15/04/2026
Sandra Cinto: Dois Infinitos . Exposição individual . Textos críticos de Josué Mattos e Priscyla Gomes . 28.03.2026 - 16.05.2026
“A mostra emerge como um espaço suspenso entre dois infinitos. De um lado, o azul profundo, noturno e recolhido, onde a paisagem se densifica e se volta para dentro, como se tocasse uma zona de silêncio e interioridade. De outro, o dourado luminoso, aberto e expansivo, onde a imagem se projeta, se irradia e se desfaz em horizonte. Entre esses dois polos, a pintura não fixa um lugar; ela vibra, alterna, se desloca. Há nela um ritmo respiratório, um movimento de contração e expansão que sustenta sua própria existência.
Nesse sentido, essas paisagens também configuram uma imagem do tempo, não um tempo linear e progressivo, mas um tempo circular, que retorna e se dobra sobre si. Amanhecer e anoitecer deixam de ser extremos para se tornarem passagens de uma mesma duração contínua. A luz que desponta já carrega a memória da sombra, assim como a noite abriga, em latência, a iminência do dia. A série se constrói, assim, como um ciclo, um movimento incessante entre dois estados do mundo, entre duas intensidades do visível, onde cada imagem parece conter, em si, o começo e o fim.”
Priscyla Gomes, março 2026
Sandra Cinto . A primeira luz, 2026
Fotos: Ana Pigosso
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