10/07/2026
EXTRAVIOS
Isaac
Exposição de pintura
04 JUL > 31 OUT 2026
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Galeria Cruzes Canhoto
Rua Miguel Bombarda, 452, Porto
(+351) 916 412 881
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[PT]
Nasceu no Porto, em 1975, mas diz só ter nascido seis anos depois, quando se viu de pé, à entrada da mercearia do pai, a olhar para a enorme parede de granito da antiga Cadeia da Relação – a primeira memória que tem de si.
Ainda jovem, quis ser chef de pastelaria, mas acabou a trabalhar numa farmácia. Para além disso, numa luta diária pela sobrevivência, montou computadores, reproduziu projectos técnicos de arquitectura e trabalhou como motorista numa empresa de mudanças. Na verdade, era de pintura que gostava, pelo que foi adiando o sonho de um dia vir a deixar a sua marca no mundo através da arte.
Nos últimos anos, tem trabalhado como assistente em empresas de design gráfico, aproveitando para desenvolver as suas competências artísticas inatas. Quis o acaso que, por força do seu emprego, se viesse a cruzar regularmente com o meio das artes do quarteirão de Miguel Bombarda, e é agora uma das apostas maiores da galeria Cruzes Canhoto.
Nas criações artísticas de Isaac está bem patente a herança judaico-cristã, dualista e apocalíptica, que marcou fortemente a sua infância e juventude. São obras realizadas em pintura ou desenho, sobre tela, madeira, papel ou cartão, com uma expressão de carácter naïf surrealista.
Em Setembro de 2024, apresentou a sua primeira exposição a solo, “De Súbito”, na galeria Cruzes Canhoto, no Porto, com enorme sucesso. Essa mostra resultou de um processo em que Isaac foi mais longe e mais fundo na descoberta do seu inconsciente, experimentando de forma intuitiva novos materiais e novos estímulos como desbloqueadores de práticas estabelecidas e recalcadas que o artista sentia serem castradoras da sua criatividade.
Nesse caminho exploratório do desconhecido, experienciou um fenómeno inusitado de clarividência que o levou a mergulhar numa vertigem criativa quase sem controlo. Pela primeira vez, sentiu que as peças do seu puzzle mental, até então insolúvel, começaram subitamente a encaixar-se de modo perfeito, passando da entropia inquietante à catarse reconciliadora.
Nesta nova exposição a solo — uma extensão da mostra "Extravios", realizada no início deste ano, numa parceria das galerias Catapulta e Cruzes Canhoto — Isaac prossegue o percurso iniciado em "De Súbito", continuando à descoberta de seu mundo interior e de como este se relaciona com o resto do mundo. Já munido de alguns dos códigos que lhe permitem ultrapassar as barreiras do passado, pode agora aventurar-se por horizontes mais longínquos e universos mais profundos, sem receio de se perder nos extravios suscitados pelo acaso.
O que outrora fora visto como possíveis vias sem saída, é agora encarado como novas possibilidades de descoberta.
[ENG]
Isaac was born in Porto, in 1975, but says he was only born six years later, when he found himself standing at the entrance to his father’s grocery store, looking at the huge granite wall of the former Cadeia da Relação (Jail and Court of Appeal of Porto) – his first memory of himself.
At a young age, he wanted to be a pastry chef, but ended up working in a pharmacy. In addition, in a daily struggle for survival, he assembled computers, reproduced technical architectural projects and worked as a driver for a moving company. In fact, it was art he liked the most, so he kept postponing his dream of one day leaving his mark on the world through art.
In recent years he has worked as an assistant in graphic design companies, taking the opportunity to develop his innate artistic skills. By mere chance, this activity led him to regularly come across Porto’s art district, and he is now one of the biggest bets of the Cruzes Canhoto gallery.
In Isaac’s artistic creations, the Judeo-Christian heritage, dualistic and apocalyptic, that strongly marked his childhood and youth, is clearly evident. These are works created in painting or drawing, on canvas, wood, paper or cardboard, with a naïve surrealist expression.
In September 2024, he presented his first solo exhibition, “De Súbito” [suddenly], at the gallery Cruzes Canhoto, in Porto. The exhibition is the result of a process in which Isaac went further and deeper in discovering his unconscious, intuitively experimenting with new materials and new stimuli as unlockers of established and repressed practices which the artist felt castrated his creativity. On this exploratory path into the unknown, he experienced an unusual phenomenon of clairvoyance that led him to plunge into an almost uncontrollable creative vertigo. For the first time, he felt that the pieces of his up to now insoluble mental puzzle suddenly began to fit together perfectly, moving from unsettling entropy to reconciling catharsis.
In this new solo exhibition — an extension of the "Extravios" (misdirections) show, held earlier this year in a partnership between the Catapulta and Cruzes Canhoto galleries — Isaac continues the journey begun in "De Súbito," proceeding the exploration of his inner world and how it relates to the rest of the world. Now equipped with some of the codes that allow him to overcome the barriers of the past, he can venture into more distant horizons and deeper universes, without fear of getting lost in the misdirections caused by chance.
What was once seen as possible dead ends is now seen as new possibilities for discovery.