Historicamente, este espaço museológico localizado na freguesia de Santa Maria de Lamas, popularmente denominado por Museu da Cortiça, foi classificado e edificado na década de 50 do séc. Construído de raiz para albergar a sua ampla colecção, arquitectonicamente, apresenta características formais (planta, alçado, ambiência decorativa), próximas de grande parte dos edifícios nacionais de índole civ
il e religiosa do início do século XX - sintetizando princípios construtivos e estruturais da arquitectura e estética do Estado Novo, promovida sob a tríade de valores da educação nacional: Deus; Pátria e Família. Globalmente, o seu acervo ímpar caracterizado pela interdisciplinaridade, reflecte influências conceptuais historicistas, resgatando aos séculos XV e XVI a sua primeira morfologia, aproximando-se dos Gabinetes de Curiosidades, espaços de proliferação simultânea de objectos artísticos e simbolismos de percepção da Ciência, História, Geografia, Etnografia e inclusive, da própria conjuntura socioeconómica local e global. Todas estas características sublimam memórias peculiares, invocadas na própria planimetria do edifício, onde percorrendo as dezasseis salas que o constituem (das quais actualmente 11, divididas por 2 pisos, integram a exposição permanente do Museu), destacam-se: Arte Sacra (Retabulística em talha dourada; imaginária, compacta ou em roca; relevos; oratórios, pintura religiosa e objectos litúrgicos); Medalhística; Papel-moeda (Notas de expressão global); Objectos Etnográficos; Retratística/Iconografia do Fundador; Mobiliário civil (Rocaille; Neoclássico; Arte Nova; Chinoiserie; Indo-Português; Neo-Mourisco, etc); Estatuária nacional e internacional, finissecular e da 1ª metade do séc. XX; Objectos associados às Ciências Naturais (Biologia; Geologia e Paleontologia); Tapeçarias; Azulejaria; Estatuária em Cortiça/aglomerado de Cortiça e Arqueologia industrial (maquinaria usada nos primórdios da Industria transformadora da Cortiça).