05/03/2024
https://www.publico.pt/2024/03/05/culturaipsilon/entrevista/pais-fascista-perigosa-2082336?ref=hp&cx=bloco_lista_3
"porque mulher em democracia não é biombo de sala".
uma entrevista importante para se dar a ler às nossas mulheres: às mais velhas, que passaram, em silêncio, tantas vezes, por tanto do que aqui está. tendo noção do quanto lhes devemos, saibamos ser-lhes gratas, continuando a sua luta; e dar a ler às mulheres mais novas, que, não tendo tido o privilégio de falar com as mais velhas, directamente, oiçam os relatos destas avós emprestadas.
a dada altura, Maria Teresa Horta fala da sua Avó paterna, do acesso clandestino que esta lhe proporcionou à biblioteca do seu Pai, na ausência deste, nas reuniões em casa de Maria Lamas, que não sabia ainda quem era, e de um gesto dessa Avó, que abandona uma sala onde lhe dizem o que não aceita ouvir. Maria Teresa Horta segue os passos da Avó, que lhe diz, a seguir, que fez o que mais importa, com esse gesto - ser solidária com outras mulheres.
nestes tempos conturbados, saibamos ouvir, saibamos ler, partilhemos coisas importantes, sejamos "uma praça de gente madura". regressemos aos livros, aos jornais, às mesas de café, às ruas, se preciso for. especialmente para as mulheres, como diz Maria de Teresa Horta, "um país fascista é uma coisa muito perigosa", e as descrições que se podem ler nesta entrevista do que lhe fizeram, a ela e a outras, certamente, por serem mulheres que pensavam e que escreviam, é, de facto, revoltante, e não pode, de todo, ser esquecido. do esquecimento à repetição vai-se num salto.
Rebelde, inconsciente, apaixonada, aos 86 anos, Maria Teresa Horta continua a “teimar” na luta por uma igualdade de direitos que, insiste, “ainda está por cumprir”.