana. Levou um grande susto.
Como católico fervoroso mandou benzer toda a casa. Também era metido a poeta, compondo verso que declamava para seus clientes de bilhetes de loteria. Um dos seus versos mais apreciados dizia:
Ó! Quem me dera/Partir para os páramos de luz?/Para viver eternamente?/Nos braços de Jesus.
CAMÕES:
Trabalhava na Intendência Municipal carregando os antigos e desagradáveis “cubos” (recipiente com fezes e urina), que o consagrado humorista gabrielense, Ney Faria Corrêa, chamava de “Carroção do Desasseio Público”.
Certa vez alguém perguntou a “Camões” como era a vida para um trabalhador braçal como ele. Sem perder a pose, o nosso herói respondeu: “Eu não me queixo da vida e vivo feliz. A “coisa” dando para comer está tudo bem”.
MANÉ REZADOR:
O povo sempre teve queda por acreditar em coisas do sobrenatural. Havia na cidade um tal de “Mané Rezador”, que criou fama de infalível, para quebrar mau olhado, esconjurar assombrações, eliminar quebrantos, benzer sapinho, anular despachos, enfim combater qualquer malefício atribuído ao além.
Suas “armas” eram rezas e gestos cabalísticos, xaropes intragáveis à base de arruda, losna e outros vegetais tidos como medicinais. Além de benzeduras com carvão em brasas. Ganhou muita popularidade na cidade.
BERA:
Vivia sempre borracho. Só gostava de ouvir causos ou piadas que se referissem a bebidas. O povo não perdoa e criaram coisas em torno dele, que não devem ser verdadeiras. Como, por exemplo, ao abrir um jornal só lia manchetes que tivessem “letras garrafais”. Suas músicas prediletas eram o “Ébrio”, de Vicente Celestino e o tango argentino “esta noche me emborracho”.
Outra vez ele interessou-se pelas coisas do além. E o pessoal descobriu que era só porque havia uma tal de “sessão do copo”.
Certa vez adoeceu gravemente e o médico lhe proibiu a bebida alcoólica. Não reclamou, apenas pediu que colocassem uma garrafa de cachaça alçada ao alcance de sua mão, para que pudesse acariciá-la de vez em quando. E “Bera” acabou morrendo, mansamente, sem, nunca mais ter colocado álcool na boca.
É claro que eu não tenho “fichas” completas de todas as figuras populares que viveram em nossa cidade.
ADÃO CANHÃO:
Com sua voz de trovão sempre de pés descalços, corria a gurizada, sempre carregando um saco cheio de tralhas, costumava morar ao lado do presídio numa peça da oficina que não tinha porta. “Adão Canhão”; “Parabela”, que virava uma fera quando a gurizada fazia “pápápápápápápá”.
ADÃO TROMBONE:
Era mais sociável, mas sempre com a mesma roupa, era sarará, beiçudo, cabelo castanho claro crespo miudinho, gordo e forte, sempre vestido de roupas do exército doada por alguém, ele falava sozinho e gritava na rua e também corria a gurizada que mexia com ele.
COMADRE PELANCA:
Morava no Pito Aceso.
BARBA AZUL:
Vendia amendoim na porta do cinema Harmonia.
ENGANA TIJOLETA:
Que tinha uma deficiência na perna e ao caminhar seu pé dançava no ar e sempre pisava ao lado da tijoleta da calçada, por isso o apelido, diziam que era homossexual.
PRINCESA:
Sempre bem, tinha uma filha chamada Glória, As duas eram pessoas pobres. A “Princesa” vivia da caridade alheia, mas tinha uma postura e elegância natas, apesar das roupas simples, sempre ereta , com uma bolsa pendurada no pulso , camisa ou vestido , abotoado até o pescoço e sempre com um colar de pérolas e de brincos chamativos. Ela realmente possuía ares de uma princesa, batom nos lábios e muito ruge no rosto. Não sei quem lhe deu o apelido, mas o certo é que caiu como uma luva.
JOÃO LOUCO DO PASSO DA LAGOA (JOÃO SERPA):
Era uma figura popular, que juntava latas e as vezes saia pelado na frente da casa, quando amanhecia atacado batia lata o dia todo, morava ao lado da igreja tinha uma casinha de madeira no dia que morreu duas caçambas foram necessárias para tirar tudo que juntou.
CHICÃO:
Francisco Oliveira, era um negro forte, gordo, pintor, apelidado de “Chicão”, aposentado, que ia ao estádio depois de tomar umas e outras e gostava de exigir raça do time. Por isso costumeiramente gritava: “SANGUE”.
E os gozadores de plantão não perdoavam e revidavam: “Cala a boca Feijão Azedo”. E o Chicão retrucava: “É a mãe”. Em seus últimos anos de vida morava no Asilo São João. Ele faleceu em meados de 2011, aos 75 anos de idade.
Em 2012, uma competição futebolística promovida pelo Ginásio São Gabriel levou seu nome, uma homenagem bastante justa para quem fez do futebol uma das grandes paixões de sua vida.
Outro torcedor que o autor não recorda o nome, sempre devidamente alcoolizado passava o jogo inteiro no estádio, tocando um pandeiro sem ver o jogo.
JOÃO DA REZA:
João da Reza, ele caminhava um pouco e se ajoelhava, E fazia o sinal da Cruz, andava toda cidade assim se ajoelhando. Ele, não se tornou tão popular porque não interagia, fazia sempre o mesmo ritual.
SANTO LOUCO:
Contam que por uma desilusão amorosa, ele se entregou na bebida e dormia na rua sempre em volta das quadras da Jonathas Abbott, Santa Casa de Caridade e quando não tinha cachaça ele bebia álcool comum, figura triste que morreu na sua embriaguez e raramente era visto sóbrio, geralmente quando ia ao jogos no estádio Municipal ver o São Gabriel jogar, torcedor ferrenho do Internacional de Porto Alegre.
MARINO (VELHO DO SACO):
Morava na Sanga da Bica, barbudo, silente viveu dentro de si e assim desapareceu.
MARGARIDA:
Uma torcedora fanática da S.E.R. São Gabriel, que vendia amendoim torrado no Estádio Silvio de Faria Corrêa. A todo o momento, ela se virava em direção ao gramado e gritava: “Viva o São Gabriel”, enquanto levantava o vestido para delírio dos demais torcedores.
MARIA FOFÃO (anos 2000);
Andarilha que andava pelo meio da rua sem se importar com os automóveis, cabelo emaranhada tipo índia.
PAULINHO DOS CAMINHÕES:
Andava pela rua com caminhões feito por ele, era um menino que foi crescendo sem esquecer dos seus brinquedos. Também conhecido como Paulinho da Mariana.
O BOCA:
Figura atual, Nilo Dias conta que quando presidente da SER SÃO GABRIEL o Moacir popular Boca morava em um dos vestiários do Estádio Silvio de Faria Corrêa, hoje mora lá na 3 de Outubro. Falecido em 2022.
ALBERTO DAS ERVAS:
Sempre andando com seu cesto, cheio de ervas para fazer chá, sabe de tudo e confabula seu Rosário de suposto conhecimento dizendo que: Este é para os rins, fígado, cura mal de cabeça, recupera visão, para tripa presa, enxaqueca e sai baratinho.
GAITINHA:
Sempre vestido de gaúho, o Popular Gaitinha anda pelas ruas.
BARREIRINHO:
Andarilho que anda pelas ruas, quase sempre pelo meio delas, sem usar a calçada.
OUTROS TIPOS QUERIDO E POPULARES:
O CEGO DA ESTAÇÃO COM SEU CACHORRO, morava na vila Rocha e ficava na escadaria da Gare, pedindo esmola e olhava para o céu e gritava palavras que na época não entendia.
O ENIO COSTA PINTOR (Tocava pandeiro, artista teatral e MORAVA AO LADO DA PONTE VACACAÍ se vestia de Escoteiro),
MAZZAROPI E A MARIA (CASAL), popular casal que vivia nas ruas.

GUSTAVO
POLACO TRAÍRA,
CAXIXA,
CAMARÃO,
DONATO,
CADILAQUE,
CICA,
LITO (MADALENA),
ADÃOZINHO,
LINO,
XUXA,
NEGA
DÉRCIA,
DORVALINA,
CIGANINHA DA VILA LIMA,
TATÚ,
BARREIRINHO,
PEDRINHO,
IRAPUÃ,
PANTERA,
TIMÓTEO,
TIO DADÁ,
ZOQUINHA (ESTRELA),
O TECO,
AGAPIO (ANDARILHO),
TIA NECA (VILA ROCHA).
CALISTRO (O GAITINHA),
JORJÃO,
COALHADA,
BOLACHA (VEREADOR),
CAVACO,
ZÉ PAPELEIRO
CACARECO
CHIBICA (Rua Propicio Menna)
ZÉ PITOCO,
ZOINHO,
MERCADINHO,
TILICA,
PULA PULA,
SABÓIA,
POLACO CUBEIRO,
GAITA VELHA,
PÉ DE URSO,
MOCRÉIA,
GRAXAIM (Chofer Popular de Taxi),
PÉ DE URSO,
MAGRO BORIN (OVNI a vista),
MURSILHA,
PIPOCA (Anão do Nacional),
CHIMBÉ.
PAULINHO DA MARIANA
TONINHO JORNALEIRO.
Se esqueci de alguém, alguém vai lembrar.
Fontes:
ABREU, Dr. Florêncio, TIPOS POPULARES DE SÃO GABRIEL, L.Popular, 1923.
Jornal Imparcial de 1967 – “O SENADOR “ – Aristóteles Vaz de Carvalho e Silva.
Folha da Terra,1955 (Sadi Barbosa).
SILVA, Aristóteles Vaz de Carvalho ; CRONICAS DUMA CIDADE DO SUL (São Gabriel), 1967.
Dias, Nilo, site Viva São Gabriel.
Jornal O FATO (Nilo Dias)
Compilado por Beraldo Figueiredo.

Endereço

São Gabriel, RS

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