Contando com a ajuda do fotógrafo Paulo Santiago e do produtor musical Otávio Martins, ele juntou relatos de história oral, recortes de jornais, fotos, objetos pessoais, dentre outras coisas, e acabou criando algo extremamente inovador no campo da museologia, indo na contramão dos museus tradicionais. O Museu Memória do Bixiga permitia que seu acervo fosse constantemente alimentado por pessoas que
tivessem relação com o bairro e que ele fosse manuseado em contato direto com seus visitantes. O projeto do Museu foi ganhando o apoio de especialistas, imprensa, moradores, entre outros, que viam ali a oportunidade de se criar uma proposta inovadora e popular de museu, que tivesse íntimo diálogo com o seu entorno, sem a erudição dos museus tradicionais. Nos anos 1980, a museóloga Waldisa Russio militava por uma Museologia Social, “na qual o museu não é mais contido em um edifício, mas passa a ser entendido como território” (LUCENA, 2013: 222). No Museu Memória do Bixiga, essa noção se concretizava, sendo o seu espaço físico entendido como um disparador para se conhecer o bairro do Bixiga, com suas construções, suas memórias e suas histórias. Desde os anos 1980, o Museu passou por algumas mudanças. A principal delas foi o aumento exponencial de seu acervo, o que demandou uma sede maior. Assim, alguns anos depois da sua criação, ele foi transferido para uma nova sede, na Rua dos Ingleses, número 118, onde permanece até hoje.