MUSEU da Capoeira

MUSEU da Capoeira Um dos maiores acervos da Capoeira em Portugal, biblioteca, videoteca, acervo fotográfico, Painéis

Com um dos maiores acervos da Capoeira em Portugal, conta com uma biblioteca vasta, mapas, gravuras, Posters. Um acervo fotográfico ligado ao triângulo Portugal, Brasil e África, seu passado e presente. Acervo discográfico com mais de 100 títulos de Capoeira e Folclore. Acervo de vídeo que conta com mais de 1.500hs de vídeos e documentários em VHS, HI8 e DVD, ligados a Capoeira, folclore brasileir

o, dança, música e cinema. Tudo isso acessível através de marcação prévia para grupos com no mínimo 5 visitantes. Acesso aberto para todo e qualquer grupo de Capoeira ou interessados por matérias como antropologia, sociologia, história, filosofia e demais áreas abrangidas pela história negra, índia e branca. Reúna seus amigos, traga curiosidade e vontade e mergulhe na pesquisa. Todos os materiais podem ser duplicados ou registrado, com autorização prévia da direcção do Museu.

25/04/2026

Bangüela, Benguela, Jogo de Dentro ou Regioná: como chamar?

O ensinamento de Mestre Nô (2019):
O mestre nos ensina que o toque é Bangüela (que significa "boa goela", o negro bom de canto). Para ele, "Jogo de Dentro" é o tipo de jogo que se faz para esse toque, e não o nome da batida. A confusão teria começado porque, em gravações antigas, Mestre Gato gritava: “— Jogo de dentro!”, orientando os jogadores sobre o estilo de jogo, e não batizando o toque (Accordi, 2019, p.326-327).

A visão de Mestre Bola Sete (1997):
Em seu livro "Capoeira Angola na Bahia", ele registra o termo Benguela. Segundo ele, era um toque específico para o treinamento do "jogo de faca", hoje praticamente extinto nas rodas convencionais e descreve as batidas do toque: tich tich tim tom tim (Bola Sete, 1997, p.65-66).

Embora apareça com nome diferente, parece tratar do mesmo toque.

A voz dos nossos mais velhos:
Além da bibliografia mencionada, os registros fonográficos de mestres como Canjiquinha (1960), Traíra (1963), Gato Preto (1963) e Moraes (1996) reforçam que a nossa Capoeiragem é plural e cheia de nuances.

*Na gravação do mestre Traíra, apresentamos dois toques (Regioná e Cavalaria). Percebem alguma diferença nestes toques?

Na sua escola, como esse toque é chamado? Deixe nos comentários!
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Referências bibliográficas e fonográficas:
ACCORDI, Leandro de Oliveira. Memórias periféricas... As narrativas de Mestre Nô. UFBA, 2019.
BOLA SETE, Mestre. A Capoeira Angola na Bahia. Pallas, 1997.
Áudios: Janice Marie Smith (1960); Helinä Rautavaara (1963) LP Mestre Traíra (1963); CD Capoeira Angola from Salvador (1996) CD Registro dos saberes da Capoeira Angola.

Por:
Elton Cristiano (Mestre Espaguete)


21/04/2026

Academia do mestre Canjiquinha

No primeiro jogo a mestra Fafá/Cigana e tudo indica que o mestre Jorge Encruzilhada, Depois o mestre Canjiquinha entra para jogar com a mestra.
Na bateria os mestres Paulo dos Anjos e Jorge Satélite.

*Filmagem cedida gentilmente pelo mestrando Corvo (Tem mais alguns minutos deste rico registro)

Sabe quem são as pessoas da filmagem?
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11/04/2026

Virgílio Maximiano Ferreira – Mestre Virgílio da Fazenda Grande (In Memoriam)

Em 1960 começa a trajetória do líder negro, Mestre Virgílio, e a Capoeira Angola na Fazenda Grande do Retiro. No início, lá na Jaqueira do Carneiro, ele chegou a ficar assustado, tinha medo de praticar. Mas, com o tempo, começou a entender a razão de a capoeira ser considerada um ato de vandalismo e perseguida pelas autoridades. A polícia e a cavalaria podiam chegar a qualquer momento, acabar a roda, perseguir ou prender os capoeiristas.
Mestre Virgílio enfrentou as adversidades e o temor lhe deu inspiração para dar continuidade ao que seu mestre e pai, Espinho Remoso, começou desde a década de 1930. Assim, ele introduziu a prática da Capoeira Angola na comunidade da Fazenda Grande do Retiro [...] Dezenas de capoeiristas iam para lá atraídos pela roda de Capoeira Angola. Os mestres Valdemar da Paixão, Bom Cabrito, João Grande, João Pequeno, Canjiquinha e Pelé da Bomba foram alguns deles. Sem esquecer algumas batalhas e jogos inesquecíveis entre os mestres Diogo, João Grande, Zacarias Boa Morte, Firmino, Virgílio, Bom Cabrito, Valdomiro, Negro Davi, Paulo dos Anjos, Brandão, Geni, Ferrugem e tantos outros. Ao Mestre Virgílio cabia o comando da roda, o jogo, liderar e receber a tantos visitantes quanto fosse necessário.
Na escola, durante muitos anos, teve cursos profissionalizantes, que ajudavam a capacitar os jovens do bairro em marcenaria, tubulação, eletricidade, entre outros (Reis; Santos; Mascarenhas, 2022, p.41-52).

Texto/foto:
REIS, Lázaro Santiago; SANTOS, Tatiane Santana dos; MASCARENHAS, Tania Miranda. Líder Negro. 1. ed. Salvador, BA: Ed. dos Autores, 2022.

Áudio:
CD Mestre Virgílio - 50 anos de Capoeira

Por:
Elton Cristiano (Mestre Espaguete)

03/04/2026

EDVALDO DOS SANTOS REIS – MESTRE BAIANO

Edvaldo dos Santos Reis, também conhecido como Mestre Baiano, nasceu em 30 de agosto de 1945, em Salvador/ BA.

Aos nove anos, teve seu primeiro contato com a capoeira ao ver uma roda do Mestre Sete Molas. Ali estavam presentes os mestres: Cobrinha Verde e Traíra (seu ídolo). Ao chegar em casa levou uma surra por ter demorado na rua; no dia seguinte levou outra, por ter quebrado uma vassoura para fazer berimbau.

O encanto pela capoeira era tanto que após assistir as rodas aos domingos ficava tentando repetir os movimentos que tinha guardado na mente.

Em uma festa de Carnaval conheceu o famoso Mestre Canjiquinha, que passou a ser seu mestre. Quando entrou para marinha, convenceu o tenente a contratá-lo para dar aulas de capoeira. Na marinha teve contato com alguns alunos do Mestre Bimba: Dudu, Deco e Rogério, conhecido como Diabo Louro, e com eles aprendeu as seqüências e os balões cinturados.

Em 1965, começou a dar aulas de capoeira no Colégio Naval.

De 1969 a 1970, foi professor de folclore do Museu Histórico Nacional.

Em 1º de janeiro de 1970, fundou a Associação de Capoeira Engenho, tendo a capoeira como qualidade de vida.

Nas décadas de 70 e 80, fez inúmeras apresentações folclóricas em teatros, casas de show, museus, clubes e hotéis. Em 1977, fundou o grupo de dança afro "Feitiço e Magia".

Em 1996, recebeu o Cordel Branco (30 anos como mestre) da FCDRJ - Federação de Capoeira do Estado do Rio de Janeiro.

Há mais de 11 anos é mestre de capoeira na Universidade Veiga de Almeida, onde faz um belo trabalho com alunos e comunidade em geral.

Atualmente, é coordenador do Projeto 2º Tempo e mestre do Projeto Raízes da Igualdade.

Texto:
Leticia Cardoso de Carvalho. Praticando Capoeira. Ano IV, Nº40

Foto:
Arquivo Associação de Capoeira Engenho

Áudio:
CD Associação de Capoeira Engenho – Toque Natura

Por:
Elton Cristiano (Mestre Espaguete)

Sandra Eugênia Feitosa (Mestra Sandrinha)Hoje rendemos homenagem a uma figura fundamental na história da capoeiragem: a ...
28/03/2026

Sandra Eugênia Feitosa (Mestra Sandrinha)

Hoje rendemos homenagem a uma figura fundamental na história da capoeiragem: a Mestra Sandrinha.

Em um universo historicamente marcado pela invisibilidade feminina, Mestra Sandrinha é lembrada como uma das pioneiras que romperam barreiras. Como aponta França (2022, p. 133), ela compõe, ao lado de nomes como Mestra Tonha Rolo do Mar e Mestra Cigana, um grupo de mulheres aguerridas cujas trajetórias são "vestígios de mestras pioneiras no Brasil".

Seu professor, o mestre Roque, orgulhoso de ter ensinado capoeira para ela, fez o seguinte depoimento sobre Sandrinha:
Criança, menina, eu sempre tive sorte com menina. Eu formei a primeira Mestre de capoeira do Brasil (Assunção, 2020).

Infelizmente, sua partida precoce a torna uma referência in memoriam, mas seu legado permanece vivo na luta por espaços e representatividade.
Que sua memória continue inspirando novas gerações de capoeiristas a ocupar todos os espaços,

Viva a Mestra Sandrinha! Salve as mulheres da Capoeira!

Obs: Edições de imagens nossa.

Referências

FRANÇA, Ábia Lima de. Trajetórias formativas e registros biográficos de mestras de capoeira. (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade, Universidade do Estado da Bahia, Salvador, 2022.
MESTRA Sandrinha (1959). In: Capoeira History. Disponível em: https://capoeirahistory.com/pt-br/mestre/mestra-sandrinha-1959/. Acesso em: 28 mar. 2026.
“Mestra Sandrinha. A mulher na roda de capoeira”. Dô. Revista de Artes Marciais, no. 10 (1979), p. 22-25.

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Por:
Elton Cristiano (Mestre Espaguete)


Rita de Cássia Santos de Jesus - Mestra Ritinha.Iniciou-se na Capoeira no Forte Santo Antônio no começo da década de 198...
15/03/2026

Rita de Cássia Santos de Jesus - Mestra Ritinha.

Iniciou-se na Capoeira no Forte Santo Antônio no começo da década de 1980. Seu mestre, João Pequeno de Pastinha [...] Embora Ritinha tenha dedicado sua vida à capoeira, seu destino diferiu do desses ilustres angoleiros e angoleiras. Quando faleceu, em 2019, Ritinha não tinha espaço para dar aula, e o fato é que era desconhecida pelas novas gerações de capoeiristas Bahia afora. Nos grandes eventos, workshops, encontros nacionais e internacionais que pontuaram a expansão da capoeira angola desde a década de 1990, outros – e algumas poucas outras – construíam as narrativas da tradição, evocando memórias, nomes e fatos em que Ritinha não aparecia.
​Por isso, afirmo que Ritinha, Mestra Ritinha, foi apagada da história do renascimento da capoeira angola em Salvador nos anos 1980.
​Nem mesmo nos eventos de mulheres capoeiristas, que passaram a compor o calendário dos grupos com frequência – geralmente anual – nas últimas duas décadas, houve quem julgasse que sua participação seria não só valiosa como necessária (Zonzon, 2021, p.15-16).

Texto e imagem:

ZONZON, Christine Nicole (org.). O Legado de Ritinha da Bahia: mulheres no jogo da resistência. Salvador: Araçá;Edufba, 2021.

Por:
Elton Cristiano (Mestre Espaguete)


26/01/2026

A espera acabou: Parte 2 no ar!

Dando continuidade à reportagem histórica do Globo Repórter (dezembro de 1997), trazemos agora a segunda metade desse registro fundamental para nossos estudos.

Se você perdeu a primeira parte, ela está disponível no nosso feed!

Mais uma vez, nosso agradecimento ao Professor Mintirinha e ao Contramestre Canelão por compartilharem essa relíquia com o coletivo.

Você já tinha visto esse vídeo?
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Video:
Recorde reportagem 12 de dezembro de 1997, Globo Repórter. Reportagem completa em https://www.youtube.com/watch?v=fAIwYzRVdU0.

Por:
Elton Cristiano (Mestre Espaguete)

05/01/2026

O Museu da Capoeira é um projeto comunitário dedicado à preservação da história, da memória e da cultura da capoeira. Um acervo vivo construído com paixão, pesquisa, entrevistas, treinos, musicalidade, documentos, gravuras, arquivos raros, rodas antigas e rodas atuais, com conhecimento transmitido pelos grandes Mestres da Capoeira Angola, Regional e da dita Contemporânea/moderna.

Este canal nasce com uma missão clara: unir história, prática, filosofia, movimento e musicalidade da capoeira em um único espaço, aberto para o Brasil, Portugal, África e para o mundo.

Nosso trabalho conecta passado, presente e futuro através do Triângulo Atlântico — a circulação cultural entre África, Brasil e Portugal que moldou a capoeira como arte, luta, dança, jogo, ritual, resistência e identidade.

Aqui você encontra história da capoeira, capoeira angola, capoeira regional, musicalidade, treinos, entrevistas com mestres, documentários, coleções históricas e pesquisa de campo. Também oferecemos cursos completos na aba “Cursos” do YouTube, organizados de forma pedagógica e acessível.

Todo o conteúdo é gratuito, feito com amor, dedicação e responsabilidade cultural.

A capoeira é corpo, voz, memória e ancestralidade.
A capoeira é cultura viva, pulsando e resistindo.

Seja bem-vindo ao Museu da Capoeira.
Axé e boa viagem pela nossa cultura.

02/01/2026

Relíquia do Globo Repórter! 📺

No post de hoje, compartilhamos uma reportagem histórica de dezembro de 1997 que circulou em nossos coletivos de estudos.

Dividimos esse conteúdo em duas partes para facilitar o consumo. Agradecemos ao Professor Mintirinha pela indicação e ao Contramestre Canelão pelo empenho em localizar essa raridade.

Confira a primeira parte agora!

Você já tinha visto esse vídeo?
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Video:
Recorde reportagem 12 de dezembro de 1997, Globo Repórter.

Por:
Elton Cristiano (Mestre Espaguete)

21/12/2025

Unter Palman und Braunen Menschen in Bahia

[...]Uma grande nuvem cobriu metade do céu e roubou minha luz do sol.
“Não se preocupe comigo”, digo a Bimba. “Finja que eu nem estou aqui. Se quiser fazer uma pausa, olhe antes um pouco para o céu.”
“Está certo, senhor! O senhor não está aqui”, responde ele rindo. Eu trouxe algumas garrafas para ele e seus homens, achando que precisava criar um bom clima. Bimba guardou tudo — durante a dança ninguém bebe. Eles se inebriam com a própria dança e entram num estado que nada deixa a desejar. Os atabaqueiros sentam-se em cadeiras, seguram os atabaques altos entre os joelhos e os tocam com as mãos. Dois rapazes ficam ao lado com tamborins. Bimba toca o maior atabaque. Os outros ficam ao redor, de maneira informal, cantando e batendo palmas.
Bimba afasta seu atabaque e pega o berimbau, um instrumento afro-antigo feito de uma cabaça oca e uma corda. Ele tira dele sons estranhamente belos e até melodias completas. Esse berimbau é usado nas danças de capoeira, que agora são as próximas.
A Capoeira veio com os bantus da África. São competições ou jogos — melhor
dizendo, danças acrobáticas dos rapazes. Bimba faz muita questão de que sejam executadas corretamente, pois têm seu significado. Dois rapazes saem da fileira. Um dá uma cambalhota, o outro se abaixa como se fosse investir contra o adversário. Agora o jogo vira. Eles atacam, recuam, dão saltos mortais, agarram-se pela cabeça e giram pelo ar. Por um triz desviam dos chutes velozes. Embora tentem se atingir, tudo é feito com grande consideração pelo outro. Em festas muito grandes, colocam lâminas ou navalhas afiadas entre os dedos dos pés. A coisa toda parece uma prova de habilidade. Quando dois combatentes se cansam, dois outros entram. Bimba, que toca o berimbau, observa os jogos e às vezes intervém, pois educa os rapazes na verdadeira capoeira.

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Obs: Tradução gerada por meu de programa computadorizado.

Imagens:
Unter Palman und Braunen Menschen in Bahia, 1961.

Áudio:
Sambas de roda e Candomblés da Bahia, 1969.
Por:
Elton Cristiano (Mestre Espaguete)

Endereço

Rua Dos Táxis Palhinha
Lisbon
1600-419

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