espacio jhannia castro

espacio jhannia castro Located in the charming cultural area of ​​the city of Oporto, known as Block of Arts, is an innovative space dedicated to author photography, design, art

“STAGED. From The Potemkin Series” de Gregor Sailer(...) Mas onde começa então a sedução?A série de imagens de Gregor Sa...
25/11/2020

“STAGED. From The Potemkin Series” de Gregor Sailer

(...) Mas onde começa então a sedução?
A série de imagens de Gregor Sailer, leva-nos a pensar o mundo a partir das suas contradições e complexidades. Neste sentido, poderíamos dizer que o seu carácter documental arrasta consigo uma consciência crítica. Mas há algo mais, e talvez seja aqui que comece a sedução (...)

Pedro Bandeira
Professor Associado na Escola de Arquitetura da Universidade do Minho e membro investigador do Lab2PT.

Este evento, en parceria con Atelier Sérgio Rebelo, integra o MIP- Mês da Imagem do Porto em apoio da Câmara Municipal do Porto.
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EXPOSIÇÃO:⠀⠀
DATES: From Nov 12th to Dec 11th⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
PLACE: Atelier Sérgio Rebelo ⠀⠀⠀⠀
ADDRESS: Rua Miguel Bombarda 224, Porto ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
TIME: Mon-Fri 3:30 pm - 7:00 pm ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
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“STAGED. From The Potemkin Series” de Gregor Sailer(...) Há toda uma construção coletiva, consciente, em torno de espaço...
24/11/2020

“STAGED. From The Potemkin Series” de Gregor Sailer

(...) Há toda uma construção coletiva, consciente, em torno de espaços cuja artificialidade está presente. Independentemente de a nossa atenção recair sobre parques temáticos como a Disneylândia, resorts de férias, ou centros de cidades tomados pelo turismo ou pela gentrif**ação, é fácil deparmo-nos com prisões que se transformaram em museus de arte, fábricas em centros comerciais, mercados em hotéis, ou igrejas que agora são discotecas. Grande parte da arquitetura que constrói as nossas cidades exibe, sem falta de pudor, um relativismo pouco conciliável com a representação objetiva da “verdade” (...)

Pedro Bandeira
Professor Associado na Escola de Arquitetura da Universidade do Minho e membro investigador do Lab2PT.

Este evento, en parceria con Atelier Sérgio Rebelo, integra o MIP- Mês da Imagem do Porto em apoio da Câmara Municipal do Porto.
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EXPOSIÇÃO:⠀⠀
DATES: From Nov 12th to Dec 11th⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
PLACE: Atelier Sérgio Rebelo ⠀⠀⠀⠀
ADDRESS: Rua Miguel Bombarda 224, Porto ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
TIME: Mon-Fri 3:30 pm - 7:00 pm ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
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“STAGED. From The Potemkin Series” de Gregor Sailer(...) O último parágrafo do livro Simulacres et Simulation de Jean Ba...
23/11/2020

“STAGED. From The Potemkin Series” de Gregor Sailer

(...) O último parágrafo do livro Simulacres et Simulation de Jean Baudrillard, poderia ter dado início ao projecto The Potemkin Village de Gregor Sailer – uma viagem por vários países em torno de paisagens urbanas e arquiteturas artificiais – campos de treino militar nos Estados Unidos da América, réplicas de edifícios europeus construídos na China, pistas de teste de veículos na Suécia, entre outros. O testemunho fotográfico desta fabricação de uma realidade “falsa” não deixará de evocar o mundo das aparências em que vivemos no dia-a-dia, numa sociedade do espetáculo em que “tudo o que era diretamente vivido se afastou numa representação”, para citar Guy Debord(...)

Pedro Bandeira
Professor Associado na Escola de Arquitetura da Universidade do Minho e membro investigador do Lab2PT.

Este evento, en parceria con Atelier Sérgio Rebelo, integra o MIP- Mês da Imagem do Porto em apoio da Câmara Municipal do Porto.
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EXPOSIÇÃO:⠀⠀
DATES: From Nov 12th to Dec 11th⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
PLACE: Atelier Sérgio Rebelo ⠀⠀⠀⠀
ADDRESS: Rua Miguel Bombarda 224, Porto ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
TIME: Mon-Fri 3:30 pm - 7:00 pm ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
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“STAGED. From The Potemkin Series” de Gregor Sailer___O livro já está conosco !!!!! 146 lindas fotografias para desfru...
21/11/2020

“STAGED. From The Potemkin Series” de Gregor Sailer
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O livro já está conosco !!!!! 146 lindas fotografias para desfrutar! Você pode vir e procurar a sua e curtir a exposição novamente e se ainda não viu, está na hora!
The book is already with us !!!!! 146 beautiful photographs to enjoy !. You can come and look for yours and enjoy the exhibition again and if you haven't seen it, it's time!

Este evento, en parceria con Atelier Sérgio Rebelo, integra o MIP- Mês da Imagem do Porto em apoio da Câmara Municipal do Porto.
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EXPOSIÇÃO:⠀⠀
DATES: From Nov 12th to Dec 11th⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
PLACE: Atelier Sérgio Rebelo ⠀⠀⠀⠀
ADDRESS: Rua Miguel Bombarda 224, Porto ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
TIME: Mon-Fri 3:30 pm - 7:00 pm ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
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“STAGED. From The Potemkin Series” de Gregor SailerO livro já está conosco !!!!!  146 lindas fotografias para desfrutar!...
20/11/2020

“STAGED. From The Potemkin Series” de Gregor Sailer

O livro já está conosco !!!!! 146 lindas fotografias para desfrutar! Você pode vir e procurar a sua e curtir a exposição novamente e se ainda não viu, está na hora!
The book is already with us !!!!! 146 beautiful photographs to enjoy !. You can come and look for yours and enjoy the exhibition again and if you haven't seen it, it's time!

Este evento, en parceria con Atelier Sérgio Rebelo, integra o MIP- Mês da Imagem do Porto em apoio da Câmara Municipal do Porto.
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EXPOSIÇÃO:⠀⠀
DATES: From Nov 12th to Dec 11th⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
PLACE: Atelier Sérgio Rebelo ⠀⠀⠀⠀
ADDRESS: Rua Miguel Bombarda 224, Porto ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
TIME: Mon-Fri 3:30 pm - 7:00 pm

“STAGED. From The Potemkin Series” by Gregor Sailer,  can be visited from Monday to Friday from 3:30 p.m. to 7:00 p.m.__...
17/11/2020

“STAGED. From The Potemkin Series” by Gregor Sailer, can be visited from Monday to Friday from 3:30 p.m. to 7:00 p.m.
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As cidades invisíveis.

(...) Durante uma viagem à Rússia, o fotógrafo toma conhecimento desta história e acaba por encontrar versões contemporâneas da zelosa atitude de Potemkin. Em Suzdal, a nordeste de Moscovo, tem a oportunidade de fotografar um vasto conjunto de edifícios degradados, cobertos em 2013 por telas impressas com a reprodução de bem arranjadas fachadas, destinadas a impressionar Vladimir Putin durante uma visita anunciada que, ao final, acabou por não se concretizar.

Valdemar Cruz
Jornalista e escritor.
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Espacio /Jhannia Castro, in partnership with Atelier Sérgio Rebelo, is pleased to invite you to the opening of the photography exhibition “STAGED. From The Potemkin Series ”, by the Austrian photographer Gregor Sailer,
ON DISPLAY UNTIL DEC 11th
This exhibition is part of the MIP- Mês da Imagem do Porto in support of the Porto City Hall.
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DATES: From Nov 12th to Dec 11th⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
PLACE: Atelier Sérgio Rebelo ⠀⠀⠀⠀
ADDRESS: Rua Miguel Bombarda 224, Porto ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
TIME: Mon-Fri 3:30 pm - 7:00 pm ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
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STAGED.From the Potemkin Series de Gregor SailerAS CIDADES INVISÍVEIS O calor é infermal. A tempestade de areia arrasa a...
16/11/2020

STAGED.From the Potemkin Series de Gregor Sailer

AS CIDADES INVISÍVEIS

O calor é infermal. A tempestade de areia arrasa a visi- bilidade. Soam tiros de metralhadora. Tanques evo- luem pelas ruas empoeiradas. Dezenas de soldados concentram o olhar na mesquita azul. Outros pre- ocupam-se com as casas na aparência desocupadas daquela misteriosa rua afegă. O ambiente é aterrador. Há um desvario a criar uma sensação de descontrolo absoluto. E, de repente, tudo para. Éo silèncio. Não há mortos. Não há feridos. Não há mais combates. Tranquilos, descontraídos, os soldados regressam ao ponto de partida. Porventura retomarão mais tarde a ação interrompida. De novo com a mesquita como alvo. De novo em progressão numa rua da cidade de Ujen (designação árabe para Junction City), no Afeganistão. Na verdade aquela rua não existe. Aquela cidade é uma ficção criada pelo exército dos EUA em Fort Ir- win, uma base militar no deserto de Mojave a pouco mais de uma hora de carro de Barstow, na Califórnia.
Funciona ali o National Training Center, para onde todas as tropas dos EUA são deslocadas durante 20 dias, pelo menos, antes de serem enviadas para mis- sões no estrangeiro. Por exemplo no Iraque, Afeganistão ou vários países africanos. Com exceção de armas químicas ou biológicas, são ali testadas todo o tipo de munições à disposição do exército norte-americano. Ujen é um bom exemplo de espaços similares es- palhados pelo mundo. Uns são de acesso livre e funcionam até como destino turístico, em particular na China com as suas réplicas de cidades europeias, outras estão longe do olhar do cidadão comum. De acesso restrito, têm como função o treino militar em cenários urbanos.
O fotógrafo austríaco Gregor Sailer percorreu sete países em três continentes à procura destas estruturas arquitetónicas artificiais, concebidas, diz, "como cenário de ilusões". A longa e complexa viagem le- vou-o à Rússia, Suécia, Alemanha, França, Inglater- ra, Estados Unidos e China. Em tempo de fake news, Gregor foi à descoberta de fake towns. Interessa-lhe este confronto "entre ilusão e falsa ilusão".
Há muitas leituras possíveis para este interesse em fabricar realidades num contexto de mentira, seja a vila afegã num deserto da Califórnia, o complexo de apartamentos em França para treino na luta antiterrorista, ou a falsa cidade ainda em construção, para fins militares, em Schnoggersburg, em Sachen-Anhalt, na Alemanha. Só este projeto, por exemplo, envolve um investimento de €170 milhões e o fotógrafo austríaco, cujo trabalho pode ser visto no Porto, revela-se "impressionado com a incrível quantidade de investimentos que estão a ser feitos para criar ilusões".
Gregor Sailer denomina este seu projeto “Potemkin Villages", do qual resultou um livro. Inspira-se numa história, que verdadeira ou não, alimenta ainda hoje um vasto imaginário na Rússia. A origem da expressão Potemkin Villages remonta ao século XVIII e ao reinado da imperatriz Catarina II, de cognome A Grande, Em 1787 decide visitar a Crimeia e, o então governador Grigory Aleksandrovich Potemkin terá mandado construir ao longo do percurso imperial fal- sas e reluzentes casas de madeira pintada em várias e vibrantes cores, de modo a esconder as condições miseráveis da região.
Durante uma viagem à Rússia, o fotógrafo toma conhecimento desta história e acaba por encontrar versões contemporâneas da zelosa atitude de Potemkin. Em Suzdal, a nordeste de Moscovo, tem a oportunidade de fotografar um vasto conjunto de edifícios degradados, cobertos em 2013 por telas impres- sas com a reprodução de bem arranjadas fachadas, destinadas a impressionar Vladimir Putin durante uma visita anunciada que, aflnal, acabou por não se concretizar.
Ação similar acontece dois anos depois na cidade histórica de Ufa, nos montes Urais, com várias ruas a serem cenicamente transformadas, ou mascaradas se se preferir, por ocasião de uma cimeira internacional.
Para Gregor estes são dois exemplos de falsif**ação com objetivos políticos e pareceram-lhe suficientes. Embora não sejam os únicos, dado haver notícia de operações similares em Belcoo, na Irlanda do Norte, para receber uma cimeira do G8, na Costa do Marfim ou em Marrocos, por ocasião de uma visita de vários chefes de Estado. Até em Portugal há registo de situações similares. Sempre que se anunciava uma visita a alguma localidade de Américo Tomás, presidente da República nos consulados de Olíveira Salazar e Marcello Caetano, era comum um esforço local para píntar as fachadas das casas e limpar as ruas, não fora o Chefe de Estado pensar que era mesmo pobre e decadente o país que todos sabiam ser pobre e decadente.
No desenvolvimento do seu projeto, só mais tarde Sailer toma conhecimento do que está a ser feito para treinar operações milítares em território urbano. Há, sublínha, "muitos exércitos à volta do mundo preocupados com este tipo de problemas, e não apenas devido às operações em que estão envolvidos noutros países, como os EUA no Afeganistão ou no Médio Oriente"
Cada vez mais, assegura, "os militares estão convencidos que os conflitos urbanos, nas suas próprias cidades, por exemplo na Europa, tornar-se-ão cada vez mais persistentes. Então, estão a preparar essas ferramentas também para as cidades europeias". Interessou-lhe, por isso, comparar as diferentes arquiteturas desenvolvidas e perceber até que pontos "os conflitos influenciam a arquitetura destas cidades falsas".
Neste momento, revela, a maior e mais moderna destas cidades está a ser construída na Alemanha. Enquanto no caso dos EUA, no deserto de Mojave, é tudo muito pensado para reproduzir aldeias ou cidades do Afeganistão ou do Iraque, na Europa, como sucede em Schnoggersburg, onde inclusive há uma falsa linha de Metro, o olhar é mesmo para a realidade e os espaços urbanos europeus.
Num ensaio publicado no livro com as fotografias das "Potemkin Villages", Linde B. Lehtinen, curadora de fotografia no San Francisco Museum of Art (EUA), escreve que as fotografias de Sailer, “não apenas referenciam as falsas qualidades da arquitetura, como suscitam questões sobre a capacidade da fotografia para registar a realidade". No sentido em que também a fotografia é ela própria uma reprodução, há, prossegue, "dois níveis de replicação a acontecerem enquanto vemos o corpus de trabalho de Sailer – a cópia do sítio original e a sua documentação".
De alguma forma, o fotógrafo joga com a perceção de quem olha, "construindo e destruindo ilusões". Por exemplo, como no caso sueco, quando proporciona uma visita através dos cenários ou por trás dos cenários, naquele caso, e estranhamente, dado ser na Suécia, de uma cidade inspirada em Carson City, a capital do estado de Nevada (EUA).
Acontece com frequência não se perceber se é ou não real o que os olhos veem. Nem sempre é claro onde começao cenário e acaba a realidade.
Gregor trabalha com a ilusão ótica. "Isso é muito excitante, porque a fronteira entre a realidade e a ilusão ótica muitas vezes não é clara." Walter Moser, curador de fotografia no museu Albertina, em Viena, considera num ensaio publicado no livro de Sailer, que, do ponto de vista técnico, "isto é em parte devido ao uso de câmaras de médio e grande formato, que usam película, muito pesadas, difíceis de manejar, e que exigem um método de trabalho muito lento". Em termos de imagens, contudo, "o muito particular cunho do artista está mais claramente nas suas objetivadas reproduções de edifícios estéreis. No fundo, é precisamente a mesma formalização de estruturas arquitetónicas que desmascaram a sua artificialidade e, divorciando-as do seu contexto social, expõenas como construção puramente autorreferenciais".
A câmara, com o seu processo lento, distante da imediatez do digital, influencia a linguagem das fotos. Até pela aproximação estética procurada pelo fotógrafo, sempre interessado na difícil exploração das cores diluídas, da luz ténue. Se tem tempo, caminha à procura dos espaços e trata de selecionar que partes daquele ambiente urbano podem ser importantes para criar uma imagem de um lugar específico. O tempo, porém, não é infinito. Oscila entre apenas um par de horas e um par de dias conforme as autorizações conseguidas para cada lugar.
É curioso constatar como, explica o fotógrafo, foi um projeto anterior, intitulado “Box", realizado entre 2014-2015, a conduzi-lo às Potemkin Villages. Con- seguiu entrar numa antiga fábrica construída pelos n***s, onde em segredo foi construído o célebre avi- ão Messerschmitt Me 262. Em condições muito precárias, a 2 mil metros de profundidade, no interior da montanha, numa velha mina já sem uso no Tirol, centenas de homens foram ali forçados a trabalhar em 1944. Gregor Sailer recorda aquele espaço como "um lugar de pesadelo. Hoje não é possível entrar lá. É uma área completamente vedada". Trabalhou em condições dificílimas, com recurso a luz artificial "num lugar que se tornou uma espécie de cenário. Embora persistam traços de presença humana, transformou-se numa espécie de palco. Era surreal".
Essa dimensão quase fantasmagórica derramada por lugares que, afinal, são não lugares, conduz Sailer para o projeto Potemkin.
Se algumas destas cidades carregam uma forte componente política, como quando na Rússia se engalanaram casas em ruínas com papel de cenário para lhes dar um ar reconstruído antes de uma visita de Putin, outras têm fins económicos, como a zona apelidada Carson, em Vargarda, na Suécia, a uma hora das instalações da Volvo, em Gotemburgo e durante muito tempo tida como a única cidade no mundo construída de propósito para testar sistemas de segurança em veículos automóveis e, depois, os carros sem condutor.
Um caso à parte são as cidades construidas com fins militares. Para lá de todo o moroso processo de investigação capaz de conduzir à sua descoberta, dado, como frisa Sailer, "não haver propriamente bibliografia sobre estes espaços", impõese, depois, a complexa via-sacra até a obtenção de autorizações. Trata-se, explica, de “áreas militares de acesso restrito" e isso faz com que, muitas vezes, o percurso termine antes mesmo de começar, face às barreiras colocadas. Um “não", quase sempre seco, deita a perder todo o trabalho já feito. Se corre bem, o fotógrafo obtém uma autorização, embora "com demarcação muito clara dos espaços aos quais posso, ou não, aceder".
Há casos de longas esperas. Na maior parte das vezes refletem uma ausência de resposta, com um signif**ado evidente. Não estão interessados na presença da objetiva de Gregor Sailer. Uma das suas abordagens dirigiu-se ao exército israelita. O austriaco sabe da existência em Israel de várias réplicas de cidades árabes. Porém, nunca recebeu autorização para entrar. "Não disseram que não, mas foram sempre alegando falta de capacidade para me acom- panhar num projeto deste tipo, o que signif**a nada e o seu contrário”.
Noutros momentos nem sequer uma resposta che-ga. Foi assim com a Jordânia. Há ainda o caso particular das Coreias do Norte e do Sul. Num primeiro momento, Gregor f**a entusiasmado quando recebe um sim das autoridades do Norte. Seria a oportunidade de visitar e fotografar um dos porventura mais fascinantes exemplos de uma cidade Potemkin da atualidade. Tratase de Kijong D**g, construída na zona desmilitarizada entre os dois países. Inesperadamente recebe uma dupla recusa. "A Coreia do Norte deixava-me entrar, mas não permitia que fosse à clássica Potemkin Village. Por sua vez, a Coreia do Sul dava-me autorização, mas apenas para me aproximar até uma distância de dois quilómetros da cidade". Longe demais.
Sailer gosta e precisa de ir ao interior dos edifícios. Tem absoluta necessidade de uma proximidade quase palpável. Até porque, acrescenta, "são os edifícios que contam a totalidade da história". E ali, porventura como em poucos lugares, há uma história a neces- sitar de ser percebida. No Sul dizem-lhe que Kijong D**g é apenas uma operação de propaganda. No Norte garantem-lhe ter a cidade uma vida normal, onde vivem pessoas, em particular agricultores.
E, assegura, "uma luta entre dois poderes. Nunca se pode ter a certeza se a informação recebida é absolutamente verdadeira, em particular quando se trata com este tipo de regimes".
Chega a ser perigoso, ao ponto de com frequência Sailer ter a sensação de estar a brincar com o fogo. Já lhe aconteceu no Azerbeijāo, mas ocorre quase a todo o momento. Desde logo porque todo o material obtido tem de passar pela censura militar. Exigem o direito de aprovar as fotos publicáveis.
A censura funciona de um modo muito efetivo. "Nos sítios militares houve sempre censura", afirma. Como não trabalha com máquinas digitais e usa exclusivamente processos analógicos, não tem de imediato imagens para mostrar aos militares. Isso, reconhece, "é muito complicado, porque o processo é lento e este aspeto técnico torna o projeto ainda mais difícil". Tem de lidar com a impaciência. De quando em vez com a desconfiança.
Decorrem daí preocupações acrescidas com os negativos. Vive sob uma tensão permanente, preocupado em assegurar que os filmes chegam a casa em segurança e que ninguém destrói nada pelo caminho. Nem sempre lhe é fácil explicar aos militares "que os negativos precisam de ser trabalhados e só depois posso enviar-Ihes cópias. Normalmente acabam por aceitar, mas é difícil, porque a maioria das pessoas nunca viu uma câmara como as que uso".
Durante o trabalho, confronta-se com as situações mais estranhas ou inesperadas. Por exemplo na área restrita do exército dos EUA no deserto de Mojave é um dia abordado por trabalhadores que estavam a pintar uma falsa mesquita. Pretendem saber se aquelas que estavam a pintar se pareciam "com as verda- deiras existentes no Médio Oriente e, consequentemente, se estariam a fazer um bom trabalho. Foi tudo muito estranho". A cena decorre pouco antes de uma fortíssima tempestade de areia. Sailer opta por continuar a trabalhar "para poder captar aquela luz muito especial no contexto dos edifícios e da mesquita azul. Tudo isto combinado com uma câmara analógica de grande formato, foi muito desafiante".
Outro episódio inesquecível remete-o para a também zona militar restrita existente no nordeste de França, bem no coração das linhas da frente da I Guerra Mundial. "Continua a existir lá material por explodir, o que torna muito perigoso caminhar por ali. Ainda hoje são encontrados pelos agricultores inúmeros esqueletos de soldados. Verdun, Chemin de Dames são muito próximos. Isso, combinado com as explosões, armas de fogo, tanques, a luz do inver- no, provocada naquela área remota uma atmosfera de medo."
Depois há a China. Aí é toda uma outra história, São famosas as suas várias cidades que pretendem re- produzir cidades europeias. Para Sailer foi muito estranho caminhar pela réplica de uma cidade alemā
criada por Albert Speer Junior, filho do arquiteto e confidente de Adolf Hi**er, Albert Speer.
Não obstante não serem novidade, foi importante para Gregor Sailer incluir estas cidades chinesas no seu projeto Potemkin. Desde logo por uma diferen- ça essencial. Trata-se de cidades criadas para pessoas reais. Acontece que, em resultado de uma opção estética de Sailer, não há pessoas em todas as outras fotos, em particular as de áreas militares. Na China tudo é diferente. Foram construídas em obediência a eral, longe das grandes metrópoles, mas um pla não conseguiram atrair pessoas. Transformaram-se em cidades-fantasmas. Muitas, admite o fotógrafo, estarão ocupadas em apenas 10% da sua capacidade.
Uma ou outra "teve sorte", diz. E o caso de Thames Town, a réplica chinesa de uma cidade inglesa no distrito de Songjiang. É agora usada como destino turístico dos chineses aos fins de semana. “Não se importam se é uma cópia, ou não. Usam-na como cenário fotográfico, até de casamentos. A maioria das lojas está fechada ou nunca foi aberta. Têm falta de infraestruturas. As ligações de transportes públicos são muito fracas. Talvez por isso sejam pouco habitadas." Falharam na sua vertigem de criar uma ilusão para habitantes reais.

Neste caso falharam também do ponto de vista económico e isso, a submissão aos postulados económicos no mundo real, conduz-nos ao novo projeto de Gregor Sailer, ainda em desenvolvimento. Chama-lhe "The Polar Silk Road" e trabalha o tópico da utilização económica das regiões do Círculo Polar Ártico, bem como as reivindicações territoriais de países vizinhos. O objetivo é uma aproximação tão artística, quanto documental, acompanhada de uma pesquisa sobre todos estes aspetos nas mais remotas regiões do nos- so planeta. O foco, explica, "incidirá sobre os traços arquitetónicos que testemunham a presença humana". Vai desde instalações destinadas à investigação, bases militares, estações de monitorização, construções para te**es de perfuração no contexto de uma paisagem hostil. Ao pretender construir uma narrativa calma, "sem dramatismos", Gregor vai querer elaborar um arco que abrange os enormes esforços humanos para conquistar e dominar aqueles territórios. Por acréscimo poderá conseguir dar nova vida a relíquias arquitetónicas.
Nos múltiplos trabalhos de Gregor Sailer, desde "Box" a "Closed Cities", embora com especial incidência em "Potemkin Villages", há uma espécie de alegoria vertida naquela vontade de espalhar diferentes imaginários na construção de espaços onde se acolhe uma perceção de realidade. Naquele emaranhado de sensações visuais, pode acontecer não ser possível descortinar a verdade num primeiro olhar. A insistência, o ver melhor, o reparar com mais cuida- do desembocam numa constatação: é tudo completamente falso. Num tempo de verdade cada vez mais mitigada, também aqui, através da arquitetura e com o contributo dos arquitetos, se cria um mundo feito de ilusões. Na aparência de verdade esconde-se um universo em que tudo parece irreal. Eé mesmo. A arquitetura não é verdadeira arquitetura. É uma arquitetura morta. E uma atmosfera sem sentimento. São cidades ancoradas num imaginário situado para lá do real. Ao não corresponderem a uma realidade sensível, no sentido de serem, antes de mais, do domínio da imaginação, estas são as cidades invisíveis. Vemolas, mas o que vemos não é o que julgamos ver.

Valdemar Cruz
Journalista

Mês da Imagem do PortoCentre de la photographie Genève Atelier Sérgio Rebelo Dobra Miguel Bombarda Rua Miguel Bombarda | Miguel Bombarda Street
Expresso

16/11/2020

Durante todo o ano, as Inaugurações Simultâneas do quarteirão das artes de Miguel Bombarda enchem as ruas de vida, com a abertura de novas exposições nas galeri

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