09/04/2026
Batalha de La Lys
A Grande Guerra resultou de uma conjuntura especial na Europa – a vontade das potências europeias possuírem impérios coloniais em África, a instabilidade política e social, a corrida ao armamento, os nacionalismos e o que espoletou o conflito – o assassinato do Arquiduque Francisco Fernando e a sua mulher Sofia, em Sarajevo.
Apesar de Portugal estar envolvido em combates com a Alemanha desde 1914, no Sul de Angola e no Norte de Moçambique, a entrada oficial no conflito deu-se a 09 de março de 1916, quando o embaixador da Alemanha, em Lisboa, entregou a declaração de guerra, após o governo português, a pedido de Inglaterra, ter apresado entre 70 a 80 navios alemães que, no início do conflito, se tinham refugiado nos portos portugueses.
Aos 35 mil homens que terminaram, em Tancos, a sua preparação para combater na Europa, num exercício de instrução intensiva – o “Milagre de Tancos” –, juntaram-se-lhes, posteriormente, mais 20 mil, constituindo o Corpo Expedicionário Português (CEP).
Os treze meses de bombardeamentos, de assaltos às posições inimigas e de defesa das suas posições, junto ao rio Lys, no Sul da Flandres, causaram 627 baixas aos portugueses. Desde finais de 1917 que, devido à escassez de transportes marítimos, não havia reforços nem rendições, situação agravada pela proibição do gozo de licenças, pelo rigor do inverno e pelo aumento da violência dos combates. Esta realidade desgastara física e moralmente as forças, causando indisciplina e deserções. O CEP estava, desde janeiro de 1918, reduzido a uma só divisão, com 20 a 25 mil homens e 88 peças de artilharia.
A 09 de abril de 1918, no dia em que a 2.ª Divisão do CEP iria ser rendida por uma divisão inglesa, os alemães, com um efetivo de 100 mil homens e 100 peças de artilharia por quilómetro, atacaram o enfraquecido sector português, iniciava-se a Batalha de La Lys, no âmbito da Operação Georgette.
O heroísmo dos soldados portugueses não evitou a derrota – 1341 mortos, 4626 feridos, 1932 desaparecidos e 7740 prisioneiros –, mas muitos atos de coragem foram realizados pelo CEP: os feitos do “Soldado Milhões” ou do Sargento José Gomes Carvalho são prova do valor do Soldado Português.