Luís I esteve instalada na chamada «Casa dos Guardas», junto ao Museu Conde Castro Guimarães, onde foram elaborados os princípios que têm até ao presente norteado a dinâmica desta instituição. Nesse período, o Conselho de Administração da Fundação definiu como ponto de partida para a sua atividade três objetivos principais: 1. Promover conversações com a Fundación Bancaja, de Valência, proprietári
a de várias coleções completas da obra gráfica de Pablo Picasso (entre outro importantíssimo património artístico), com vista à assinatura de um protocolo de cooperação; 2. Concretizar um acordo com o colecionador Duarte Pinto Coelho mediante o qual viesse a ser cedida à Fundação, em regime de depósito durante 10 anos, a sua valiosa coleção de Cerâmica das Caldas e posteriormente todas as outras; 3. A preparação da II Bienal de Cascais, então designada por Bienal da Utopia, tendo como ponto alto a apresentação da série Quixotes, de Júlio Pomar, e a participação de intelectuais de várias nacionalidades que apresentaram intervenções do mais alto nível em distintas áreas do saber. Paralelamente a estas três linhas de força que marcaram o arranque da atividade cultural da Fundação, decorreram outras iniciativas que provaram o ecletismo da programação fundacional: a) debate sobre a regionalização com grandes figuras nacionais (Professores António Borges Coelho, Jorge Gaspar, A. de Oliveira Marques, José Vieira de Carvalho, César de Oliveira e Augusto Santos Silva, Arquitetos Sérgio de Melo e Gonçalo Ribeiro Telles, e Dr. António Borga); b) colóquio internacional Música e Mundo da Vida, coordenado pelo musicólogo Professor Mário Vieira de Carvalho; c) ciclos de cinema e espetáculos de teatro.
À assinatura do protocolo com a Fundación Bancaja, em 1997, seguiu-se um outro acordo, com um importante parceiro na área das artes plásticas, o MEIAC (Museo Estremeño Iberoamericano de Arte Contemporáneo), de Badajoz, como resultado do bom entendimento entre o Director do referido equipamento, Antonio Franco Domínguez, e do Administrador-Delegado da FDLI. Em 1998 foi apresentada a Suite 156, de Picasso. A III Bienal de Cascais abriu com homenagens a Eduardo Lourenço e Peter Bogdanovitch, sendo este cineasta ainda agraciado pelo Presidente da República com a comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Intervieram no ciclo de conferências da Bienal Carmen Alborch (antiga ministra espanhola da Cultura), Bernard-Henri Lévy, Gonzalo Torrente Ballester, John Ryle (jornalista de The Guardian), Eugénio Lisboa, Hélder Coelho, António Coutinho, Alexandre Quintanilha, Eduardo Portella (antigo ministro brasileiro da Cultura) e Júlia Nery. O programa de Música e Canto foi assegurado pelos Moscow Piano Quartet, Borodin String Quartet, Orquestra de Câmara de Nicolau Lalov e barítono português Jorge Chaminé. O Teatro Experimental de Cascais levou à cena a peça de Luiz Francisco Rebello A Desobediência. A exposição Cascais: Património e Cidadania foi realizada segundo um guião de Margarida Magalhães Ramalho. Nesta Bienal foi também apresentada uma grande retrospetiva da obra gráfica de João Abel Manta. Neste ano a Fundação realizou também exposições de Eduardo Arroyo, António Dacosta, Victor Belém, Jules Maidoff e Konstantin Bessmertnii. Com a inauguração do Centro Cultural de Cascais, em Maio de 2000 (espaço onde a Fundação entretanto se instalou), rasgaram-se novos e amplos horizontes à sua atividade cultural, passando a dispor de um excelente espaço que, nesse ano de 2000, era o quarto maior do País em área coberta para exposições, com uma área total de 3.700 metros quadrados. Após 2013, extinta que foi a Fundação Paula Rego por força do novo quadro legal, passou a Fundação D. Luís I a gerir a Casa das Histórias Paula Rego, bem como toda a equipa que a integrava. Garantindo, devido à qualidade e coerência da sua programação artístico-cultural, um constante aumento do número de visitantes, a FDL chega a 2015 com elevada notoriedade em termos nacionais e internacionais, momento em que, em parceria com Município de Cascais, m***a, por intervenção direta do Presidente Carlos Carreiras, um projeto pioneiro em Portugal, o Bairro dos Museus, conceito agregador de património material e imaterial, de talento e criação. O BM surge numa perspetiva de racionalização e desenvolvimento dos instrumentos de sustentabilidade da atividade cultural no território de Cascais envolvendo as estruturas criativas e educativas e a sociedade civil cascalense, sendo que a sua programação se integra num conjunto diverso mas coerente de oportunidades de produção e consumo cultural num perímetro que reúne hoje 14 espaços museológicos e 2 parques urbanos, bem como uma vasta série de projetos artísticos que lhe são transversais e a outros espaços públicos e privados. A programação do Bairro dos Museus reúne artes plásticas, artes performativas, literatura, cinema, conferências, cursos e visitas guiadas ou orientadas para todos os públicos, integrando a criação e o património locais e a produção cultural internacional relevante. Do conjunto de museus e espaços expositivos podemos destacar a Casa das Histórias Paula Rego, cujo edifício é assinado pelo Arquiteto Souto Moura, Prémio Pritzker em 2011, que alberga o projeto da pintora portuguesa mais conhecida.