João V, com início de construção a 17 de novembro de 1717 e sagração da basílica a 22 de outubro de 1730. Mandado edificar pelo rei D. João V, o Palácio-Convento de Mafra é um vasto complexo monumental com mais de 1200 hectares, que integra o Palácio Real, a Basílica, o Convento, o Jardim do Cerco e uma vasta Tapada, inscrito na Lista do Património Mundial a 7 de julho de 2019. O convento, origina
lmente um pequeno cenóbio para 13 frades da Ordem Franciscana, foi mandado construir, em 1711, em cumprimento de um voto de sucessão pelo nascimento de um primogénito, a princesa D. Maria Bárbara de Bragança, fruto do enlace de D. Maria Ana de Áustria. Lançada a primeira pedra a 17 de novembro de 1717, o projeto inicial foi profundamente alterado, passando a abranger não apenas uma casa religiosa, mas também um grandioso palácio e uma capela real com a dignidade de basílica, a qual foi consagrada num domingo, dia 22 de outubro de 1730, dia de aniversário do monarca. Construído em pedra lioz da região, o edifício ocupa uma área de cerca de 38.000m2, multiplicada por vários pisos, fazendo deste um dos maiores palácios europeus, com cerca de 1200 divisões, mais de 4500 portas e janelas e 156 escadarias. Para o Palácio, Basílica e Convento, o monarca encomendou em Itália e França importantes obras de escultura, pintura, tapeçarias, paramentos e alfaias religiosas. Na Flandres, encomendou ainda dois carrilhões, com 92 sinos, que constituem o maior conjunto histórico do mundo. José I cria a Academia de Mafra em homenagem ao seu pai e antecessor, D. João V, instalando-se aqui uma Real Escola de Escultura, sob a direção do mestre italiano Alessandro Giusti. Nesta escola procedeu-se à formação dos mestres escultores portugueses que marcam a segunda metade do século XVIII, e ainda à produção dos retábulos de pétreos da Basílica. A Real Academia de Mafra veio a ser extinta no século XIX e dela emergem duas outras importantes instituições: a Real Academia das Belas Artes de Lisboa e a Imperial Academia e Escola de Belas Artes dos Rio de Janeiro. À exceção do Príncipe-Regente D. João (VI), que residiu em Mafra no período anterior à mudança da Corte para o Brasil, esta residência foi usada por escassos períodos, geralmente associados a festividades religiosas, épocas de caça ou de veraneio. D. João VI promoveu no Palácio de Mafra importantes obras de decoração e encomendou, no final do séc. XVIII, um novo conjunto de 6 órgãos para a Basílica, concebidos para tocarem em conjunto. Este monumento possui uma das mais importantes bibliotecas europeias com um valioso acervo de mais de 30.000 volumes, que abrange as principais áreas de estudo da cultura iluminista do século XVIII. O Palácio de Mafra está estreitamente ligado a vários momentos históricos, como as invasões napoleónicas, ou a implantação da República, tendo sido neste Palácio que o último rei de Portugal, D. Manuel II, passou a sua última noite no país, de 4 para 5 de outubro de 1910.