17/06/2026
Uma pequena igreja com uma inensa importância histórica
Essa é mais uma história pouco conhecida que a Amo a História de Salvador conta pra você: a importante ligação que existe entre a Igreja da Barroquinha e dois dos principais terreiros de Candomblé da Bahia: Casa Branca e Gantois.
Entre 1722 e 1726, a igreja foi erguida pela Irmandade de Nossa Senhora da Barroquinha a partir de doações. O próprio terreno foi doado por Manoel Ribeiro Leitão.
Essa irmandade foi extinta alguns anos depois e a igreja foi então ocupada pela Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Martírios, formada por negros e ligada à Igreja Rosário dos Pretos.
A Igreja da Barroquinha passou então a ser frequentada pelos nagô-iorubás da nação ketu. Mais tarde, eles deram origem à Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, muito conhecida em Cachoeira, no Recôncavo.
Por volta de 1830, ao lado da igreja começou a funcionar um dos primeiros terreiros de Candomblé da Bahia. Esse fato incomodou profundamente a sociedade escravocrata da época. A pressão exercida pelos homens brancos e representantes da Igreja Católica determinou o fechamento da Igreja da Barroquinha e a extinção do terreiro, no início do século XIX.
Os negros nagô-iorubás foram então para uma área afastada da cidade, hoje o bairro da Federação. Nessa época, lá era tudo mato. Assim, longe dos olhos da sociedade escravocrata, os negros criaram lá dois terreiros de Candomblé que são respeitados como Casas-mães: o Gantois e o Casa Branca.
Infelizmente, a Igreja da Barroquinha permaneceu fechada por décadas, virou uma grande ruína, foi destruída por um incêndio e nunca mais voltou a funcionar como templo religioso. Só em 2009 ela foi restaurada e passou a funcionar como Espaço Cultural.
É um sítio histórico de grande relevância justamente por essa ligação essencial com o nascimento do Candomblé na Bahia. Se você não sabe, o Candomblé não veio da África, ele foi criado na Bahia a partir da reunião de elementos de diversas nações africanas.
Já viu quanta coisa você tem pra descobrir sobre a nossa cidade e o nosso povo? Por isso que eu sempre repito: Salvador é outra história.
(Pesquisa e texto: . Foto editada