04/05/2026
"Entre Buarquianas e Bachianas"
exposição de Márcio Périgo
terça a sexta-14-18h
sábado - 11-13h
curadoria Xenia Benito
Fazendo jus a uma forma de expressão que é tão arcaica como a própria necessidade do homem de imprimir ritos ou mensagens cifradas em uma caverna –contrariando a evanescência do tempo– a gravura tornou-se premonitória e anti-canônica. Pivô de sua própria circunstância múltipla, tangível ou tátil, a imagem gravada, voltou a ser reconhecida nessa virada do moderno ao pós-moderno quando os artistas começaram a tomar pose dela como imagética e/ou sinônimo do arquivo. Cada inflexão dela, diante dos desafios da contemporaneidade, parecia agir como gesto que espreita o olhar ou se precipita à captura de um instante. Marcio Périgo tem trabalhado como cúmplice da arte da gravura em metal por décadas. De onde senão provêm o pulsar de um gravador na virada do século vinte ao século vinte e um em sua pesquisa silenciosa e constante sobre uma síntese fértil.
Se primeiramente sua obra buscou representar, em tamanho e em intensidade, os reflexos sobre a superfície porosa da pedra –e de abarcar engenhosamente o complexo mito da caverna de Platão– sendo sua estreia a sua maior assertiva. Como autor de “Caos aparente” (1989) tornou-se o indiscutível herdeiro da constelação dos maiores gravadores do país. Enquanto dava a essa paisagem estruturada uma tessitura de concretude e memória (real e subconsciente) à gravura em si, ele devolvia um papel essencial dentro do mito fundacional da arte.
trecho do texto curatorial de Xênia Benito