23/07/2025
Essa semana se comemora o aniversário da curandeira María Sabina
O caminho que escolhi na comunicação não é fácil. Logo percebi que me comunicar sem me comprometer em zelar por quem está em maior estado de vulnerabilidade seria uma forma de colaborar com a piora do cenário. Eu não escrevo sobre 1/3 das coisas que sei.
Eu sempre uso o caso de María Sabina para exemplificar como a comunicação psicodélica pode ter sangue nas mãos quando coloca na frente interesses diferentes daqueles que ela pretende falar. E esse caso prova que isso não é exagero. Mesmo que Wasson pudesse ter algum tipo de consentimento, quem tinha dimensão da “descoberta” e seus impactos no ocidente era ele, portanto ele tinha mais responsabilidade nessa tratativa, mas não se importou. Fez um texto para uma das maiores revistas do mundo na época. O resultado foi catastrófico para essa senhora e sua comunidade, mas ainda tem gente que acha que nesses casos os meios justificam os fins. Bom, eu não funciono assim.
Já falei para vocês o quanto é complexo ser parte do problema e da solução. Mas estar ao lado dos indígenas ajudando a construir um evento decolonial que é o Fórum Mundial da Ayahuasca me mostra que mesmo com minhas questões, incoerências e afins, eu estou tendo a oportunidade de cumprir com o meu compromisso de estar na retaguarda nessa luta que é nossa.
No Fórum haverá espaço para diversas bioculturas, entre elas os meninos santos de María Sabina.
Que esteja sempre em bom lugar ao lado de seus ancestros e guiando seus parentes na consagração dessa sagrada medicina.
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